O Ciclone e o Aguaceiro

Um breve comentário:
Ao pensar em algo para escrever notei algo curioso, a maioria das pessoas que lêem meus textos são mulheres. Será que meus amigos, os meus colegas homens não estão interessados em minhas humildes palavras? Curioso, não? Então, por isso dedico meu discurso de hoje a vocês, minhas queridas amigas.
Agora o texto:
Lá estava eu, em mais um dia de trabalho, fritando pásteis, atendendo ao público, quando como de costume recebo dezenas daqueles mini-jornais, vocês devem saber quais são, aqueles que sempre aparecem as mesmas pessoas, o Prefeito fazendo pose de quem está trabalhando, uma garota nem tão bonita como destaque da semana, e um bucado de notícias um tanto quanto desnecessárias. Mas não vem ao caso, quando abri o ilustre periódico algo me chamou atenção, um espaço reservado a divulgação de livros, e lá estava um sobre o Papa Bento XVI, é não vem ao caso também, o livro interessante estava abaixo! Era um livro que surgiu para defender o indefensável, era a luz para algo que sempre sonhei, seus autores Patricia Love e Steven Stosny (também não conheço, mas são terapeutas que passei a admirar), e o nome dessa obra prima máxima da terapia é: Não Discuta a Relação: como melhorar seu relacionamento sem ter que falar sobre isso. Não tive o prazer de lê-lo ainda, mas deixarei aqui meus pareceres a respeito do tema.
Quem não tem horror aos famosos DRs? Não estou me referindo aos doutores, mesmo que você tenha horror a eles, estou falando de algo muito mais tenebroso, aquela situação desconfortável, o karma de todos os relacionamentos, o momento que seu namorado(a), parceiro(a), marido(a, ops esposa), amigo(a) colorido(a), ficante, chega até você e lança o golpe fatal: "Vamos discutir a relação".
É nesse instante que é preciso ter sabedoria e não cair nessa armadilha. Mas antes vamos entender o que leva a tamanho perigo, isso ocorre em quatro fases: o problema, a vontade, a conversa e a consequência . Normalmente, essa atitude finalistica é tomada em uma situação, no mínimo, desesperadora, o casal está em constante conflito, um não agrada mais o outro, enfim, é claro a existência de um problema que está impedindo a harmonia de seu relacionamento. O segundo momento, é quando o homem ou a mulher (ou a mulher e a mulher ou o homem e o homem, hoje em dia é assim, vai saber), pensa que o problema é a falta de comunicação entre eles, "vou colocar tudo em pratos limpos" ou algo parecido passa pela mente aflita, assim surge à vontade de se ter o DR (Discutir a Relação). Vale ressaltar que, na maioria das vezes é das mulheres que parte a vontade, será porque elas gostam de falar muito, seria a famosa ladainha? Continuando, a terceira e principal fase é a conversa, é aqui que o pior acontece, surgem falas tristes, agressivas, insensíveis, o problema que existe não será exposto de maneira correta pela fragilidade da situação, aflições antigas virão a tona novamente, e novas intempéries surgiram devido ao DR. A conversa pode se dar de duas maneiras distintas, em um monólogo, aonde a pessoa que falar melhor ou então coordena de forma mais rápida seus pensamentos e falas domina o papo, outro modo é o diálogo, aparentemente mais correta, mas a chances de uma briga surgir é consideravelmente grande. E por fim, vem a conseqüência, e com ela uma gama enorme de resultados negativos, ilustrarei alguns possíveis: com o fim da discussão o relacionamento dará por terminado, uma vez que, términos em sua maioria acontecem oriundos de DRs; ou poderá surgir algum tipo de ressentimento sobre o assunto tratado, se for alguma característica intima de qualquer uma das partes; mas o mais importante é que a pessoa que propôs o DR será vista como "inimigo", causando certa aversão na pessoa querida. Resumindo a conseqüência é o fato configurado após a conversa.
Entendido os tramites do DR, veremos que ele nem sempre é a solução mais sensata para retomar a harmonia de um relacionamento. Quem um dia proferiu a frase "tudo se resolve conversando", não teve uma visão ampla e nem deu importância para os atos que podem ser feitos em silêncio. Um abraço, um beijo, um olhar, um presente, uma surpresa, a própria presença do carinho são várias as formas de se resolver desavenças, e nenhuma palavra precisa ser falada. O desgaste causado pelo DR é tão nítido, a falta de preparo para ouvir, a falta de consideração para falar, pode trazer o resultado oposto ao pretendido pela discussão. Utilize-o como último recurso, não como primeiro. Ao contrário de quem afirmou tal ignorância de que tudo pode ser resolvido pelas palavras, deixar de usá-las pode ser uma atitude muito mais ponderada. Viver a relação é mais importante do que discuti-la. Vale a pena seguir recomendação da obra Não Discuta a Relação, e também a do sábio fundador do taoísmo Lao-Tsé (Lao-Tzu depende da tradução) em suas tábuas de transcendental metafísica "poupem as palavras e tudo andará por si mesmo, um ciclone não dura a manhã inteira, um aguaceiro não dura todo um dia".
