Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro

Este é um espaço para expor meus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, desde política até a nova banda que começou a tocar nas rádios. Espero que gostem e que também comecem a despertar seus espíritos para a crítica! Beijos para as mocinhas e abraços para os mocinhos!

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Nome: Pedro Augusto

Um Zé que se chama Pedro.

Segunda-feira, Abril 28, 2008

Fudendo, Explicando e Flertando com a Democracia (Parte 2)



À hora é agora! O que é Democracia? Alguém sabe, faz idéia, já ouviu falar, escutou o Obi Wan gritando ao derrotar Anakim? Bom, primeiro devo avisar que o que escreverei agora é algo bem “resumidasso”, um estudo condensado a respeito do conceito de Democracia. Utilizando o clichê dos clichês, “não pretendo esgotar todas as discussões a respeito do tema”, mas sim propiciar um entendimento acertado a respeito da ban ban ban das formas de governo.
Podemos dividir a Democracia em três tradições históricas, é meu caro esse assunto é mais velho do que parece. Essas três teorias são: a clássica, a medieval e a moderna. A clássica, lá da época em que ser gay era legal, Helena fugia e coisa e tal, também quando as mulheres fugiram pra tal ilha, só elas, deu pra imaginar? Foram constatadas três formas de governo, uma a nossa queridinha Democracia, como governo do povo (povo no sentido de cidadãos, os que gozavam – no bom sentido – de direitos de cidadania), a Monarquia, entendido como o governo de um só, e a Aristocracia, sendo este o governo de poucos. Dando um saltinho (em homenagem a Aquiles), temos a Tradição Medieval, apoiada na soberania popular, ou seja, o poder do Príncipe se transferiria para os inferiores, ou o poder derivava do povão transformando o Príncipe seu representante. E por fim, a Medieval, defendida pelo grande Maquiavel, que colocava a Democracia como uma espécie de República (do latim res publica, “coisa pública”).
Essas Tradições estão ai e pronto? “Zé fini”? Não. Foram séculos e mais séculos de discussões, problemas, abstrações, bastante “encheção de saco”.
Quando Platão, Aristóteles e cia, filosofavam a respeito do tema, entendendo Democracia como um governo popular, pressupunha uma isonomia dos cidadãos, uma igualdade entre eles. Podendo também ser perigosa sua adoção, quando esses tais cidadãos se configurassem em uma “multidão de incapazes”, eufemismo para um bando de “mulas” governando. Megabizo questiona isso ao discutir a respeito de qual governo adotar na Pérsia (mudei sua vida agora). Entendia-se também como a forma pura de Democracia o “governo da maioria”. Tendo sua forma corrupta quando se caracterizava o “governo da vantagem para o pobre”, e quaisquer que sejam os direitos políticos, não importaria o que a lei demandasse, a massa é soberana e não a lei. Essa forma pervertida permitiria a dominação dos Demagogos sobre o povo, estando assim a “cagada” feita (não entrarei no mérito brasileiro e Lulístico por agora, isso será tratado na parte 3).
Quod principi plaucuit, legis habet vigorem. Ulpiano, um filósofo famoso, mas nem tanto, aquele definiu justiça como “dar a cada um, o que é seu”, lembrou? Não né? Continuando, ao dizer que “O Príncipe tem autoridade por que o povo lhe deu”, enquadrando-se na concepção medieval, quis dizer que o povo cria o direito não somente através do voto, dando vida às leis (como atualmente é feito), mas também rebus ipris et factis, dando vida aos costumes (assim falou Juliano, um filósofo ai).
Marsílio de Pádua ao defender a existência de dois poderes fundamentais colocava o Legislativo, na figura do povo, como o poder principal, sendo o outro secundário, o Executivo, ou seja, outros poderes delegados pelo povo.
A “galerinha” das teorias contratuais (Locke, Hobbes, Rousseau), estão estreitamente ligados as Teorias da Soberania Popular, uma vez que, “o populus concebido como universatis civium é ele mesmo, na sua origem, o produto de um acordo (pactum societatis)”. Em outras palavras, o povo (instituição, governo) transmitiria o poder (na forma de um contrato, pacto) a um terceiro.
