Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro

Este é um espaço para expor meus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, desde política até a nova banda que começou a tocar nas rádios. Espero que gostem e que também comecem a despertar seus espíritos para a crítica! Beijos para as mocinhas e abraços para os mocinhos!

Minha foto
Nome: Pedro Augusto

Um Zé que se chama Pedro.

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Obama e McCain - Uma lição de civilidade

Arte encontrada no blog Matheus Sá Motta
Eu nunca vi o mundo tão eufórico como vi nesta última quarta-feira. Me lembrou a queda do muro de Berlim!
Tá certo, não me lembrou porcaria nenhuma. E sim! Eu ri por dentro, cada vez que aparecia alguém para defender a questão racial da eleição americana. E nem vou entrar nos ataques à Sarah Palin, vice do McCain. O próprio Obama driblou o tanto quanto pode tal rotulação. Volto nesse ponto daqui a pouco. Quem acompanhou a cobertura da Rede Globo, em especial o Jornal da Globo, e de vários outros meios de comunicação puderam perceber a seguinte particularidade: TODU MUNDO PASSOU A SER ANALISTA POLÍTICO. Não estou sendo elitista, apesar de gostar um pouco dessa posição, contudo a burrice é a característica mais anti-racial do planeta (ela não escolhe cor, nem bolso para dar as caras), não quero me justificar, portanto, contenham-se. Também não estou chorando as mágoas do benefício que temos na democracia, a liberdade de expressão. Acontece que com relação às eleições do maior Estado democrático do planeta, existem coisas mais bacanas, mais "conteudescas" (olha o neologismo aê!), e até mais relevantes a serem ponderadas, do que as sandices porcas e anti-americanas que vemos por ai. Abaixo tratarei de algumas. Juro que não é um texto muito longo.
Ser anti-americano é como ser comunista na adolescência. É lei! Todos falavam "o socialismo de verdade não foi implementado", era a verdade suprema da idade áurea. Outra verdade suprema é de que os americanos são um império cruel, consumista, em suma, grandes capitalistas fomentadores da pobreza no mundo. Eles jogaram uma bomba atômica, melhor, duas! Eu sei. Condeno isso desde os meus 12 anos de idade, quando filosofei a respeito em uma aula de história. Outra coisa, esse texto não é destinado à santificação dos americanos, então, continuemos.
Falo das bobagens anti-americanas porque elas são erradas, falsas ou desmedidas. Primeiro o capitalismo é o melhor modelo econômico que já existiu. Não há dúvidas. Não é o "céu" na terra, como promete o Comunismo. Funciona, gera renda, saúde, distribui riquezas, melhor do que ninguém. Está em crise? Claro que está. Faz parte. Não é uma volta as estatizações, nem o fim do, NINGUÉM define, neoliberalismo. Analisando de maneira singela, o excesso de confiança, o inadimplemento, a entrada de países emergentes como potências econômicas (China e Índia), até o grande crescimento econômico americano dos anos anteriores (daí o excesso de confiança que, posteriormente, culminou da falta da mesma) contribuem para crise. Farei um apanhado histórico da bomba. Tudo começou quando deram crédito em excesso ao mercado imobiliário americano, e crédito excessivo - e essa é uma opinião pessoal com respaldo na realidade - é sinônimo de superindividamento e inadimplemento. Lembrem-se o crédito não é, digamos, din-din vivo. Nunca se esqueçam disso. Com o grande número de financiamentos não sendo pagos, o mercado se tornou temeroso, vários fundos de investimento estão sendo "garantidos" por tais financiamentos. Tentando simplificar o insimplificável, "não paga pra mim, não pagarei, ou terei dificuldades em pagar, o outro". Não conseguindo pagar suas dívidas, para qualquer cidadão com o mínimo de inteligência, qual a primeira medida? Vender tudo e sumir do mapa? Dar o cano? "Devo e não nego"? Não, não! Reduzir o consumo moçada. E como conseqüência disso aconteceria uma retração na economia americana, e está acontecendo. Outras conseqüências desse temor são: a venda desenfreada de ações e outro títulos mobiliários no mercado financeiro, daí a queda das bolsas; e ainda com esse foco, os investimentos caem, e a galerinha empresarial, ou falirá, ou tentará algum outro meio para isso não acontecer, como a concordata no caso americano (não existe mais esse instituto no Brasil desde 2005, com a Lei 11.101/05, que trata da Recuperação Judicial e da Falência), e até, em casos extremos, irá chorar uma intervenção estatal. Se alguém ai falar algo do tipo "tá vendo, voltemos a ler Marx, o capitalismo acabou", lhe darei aquele chapeuzinho de burro do texto "Para Tudo Melhorar, e te deixarei no canto da sala. O Estado sim deve intervir, afinal o Estado Liberal não funcionou, nem o Social, mas somente em momentos como esses, extremos, de crise. Sua função é regulamentadora. Pagamos tributos e fizemos o tão queridinho "contrato social" para que?
Se alguém ainda duvida da força do capitalismo, dêem uma sacada no dólar. A moeda americana. Por que ele sobe? Não houve um "stop" geral nos investimentos, essa leva foi direcionada para o dólar, que é um investimento mais seguro e não têm uma desvalorização tão volátil como as ações de alguma companhia.
Entendida a crise, voltando dessa viagem astral ao mercado financeiro, hora de concentrar no anti-americanismo do lixão. A questão racial. Ah! Um negro na presidência. Tudo que os americanos não querem, ou repudiaram, negro, nome muçulmano, um representante das minorias categóricas. Ah! Que lindo. Enfim, eles tiveram juízo! Só faltou ele ser gay. Esse é o tipo de discurso que me fazer pensar no suicídio. Obama não é Nelson Mandela! A mãe dele era branca sabiam? O próprio evitou, ao longo de sua campanha, sustentar tal discurso. É uma babaquice tamanha. Um filosófo brasileiro, não lembro o nome, falou ao Jornal da Globo, a seguinte pérola: "agora sim acabou a Guerra Civil americana". Pronto. Explodi minha cabeça, cortei meus pulsos. Primeiro quem ganhou a tal guerra era quem condenava a escravidão. Retomando. Toda a imprensa, de forma bem geral mesmo!, tinha a idéia de que não votar em Barack Obama era uma atitude racista. Essa idéia é implícita, confirmada no dia da vitória por certos comentários e modo de tratar a vitória. "Não vai votar em um negro? Seu branquelo safado, republicano da Ku Klus Kan!". Não é por ai minha gente, o voto foi tratado por muitos como um revanchismo racial, a famosa justiça histórica, se lembram? A mesma que matou judeus na Segunda Guerra, "eles crucificaram Jesus uai!", ou então os terremotos na China, como já abria a boca para explicar a nossa pseudo-pensadora Sharon Stone, "é karma".