Ao pensar em algo para escrever notei algo curioso, a maioria das pessoas que lêem meus textos são mulheres. Será que meus amigos, os meus colegas homens não estão interessados em minhas humildes palavras? Curioso, não? Então, por isso dedico meu discurso de hoje a vocês, minhas queridas amigas.
Agora o texto:
Lá estava eu, em mais um dia de trabalho, fritando pásteis, atendendo ao público, quando como de costume recebo dezenas daqueles mini-jornais, vocês devem saber quais são, aqueles que sempre aparecem as mesmas pessoas, o Prefeito fazendo pose de quem está trabalhando, uma garota nem tão bonita como destaque da semana, e um bucado de notícias um tanto quanto desnecessárias. Mas não vem ao caso, quando abri o ilustre periódico algo me chamou atenção, um espaço reservado a divulgação de livros, e lá estava um sobre o Papa Bento XVI, é não vem ao caso também, o livro interessante estava abaixo! Era um livro que surgiu para defender o indefensável, era a luz para algo que sempre sonhei, seus autores Patricia Love e Steven Stosny (também não conheço, mas são terapeutas que passei a admirar), e o nome dessa obra prima máxima da terapia é: Não Discuta a Relação: como melhorar seu relacionamento sem ter que falar sobre isso. Não tive o prazer de lê-lo ainda, mas deixarei aqui meus pareceres a respeito do tema.
Quem não tem horror aos famosos DRs? Não estou me referindo aos doutores, mesmo que você tenha horror a eles, estou falando de algo muito mais tenebroso, aquela situação desconfortável, o karma de todos os relacionamentos, o momento que seu namorado(a), parceiro(a), marido(a, ops esposa), amigo(a) colorido(a), ficante, chega até você e lança o golpe fatal: "Vamos discutir a relação".
É nesse instante que é preciso ter sabedoria e não cair nessa armadilha. Mas antes vamos entender o que leva a tamanho perigo, isso ocorre em quatro fases: o problema, a vontade, a conversa e a consequência . Normalmente, essa atitude finalistica é tomada em uma situação, no mínimo, desesperadora, o casal está em constante conflito, um não agrada mais o outro, enfim, é claro a existência de um problema que está impedindo a harmonia de seu relacionamento. O segundo momento, é quando o homem ou a mulher (ou a mulher e a mulher ou o homem e o homem, hoje em dia é assim, vai saber), pensa que o problema é a falta de comunicação entre eles, "vou colocar tudo em pratos limpos" ou algo parecido passa pela mente aflita, assim surge à vontade de se ter o DR (Discutir a Relação). Vale ressaltar que, na maioria das vezes é das mulheres que parte a vontade, será porque elas gostam de falar muito, seria a famosa ladainha? Continuando, a terceira e principal fase é a conversa, é aqui que o pior acontece, surgem falas tristes, agressivas, insensíveis, o problema que existe não será exposto de maneira correta pela fragilidade da situação, aflições antigas virão a tona novamente, e novas intempéries surgiram devido ao DR. A conversa pode se dar de duas maneiras distintas, em um monólogo, aonde a pessoa que falar melhor ou então coordena de forma mais rápida seus pensamentos e falas domina o papo, outro modo é o diálogo, aparentemente mais correta, mas a chances de uma briga surgir é consideravelmente grande. E por fim, vem a conseqüência, e com ela uma gama enorme de resultados negativos, ilustrarei alguns possíveis: com o fim da discussão o relacionamento dará por terminado, uma vez que, términos em sua maioria acontecem oriundos de DRs; ou poderá surgir algum tipo de ressentimento sobre o assunto tratado, se for alguma característica intima de qualquer uma das partes; mas o mais importante é que a pessoa que propôs o DR será vista como "inimigo", causando certa aversão na pessoa querida. Resumindo a conseqüência é o fato configurado após a conversa.
Entendido os tramites do DR, veremos que ele nem sempre é a solução mais sensata para retomar a harmonia de um relacionamento. Quem um dia proferiu a frase "tudo se resolve conversando", não teve uma visão ampla e nem deu importância para os atos que podem ser feitos em silêncio. Um abraço, um beijo, um olhar, um presente, uma surpresa, a própria presença do carinho são várias as formas de se resolver desavenças, e nenhuma palavra precisa ser falada. O desgaste causado pelo DR é tão nítido, a falta de preparo para ouvir, a falta de consideração para falar, pode trazer o resultado oposto ao pretendido pela discussão. Utilize-o como último recurso, não como primeiro. Ao contrário de quem afirmou tal ignorância de que tudo pode ser resolvido pelas palavras, deixar de usá-las pode ser uma atitude muito mais ponderada. Viver a relação é mais importante do que discuti-la. Vale a pena seguir recomendação da obra Não Discuta a Relação, e também a do sábio fundador do taoísmo Lao-Tsé (Lao-Tzu depende da tradução) em suas tábuas de transcendental metafísica "poupem as palavras e tudo andará por si mesmo, um ciclone não dura a manhã inteira, um aguaceiro não dura todo um dia".
Arte: Matheus Sá Motta
Leia também:
- O artigo "Vamos NÃO Discutir a Relação", da revista Marie Claire, edição de Maio de 2007.
- O livro "Não Discuta a Relação: como melhorar seu relacionamento sem ter que falar sobre isso", dos autores Patricia Love e Steven Stosny.