Assim disse Maquiavel, “todos os Estados, todos os domínios que tiveram e têm império sobre os homens, foram e são Repúblicas ou Principados”. Na Tradição Republicana Moderna, a diferença entre República e Principado, consiste na disposição do governo, enquanto em uma o governo é distribuído variadamente por diversos órgãos colegiados, em outra é concentrado na mão de um só. Portanto, podemos concluir acertadamente que a Democracia Moderna é toda a forma de governo oposta a toda forma de despotismo.
Trazendo o conceito democrático para épocas mais contemporâneas, analisarei agora tal conceito em face do Liberalismo e do Socialismo, baseando na Democracia representativa.
A concepção liberal é auferida no mero fato da participação, como acontece na concepção pura vista acima, com a ressalva que a participação deve ser necessariamente livre, isto é, que seja uma expressão e um resultado de todas as outras liberdades (exprimir opinião, reunir-se, associar-se, eleger representante, coçar o saco em público, arrotar, e por ai vai).
Todo o desenvolvimento da Democracia nos regimes representativos, teve como alicerces o direito de voto (sufrágio universal – em outras palavras, “mocinhos e mocinhas, mamãe e papai, vovô e vovó”, podem votar), na concepção liberal este é o ponto de chegada de tal regime, e a multiplicação dos órgãos representativos.
Tendo em vista agora o Socialismo (Marx e Engel), a Democracia é um elemento integrante (reforço da base popular para o Estado) e necessário (propicia profundas mudanças na sociedade), mas não constitutivo, uma vez que o Socialismo têm como essência a idéia de revolução na área econômica, não apenas política.
A uma diferença importante entre as concepções Liberal e Socialista, o sufrágio universal na primeira é o ponto de chegada, já nessa concepção marxista o direito universal ao voto é o ponto de partida.
Não há no que se falar em Democracia representativa para os socialistas. Os “camaradas” defendem uma participação direta, como também o controle do poder de órgãos políticos, econômicos, sociedade civil e política, indústria e forma de funcionamento, a cor que você deve usar, o comprimento dos bigodes e barbas, enfim, a passagem do auto-governo para a auto-gestão. O chamado “auto-governo dos produtores”, não há órgão parlamentar, não há diferença “executivo-legislativo”, há um órgão de trabalho, exercendo ambos os papéis.
NOTA DO ZÉ E DA HISTÓRIA: No socialismo não há proibição de mandato autoritário.
Como nem tudo são flores, há também uma crítica importante a se fazer à nossa queridinha. A soberania popular é um “ideal-limite”, ou seja, nunca corresponderá a uma realidade de fato, qualquer regime político, qualquer “fórmula política” sempre será uma minoria de pessoas, “classe política”, que deterá o poder efetivo. Encontramos quem aqui? A elite, configurando uma oligarquia. Essa é uma chaga que, pessoalmente, pode ser minimizada com a gradual instrução da população em geral.
A quem ainda defina Democracia como uma forma de regime em que a contenda pela conquista do poder é resolvida em favor de quem obter, numa disputa livre, o maior número de votos (Joseph Schumpeter, mais um figura ai).
Botando um fim nesse enfadonho estudo, podemos chegar à conclusão, ao conceito final, atual, “bonitinho”, de fácil compreensão, do que seja democrático! Democracia “é um método ou um conjunto de regras de procedimentos para a constituição de governo e para formação de decisões políticas”. E tendo como base uma renovação periódica (4 em 4 anos por exemplo), fundada na confiança, no âmbito de regras preestabelecidas (nossa Constituição como outro exemplo), negando dotes carismáticos ou tomadas violentas do poder (ai já não encontro nenhum exemplo). E ainda mais! Esse conceito é compatível com várias ideologias (como também opções sexuais, musicais, teatrais)!
Toda essa construção em prol de uma sociedade melhor e mais organizada, abarcando diferenças, tentando minimizar a desigualdade presente em nosso mundo, chama ideal democrático. Que visa à solução pacífica de conflitos sociais, a eliminação da violência institucional, o revezamento da classe política (abaixo os políticos por profissão! Lula, Genesco, e muitos mais vão CENSURADO) e por fim, a tolerância.
Sabendo o que é Democracia, seu ideal, suas peculiaridades, tendo em vista que nossa Constituição acolhe o Estado Democrático de Direito em seu preâmbulo e no art. 1° (mais informações específicas sobre esta forma de Estado ler o texto O Ano e O Novo neste blog). Você leitor, amigo, brasileiro, em seu íntimo, vive em um Estado Democrático?

