Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro

Este é um espaço para expor meus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, desde política até a nova banda que começou a tocar nas rádios. Espero que gostem e que também comecem a despertar seus espíritos para a crítica! Beijos para as mocinhas e abraços para os mocinhos!

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Nome: Pedro Augusto

Um Zé que se chama Pedro.

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

Jack Built, o Louco – Quinto Ato – Violência


- Te procurei por toda parte senhorita... – ela não me deixa terminar, da as costas e continua seu trajeto apressando o passo – Será que podemos conversa, só por um instante, não posso...
Minhas palavras novamente foram silenciadas, um Corolla preto, vidros completamente escuros, impecavelmente limpo, e excessivamente rápido passa por mim, o barulho dos freios brecando soa por toda a lagoa, o veículo para ao lado da pobre garota, ela ainda mais assustada, tenta correr, dois homens descem do carro.
- Nem pensem nisso seus filhos-da-puta! – Me ignoram, agarram a princesa, ela se debate em vão, soltando palavras em francês. Mal compreendo o que fala, mas é o bastante para quebrar a cara desses dois. Ainda estou quente e no meio do treino, vai ser fácil. Corro em direção ao carro, visualizo todas as maneiras possíveis de quebrar o mínimo de ossos possíveis desses covardes. Eles me viram, mas continuam a me ignorar, um deles, grande porte, cabelos grisalhos, indicando uns trinta e nove anos, olhos azulados, mesmos olhos que vejo olhando não para mim, mas para algo atrás! Mal consigo pensar em virar, e sinto uma dor aguda no pescoço. Dói. Dói muito. Tudo se passa em segundos, meu corpo começa a ficar dormente, não consigo correr. Não! Força malditas pernas, força! Não adianta, caio no chão. Junto o que tenho de energia para ver o que me atingiu, vejo uma mulher ruiva, uma arma que acabou de sair de um filme no melhor estilo James Bond, já vi igual... merda!
Então, tudo fica escuro.
Não há motivos para ser assim... – uma voz feminina, parece familiar.
Você arrancou os braços daqueles homens! – uma voz áspera.
Você é o espelho do mundo em que vivemos! – não param de surgir vozes, onde eu estou?
Por quê? – não consigo distingui-las, são muitas, disformes.
Violência, você só transmite violência! Abusa de todos! Não existem heróis nesse mundo! – alguém faça essas vozes irem embora!
Por quê? Por quê tanta violência? Por quê? – não agüento, estão me torturando, eu só quero ajudar, não machuco pessoas boas, estou chorando, não conseguem ao menos escutar meu pranto malditas vozes, quero proteger vocês.
Elas riem, riem alto, debocham de mim. Sou tão inútil assim? Se ao menos eu pudesse ver quem são vocês, está muito escuro, os risos não param, isso me magoa, não consigo parar de chorar. Eu só quero ajudar. Sinto-me tão frágil.
- Ei, você ai... – mais uma voz, essa é diferente das outras, é doce – Acorde, por favor, acorde.
Meus olhos abrem com dificuldade, todo meu corpo se contorce, a luz invade minhas pupilas, fazendo-as contrair, ainda é dia, umas onze da manhã. Mas de qual dia?
- Ainda bem que você acordou. – é ela, minha alteza em perigo, como é linda, está amarrada, não há sinais de estar machucada, parece até calma demais – Você é louco de se meter em meus problemas? Quem é você afinal, como sabia quem eu era?
Grande herói você hein, caído, derrotado, com a vítima de um seqüestro internacional na sua frente, e quem te acorda de seu pesadelo infantil? Quem você deveria salvar. Ainda não sinto minhas pernas, mas algo acaba tirando um sorriso da minha cara... Estou desamarrado. Aquela vaca ruiva confiou demais na sua arminha, ela não sabia que ia encarar um sortudo.
- Ah, e você está chorando de dor? – não acredito, ela está em cativeiro e tira onda comigo.
- É garota – isso, mantém a pose – não é todo dia que se toma um tiro no pescoço. O que eles querem com você? E afinal, onde estão eles? Os dois brutamontes e aquela piranha.
- Não posso explicar para você, pobre homem – seu português é um pouco falho, mas compreendo o pouco caso que faz de minha pessoa – não quero envolver mais ninguém em meus problemas. Eles vão te soltar, em troca darei o que querem e...