Se a sociedade americana ERA tão racista - como alguns defenderam - e HOJE não é mais, por que no cinema (isso Hollywood!) apareceram uns bons presidentes negros? Alguém reclamou disso? Alguém impediu isso? Alguém SEQUER chegou a fazer um raciocínio racial a respeito? Claro que não! Porque não precisamos fazer isso! Uns bons leitores do Pato Donald o monstro capitalista podem ter pensado a respeito, esse time gosta disso. Tem até um filme O Presidente Negro (The Man), lançado em 1972 - eta traduçãozinha porca desse Brasil, estão vendo, ELES eram racistas. Antes desse temos Rufus Jones for President, de 1933, com Sammy Davis Jr. O grande Morgan Freeman papel do presidente Tom Beck em Impacto Profundo, de 1998. Tommy Tiny Lister também foi o presidente Lindberg em O Quinto Elemento (filme bem bacana!). E muitos outros! Na televisão também temos um presidente afro-americano, alguém ai assistiu 24 horas?
Falar em questão racial como um ponto definidor, elevar esse discurso à justiça história é ser mais racistas do que as cotas para negros que temos no Brasil!
Chega disso, passaremos para outro ponto. O messianismo do Osama, ops, Obama. Eu nunca dou atenção para os grandes salvadores da humanidade. Nunca mesmo! Gosto disso só nos quadrinhos, nos filmes, nos romances que leio. Na vida real esse papinho mequetrefe não cola. Entretando, se eu fosse americano, votaria no Barack Obama. "Uai Zé, está se contradizendo-se?". Não estou não, votaria nele porque acredito na alternância do poder, os republicanos ficaram oito anos, hora de mudar (CHANGE!). Não no sentido de reviravolta milagrosa, apenas uma mudança democrática. Voltemos. Salvadores sempre matam mais do que salvam, quando não cagam a merda toda. Exemplos, eu sei que vocês querem exemplos, não é? Getúlio Vargas foi um desses. Naquela época nem sabíamos direito, êta povinho atrasado, o que era a Democracia. O cara era um demagogo de marca maior, leiam o texto "Fudendo, Flertando e Explicando a Democracia - Parte 3", lá poderá ser encontrado um trecho da carta que "ele" escreveu antes de morrer. Jesus era um poeta chinfrim rapaz, perto de Vargas! Ainda no Brasil, temos Lula, o Alibabá da Terra dos Macaquitos. Remexam a memória para o dia da sua posse, não conseguindo fazer isso, entrem no Youtube, lá deve ter. "Atravessando o Atlântico", caímos na Rússia, quantos morreram por lá? Muitos, milhares, milhões! E quem estava lá para salvar os oprimidos e botar o proletariado no poder? Lênin, Stálin, Tróstski. E que tal Cuba? "Fidel, o fumador de charuto", e seu colega do grêmio universitário no curso de Marxismo e Revolução, "Che, el safadon". Esse povo mata mesmo! Ou os cubanos queriam fugir de Cuba no Pan porque lá é o primeiro mundo? Viajei demais, vocês que queriam exemplos pô. Obama é diferente destes por força do óbvio, mas ainda assim discursava como um Messias. Promete milagres, "espalhar a riqueza", como se isso já estivesse acontecido! Como se fizesse isso num passe de mágica. Calma, peço calma e pé na realidade, mais nada.
Outro tópico é a tal vitória massiva do candidato. Esperem um pouco... Ele não foi eleito com 100% dos votos. É o que acreditam os ANALISTAS que opinaram sobre sua vitória para o Jornal da Globo, e para onde quer que eu olhava. No Programa do Jô, joguei uns bons minutos da minha vida fora vendo a entrevista do, SEI LÁ O QUÊ que esse homem faz, Tom Zé. Esbravejando de forma teatral baboseiras diversas, das notas musicais no funk carioca, até demonizando George W. Bush. Queria ver alguém demonizar o Putin! Só por aqui opiniões como essas são relevantes, o auditório do Jô foi ao delírio! E eu cá, sentado na minha cama, pensando "que coisa ridícula". E detalhe, o auditório é composto por estudantes. Estou com uma vontade enorme de falar mal do Tom Zé, mas o que falo serve para qualquer um, inclusive Chico Buarque, com suas ilusões comunistas pró-Cuba. Mais a respeito desse tipo de retórica, leiam outro texto meu "Retórica das Falsas Verdades".
Cansei. Já meti a bordoada, vamos para os elogios, e reparem, acredito que os Estados Unidos são uma das maiores democracias do globo. Prova disso foi o discurso da vitória de Obama, e o da "derrota" de McCain. Invejável! Magnífico! Aquilo que é um país unido, mesmo nas disputas. Um país sem censura. Aonde a imprensa é livre para ter um "lado", isso mesmo, coisa que aqui na América das Bananeiras não é permitido. A campanha americana foi abrangente, não escolheu raça, nem cor, nem categoria! Foi uma vitória do indivíduo, do americano! Das leis e da Constituição! Latinos, Negros, Brancos, Amarelos, Verdes, confiando em uma instituição, essa sim a chave para a civilidade. Uma instituição que se perdura no tempo. Homens morrem, são apagados, as instituições permanecem! Os princípios também. Liberdade e tolerância. Citarei aqui o "derrotado", o "vencido" John McCain, a melhor frase que escutei esse ano (sim eu vi esse discurso), com relação à política. Tal dizer carrega uma virtude máxima da democracia, deixa transparecer o que a de mais civilizado na humanidade, e foi dita sem nenhum rancor, muito pelo contrário. Pedirei a vocês que leiam com os olhos de quem acredita no que chamamos de ser humano.
"Ele era meu adversário, agora é meu presidente".