Continua...

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Jack Built, o Louco - Sexto Ato: Conversas

Ela acorda.
- Onde eu estou? O que aconteceu? – está assustada.
- Desculpe mocinha, mas você atrapalharia a fuga. Tive que te deixar inconsciente. – o velho golpe no nervo, ela ficará bem.
- Ah, mas da próxima vez me avise. – que bom que ela é compreensiva, achei que iria gritar e esbravejar feito uma louca. Deixo escapar um pequeno sorriso, lá se foi minha pose de misterioso.
- Você está bem Magdalena? É esse seu nome certo?
- Estou sim. – ela também sorri, nem parece que acabamos de enfrentar um bando de seqüestradores – A questão agora é se você está bem senhor super-herói. – segurando minha mão ela me puxa para perto, e leva suas mãos até meus ferimentos na cocha, não deixo de ficar envergonhado, a sensação é boa, alguém se preocupando comigo sempre me deixa mais seguro.
- Já tive ferimentos piores, não esquenta. – nem parece que a conheci ontem, me sinto tão a vontade, não consigo parar de sorrir também. – Esses são somente machucadinhos leves. – vai se gabando Augusto.
- Afinal onde eu estou? – com um ar curioso seus olhos percorrem todo meu “esconderijo”, nunca encontrei um nome melhor, pensei em “Jack-caverna”, “Fortaleza do Jack”, “Mansão J”, se não fosse um bunker embaixo do lote vago do lado da minha casa acho que eu faria mais sucesso, mas que isso foi caro foi.
- Aqui é como se fosse um QG. Minha base secreta. Chame do que quiser.
- Incrível! Nunca imaginei que você tivesse uma! – seus olhos se arregalam, como uma criança ela olha admirada todo o compartimento.
- Você sabia da minha existência? Como assim? – tenho me perguntado isso a manhã toda, ela age como se me conhecesse.
- Vou ser sincera, sou sua fã. – essa é boa, não esperava isso.
- Não da pra acreditar nisso, eu nunca cheguei a ir a seu país. – passei perto, mas mal ouvi falar dele.
- Faz cinco anos que você está em várias capas de jornais ao redor do mundo. A primeira vez que ouvi falar de você “Senhor Super-herói”, foi no Japão. Em algo tipo de uns duelos de espada dentro da Yakuza. Depois na China, quando um navio afundou. No Iraque, depois de um ano, quando você salvou um grupo da Cruz-Vermelha com ajuda do exército americano. – meu Deus, nunca imaginaria que uma princesa seria minha, como ela falou mesmo? Fã. – Ah, por que você queimou a bandeira americana depois? Você é anti-americano? Por que então os ajudou? Depois na Itália, quando resgatou aquelas crianças, como fez comigo hoje! – isso me rendeu esse estabelecimento, adoro pessoas gratas. – E em Nova York... Espere um instante... A polícia tinha pegado um brasileiro, acusado de várias condutas criminosas e de ser Jack Built, mas ele foi inocentado depois, conseguiu um álibi. Como você fez aquilo? Era você mesmo! No México... - lá se foi minha identidade secreta, já entendi que ela gosta de heróis.
O telefone começa a tocar.
- Alô... – atendo rapidamente. – Uhum... Ta bom... Ok... Já vou... Ta bem, já entendi... Tchau.
- Mais um resgate? – seus olhos transbordam curiosidade, seu sorriso é tão pequeno quanto o rio Amazonas.
- Não, minha mãe. – por isso eu tenho poucos fãs, eu decepciono todos.
- O que? – ela faz uma cara engraçada, mais de dúvida do que de decepção. Fico aliviado, ter fãs não é tão ruim.
- Esse telefone aqui eu só passo para pessoas de confiança sabe, e a Telemar nem sabe da existência dele, é um número confuso. Passei somente para minha mãe. – ela ia soltar outra pergunta, não deixo – Não ela não sabe que seu filhinho veste uma máscara e sai por ai pegando carinhas maus. – ela ia tentar outra. – Tenho que ir agora. Pode ficar a vontade, quer dizer, está vendo aquele armário de ferro a sua direita?
- Ahan.
- Não mexa nele, ali estão às armas.
- Sim senhor. – seu olhar é de uma criança sapeca prestes a fazer o contrário do que eu falei.
- Lá no fundo, não mexa também. Guardo meus uniformes lá. Não bagunce nada. – ela faz que sim com a cabeça.