- Escuta aqui senhorita, você querendo ou não, será salva!
- Merci, pauvres homme, mas creio que ninguém possa me ajudar.
- Ora, ora, seu príncipe encantado acordou. – um daqueles homens, ele solta a frase zombando de mim e da princesa, sua risada me faz querer quebrar todos seus dentes! – Escuta aqui criança, estamos indo embora, nosso avião já está saindo, esse moribundo ai fica, não consegue nem se levantar, vamos!
Ele a agarra com força, ela não consegue resistir e acaba sendo levada para fora do cômodo. Droga! Não tive a oportunidade nem de analisar o ambiente, tento fazer rapidamente, isso é uma espécie de dispensa, pelo tamanho a casa é grande, não escuto barulho de carros, muito menos movimento de pessoas, logo estou em algum lugar tranqüilo. O que mais, o que mais seu tonto. Rápido! Um avião corta o ar no céu, o som de suas turbinas parecem tão próximo, estou perto de um aeroporto. Se ainda estiver em Lagoa Santa, estou muito próximo do Aeroporto de Confins. Agora é hora de tentar se levan... “Pode deixar, eu apago o garoto, ele acordou muito rápido Natasha, esse tranqüilizante seu era pra ser mais eficiente, agora vamos ter que apagar esse coitado”.Não, ainda não é a hora. Vou quebrar seus dentes grandão, venha acabar comigo.
- Vão na frente, coloquem nosso “prêmio” no carro e eu já encontro vocês. – Só o som da voz desse idiota é irritante, ele fala alto demais, é arrogante, e para minha felicidade, um total asno.
Entra com o rosto virado para fora do cômodo, ou seja, quando gira seu rosto para frente é meu punho que ele vê. Quebro seu nariz, ele começa a cair para trás, agarro o colarinho de sua camisa social, como também sua orelha, lanço-o contra a parece atrás de mim. O maldito é pesado, fiz mais força do que devia, as pernas ainda estão dormentes, merda! Fiquei um pouco zonzo, ao tentar chuta-lo na cabeça acerto seu peito, ele agarra minha perna, e me derruba, isso é jiu-jitsu. Ele sobe em cima de mim, tenta cravar algumas técnicas, em vão, então ele soca meu rosto, o desgraçado é forte! Mas abre a guarda, tenta socar de novo, esquivo, e o soco pega no chão. Agora é minha vez, e lá vai um direto de esquerda no mesmo nariz quebrado, vou moer você garotão! O osso arranha minha mão, mas a dor dele é maior, o faz cambalear, momento exato em que viro o jogo, estou por cima.
- Minha posição favorita, por cima, qual é a sua, hein? – eu estou rindo, gargalhando, o sangue dele suja minha face, ele está com medo, eu também. Estou com medo de matá-lo. Não paro de bater.
Como suspeitava, estou em uma mansão, no condomínio Amendoeiras, constato isso ao chegar ao quintal da “casinha” depois de transpassar vários cômodos, quartos, cozinhas, copas, chegando à garagem. Mais e mais carros, não reconheço a maioria, automóveis nunca foram meu forte. Mas aquele Corolla preto, com aquela ruiva aguardando no banco do passageiro, com aquele cigarro vagabundo na boca. Esse sim eu reconheço.
Ela olha e vê que estou vivo, e o pior sujo de sangue nas mãos. Ah, sim, com um sorriso estampado na cara!
- Vamos, vamos! – ela desespera e manda o comparsa ligar o carro, ele é rápido, da à partida e o carro começa a se movimentar, já estavam prontos para sair, e o fazem de maneira que não os alcanço.
A mansão é grande, pensa seu idiota! O nível da casa, na estrutura da residência, está acima do nível da rua em que estão a caminho, o portão fica no alto da rua, íngrime, um belo morro, ou seja, eles estão subindo e descerão logo em seguida, é simples! Vou correr reto em direção a cerca, não é muito alta, espero que seja ao menos o bastante para eu intercepta-los.
Corro, não sinto por completo minhas pernas, mas tenho que continuar, está melhorando. Cruzo todo o quintal, pulo alguns arbustos que provavelmente devem ter algum nome, pra mim, sempre será um arbusto. Pisoteio umas flores, espinhos e mais espinhos, são como mulheres, as flores, belas mas cheias de espinhos. Sinto-me um maratonista, o terreno é grande, eles já passaram pelo portão, estão descendo a rua. Aumento o ritmo, meu coração aumenta as batidas, tento regula-las com a respiração. A minha frente está a cerca, de ferro, adornos bem trabalhados, detalhes imperceptíveis a não ser que esteja em cima dela, como eu, neste instante em que saltei, pego impulso na barra de ferro que parece ser feita para isso. Pulei do chão para cerca, da cerca para o ar! Do ar para o teto do carro!