3 Comments:

Blogger Amanda said...

Bacana, Zé. Concordo com você.
Acho que Obama mereceu ter ganhado pelo senso político, não pela raça. Político é político..independente desse tipo de coisa.

Só vou discordar de um ponto, da imprensa abrangente americana. Claro que o que chega até nós, é "abrasileirado" e não há de ser ter plena consciência de como foi a campanha lá. Embora seja realmente uma das maiores democracias do mundo, a campanha sempre acaba tendendo para um lado duvidoso. Quem vê o Cain dzendo essa frase brilhante, pensa que é o mesmo dos videos da Paris Hilton? E o destaque que isso teve por lá?
Não sei. Ainda tenho dúvidas sobre essa imparcialidade.
Mas não posso deixar de ressaltar que os discursos são impecáveis e os debates, excelentes!

adorei o texto!
beijo zé
:*

12:35 AM  
Blogger Danielle Kimura said...

Concordo com amanda. Política é política.
Não importa como foi a campanha, todos tentam nos convencer que vão fazer milagres, mesmo que não façam porcaria nenhuma, porque existe um sistema. Sim, e pra esse sistema sobreviver, alguém tem que se ferrar. E sempre são os mais fracos. Então que vença o que fizer a melhor propaganda. O que tiver cara de anjinho... Não é essa a imagem que eles tentam nos passar?
Cara, na próxima eleição eu voto em quem for mais gatinho.oi?
Tomara que alguém tenha a idéia de colocar modelos no poder, cara, pensa em Danizinha ligando a tv em plena propaganda eleitoral, dando de cara com um deus grego?!
hum?
Pra mim são todos iguais. Pode dizer que não tenho consciência política e tals, mas eu estou muito discrente mesmo. Mas também prefiro o capitalismo, ninguém merece comunismo, todo mundo pobre. Mais ou menos pra mim é ser pobre.
Pelo menos aqui é possível crescer se você for um cara expertinho.
Ai, eu não tenho saco pra política... =/
Ai ai, esquece tudo que eu falei tá?
beijinhus, adorei o texto!
*-*

3:14 PM  
Blogger Danielle Kimura said...

Tá, mas se ele se eleger eu voto no Bruno Gagliasso! =P
Sério, agora eu fui mesmo ¬¬"

Bjuu~~

3:16 PM  

Postar um comentário

<< Home