- E aqueles dois computadores no canto, pode usar a internet despreocupada, é a satélite. – e um satélite que não da mesmo para ser captado.
- Tem uma geladeira com comida logo ali, um microondas, banheiro. – e ela só concorda, está atenta.
- Você está sentada em cima de uma maca, embaixo dela tenho remédios, pomadas, kit primeiro socorros... - ela me interrompe colocando o dedo indicador em meus lábios, um frio percorre minha barriga.
- Não sou nenhuma criança, se você vai me deixar trancada aqui até voltar, é só falar. – seu tom é sério agora. – E vai logo, à noite você tem que me levar de volta pra casa.
- Na Europa?
- Não bobinho, estou em Belo Horizonte, você vai me levar lá. Tenho um avião às 23:00 de volta pra casa.
- Esperai então o que você estava fazendo aqui? Em Lagoa santa?
- Te explico depois, agora vai! Sua mãe está esperando. – vergonha, tudo que sinto. Essa garota sabe como me desarmar.
Horas depois...
- Voltei princesa. – ela adormeceu na maca, deve estar cansada mesmo.
Ando pelo compartimento sem fazer barulho, não quero que ela acorde. Deve ser horrível ser caçada por maníacos por dinheiro. Acho que estou sendo rude ao questioná-la tanto, ela pode estar aqui somente fugindo. A explosão foi uma fatalidade, os moleques não tinham como saber que a bolsa era uma bomba, os ‘terroristas” não levaram em conta que a violência aqui no Brasil não escolhe vítimas.
Coloco meu uniforme, preparo as armas, duas adagas na batata da perna, uma com um formato ondulado, a outra com garras saído da lâmina, não são muito eficientes mas o visual é ótimo. Um outra adaga, uma lâmina grande outra pequena saindo dessa grande, com um orifício após o cabo que me permite maneja-la com facilidade. Essa fica na coxa, na parte exterior da perna direita. Não, katanas só vão atrapalhas hoje, são grandes e muito perigosas. Essa é perfeita, um outro tipo de adaga, lâminas grossas com um “U”, mas com uma das pontas entortada para fora. Guardo do mesmo modo que a anterior, só que na coxa esquerda. Nas costas, similares a uma foice, duas armas iguais, ligadas a uma corrente de aproximadamente dois metros, corrente guardada no cabo de uma das foices. A vantagem dessa arma é discutível, mas eu adoro usa-la. O exoesqueleto com o arpão não usarei hoje, diminui minha agilidade no braço direito, apesar de ser útil para subir em prédios.
- Boa noite Senhor Super-herói. – ela acordou, a quanto tempo?
- Boa noite donzela em perigo.
- Você fica sexy de uniforme sabia.
- Você tem fetiche de homens de uniforme?
- Bobo. – ela solta uma pequena gargalhada, eu também sorriu embaixo da máscara.
- Não há a necessidade de se armar tanto, você só me levará até onde estou ficando. Os caras de hoje de manhã devem ter sido presos.
- Até que foram, mas antes alguns tiveram que ir para o hospital. E lá aquela ruiva, conseguiu fugir.
- O que? – o medo toma conta de seu rosto.
- Ela é tão mal assim?
- Ela é minha prima, resumindo, seu pai era chefe da segurança da minha família, ex-KGB, super bem treinado e tudo que um currículo de agente secreto mandar. Ele treinou a pequena Natasha para substituílo. Só que...
- Já entendi, a cachorra é uma puta de uma gananciosa e quer a bufunfa toda que a família tem.
- Isso.
- É tudo que eu preciso saber, da próxima vez eu acabo com a biscate. Agora vamos, já são oito horas, e não quero ter que correr para você chegar no horário. Qual o nome do lugar que você está... Morando? Sei lá.
- É um condomínio, chama Alphaville. – chega de condomínios por hoje, ai, ai.
- Então vamos. – caminho para a ala esquerda da sala, puxo um plástico branco, deixando aparecer minha Valkynie Rune, uma senhora motocicleta, um “boizão” negro e cromado.
- Bonita a moto.
- Vamos, suba. Aqui o capacete.
Aperto um botão vermelho na parece, um pequeno elevador nos leva até a superfície. Ela segura meu abdômen. Como eu queria ter conhecido essa princesa, sem toda essa confusão.
Dou a partida e conduzo em direção a estrada.