- Arg! Caralho! – essa doeu, tento me segurar como posso em cima do Corolla.
Surpreendi os babacas, escuto seus bravejos dentro do carro, eles amaldiçoam até meu último antepassado. Por sorte eles não podem exceder certa velocidade dentro do condomínio, ou quebrariam seus amortecedores nos quebra-molas. Mas não é nada fácil se segurar no teto de um carro! Do lado de fora. Eles só não podem...
- Oh merda! – é tudo que grito antes de ser lançado para frente, por uma das maiores inimigas que conheço, a maldita inércia! Frearam a porra do carro!
O atrito do asfalto na minha pele arde, cada vez que quico no chão. Quase desloco meu ombro, isso vai doer amanhã, mas só amanhã. Fico de pé, o vento traz uma refrescância à pele ferida. E lá estão eles, a ruivinha e seu comparsa que não chamou minha atenção, mas reparo no seu cabelo ridículo, vou chamá-lo de Elvis. O veículo está parado, os dois olham para mim e se sentem bem, seguros, eu sei, afinal, imagine uma cena de filmes de bang bang aonde dois cowboys estão prontos para duelar, um deles é Clint Eastwood e está com uma bazuca na mão, do outro lado está o Harry Potter sem sua varinha. O Corolla levanta fumaça no momento em que seus pneus cantam uma melodia incrível, a velocidade aumenta a cada instante, o que farei? Correr, isso! Fugir? Não mesmo! Corro em direção a morte certa, corro em direção a aquele touro automotivo que me esmagará, meus músculos se esbanjam em adrenalina, é tudo muito gostoso, chegar perto da morte, é excitante! Próximo ao choque, eu me lanço no ar, estico minhas pernas, e apenas aguardo o momento em que partirei o vidro do veículo, junto com o externo do motorista!
- Eu sou Eastwood seu cuzão! – é tudo que esbravejo.
E assim acontece, o vidro se espalha em migalhas, cortando minhas pernas, nada fatal, abençoado seja quem projetou esse espécie de material que não se estilhaça como os vidros convencionais. O verdadeiro problema são os ossos, não quebraram, mas chegaram bem perto disso. Meus pés afundaram no peito do Elvis, ele apagou no mesmo instante, rezo para não ter matado o filho da mãe.
Não se empolgue tanto seu burro! A ruiva ainda está acordada, e puta, muito puta quando pega a arma e mira em minha direção, pudera eu desviar de balas, como não posso, deixo Elvis, o motorista irresponsável que dorme ao volante, perder o controle do carro. Em alta velocidade o automóvel invade a o passeio e vai de encontro a uma modesta lagoa. Não há tempo nem de fechar os olhos, ela atira, mas erra, no momento em que a frente do Corolla atinge a água. E lá mais uma vez a inércia me lança como um brinquedo, acabo me cortando ainda mais com os cacos que restam.
Recupero o fôlego, me levanto e vejo que metade do carro esta sob a água, não penso em mais nada a não ser retirar Magdalena de lá.
- Você está bem? – pergunto ao retirá-la do banco de trás.
- Isso é loucura! Eles te matarão!
- Já tentaram e não conseguiram, jogaram um carro em mim o que mais podem fazer? Vamos logo, antes que os vigias cheguem, polícia só irá tornar tudo mais complicado, vamos! – os olhos dela se voltam para algo atrás de mim, eu sobrevivo a um atropelamento, mas não tenho o cuidado de verificar se dei cabo de todos, e me deparo novamente com minha burrice.
- Eu não sei quem você é garoto, mas você chafurda numa merda bastante fedida pra você. – a voz vem das minhas costas, mesmas costas que sentem o metal frio de uma arma. – Você ta morto! E agora é pra valer.
- Sua burra, se não reparou, sua arma está molhada. – tenho que tentar, é um blefe.
- Aqui, você pensa que eu sou o que? – ganhei tempo, toda mulher gosta de falar.
- Uma puta de uma vadia, que vai ganhar um soco nessa linda carinha. – eu e minha boca.
- Seu... – não dou tempo para ela terminar a frase, afasto meu corpo para esquerda, e dou uma cotovelada na parte direita de seu rostinho, ela puxa o gatilho, o tiro acerta de raspão.
Ela cai, eu não.
Guardas do condomínio se aproximam, vindos de todos os cantos.
- Vamos princesa, agora!
- Pra onde? – ela pergunta enquanto eu a desamarro.
- Qualquer lugar, longe daqui.
- Mas...
- Agora! Você ainda tem muito o que explicar.
Continua...