Continua...

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Ato Especial: Jack Built, o Louco - Epidemia


Ultimamente tem algo me chamando mais atenção do que esses malditos bandidos de esquina. Até mais do que os filhas da puta que traficam droga por ai. Não me sai da cabeça esse maldito surto de dengue. Dengue, termo derivado da frase swahili "ki dengu pepo", que descreve os ataques causados por maus espíritos e, que era usado para descrever enfermidade que acometeu ingleses durante epidemia, que afetou as Índias Ocidentais Espanholas no início do século. Essa infermidade é endêmica, e tem estado muito presente nos dias de hoje no Brasil, e isso me preocupa. Principalmente em sua forma hemorragica.
Essa merda não é nada recente, entre os anos 1995 e início de 2001, foram notificados à Organização Panamericana da Saúde - OPAS, por 44 países das Américas, 2.471.505 casos de dengue, dentre eles, 48.154 da forma hemorrágica e 563 óbitos. O Brasil, o México, a Colômbia, a Venezuela, a Nicarágua e Honduras apresentaram número elevado de notificações, com pequena variação ao longo do período, seguidos por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Panamá, Porto Rico, Guiana, Francesa, Suriname, Jamaica e Trinidad & Tobago. Fora casos de epidemias no, acreditem, no século passado! Lembro muito bem quando sai do país em 2001, chovendo propagandas para notificar a população, carros borrifando uma espécie de remédio. E foi somente no sudeste asiático que voltei a ter contato com essa doença, nos meados de 2002, países pobres sem saneamento básico, que contavam com a boa sorte e o destino para se tratarem. Volto para o Brasil, e se passa um ano e encontro esse estado de quase calamidade no Rio de Janeiro. O que foi feito no intervalo de 2001 para 2008? Esse tipo de doença era pra ter sido erradicada! E isso me deixa puto!
E adivinhem? Sabe quem transmite essa porra? A fêmea do Aedes aegypti (do latim Templo Egípcio, você aprende muito quando sai pelo mundo), o macho bundão se alimenta apenas de seiva de plantas. Um único merdinha desses em toda a sua vida (45 dias em média) pode contaminar até 300 pessoas. Tem ainda a tal da febre amarela. Meu Deus.
É importante ficar atento aos sintomas, que por conveniência do destino podem ser confundidos com um milhão e meio de doenças, a tradicional febre alta (normalmente entre 38° e 40º C) de ínicio abrupto, mal-estar, pouco apetite, dores de cabeça, musculares e nos olhos. No caso da maldita hemorrágica, após a febre baixar pode provocar sangramentos nas gengivas e nariz, hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada, com danos e enfartes em vários orgãos, que são potencialmente mortais. Ocorre freqüentemente também hepatite e por vezes choque mortal devido às hemorragias abundantes para cavidades internas do corpo. Há ainda manchas vermelhas na pele, e dores agudas das costas (origem do nome, doença “quebra-ossos”). Isso parece a porra do fim do mundo! Isso no Brasil, no séc. XXI! Porra! Na África a única diferença é que lá além dessas famigeradas doenças, temos uma meia dúzia de guerrilheiro, umas centenas de guerras civis. É... aqui não é tão diferente assim.
O que anda acontecendo me mete medo, é algo que não posso simplesmente cravar a espada, não posso somente espacar os responsáveis. Corri o globo inteiro, tentano me transformar em alguem para deixar tudo mais seguro e não posso lutar contra um mosquito! Arg! Por que o Estado é tão omisso? Será que é mais importante desviar verbas. Essas propagandinhas idiotas não levam a nada. A população ainda esta inerte, não há como lutar sozinho contra isso. Chega um ponto que é a prioridade é o empurra-empurra na competência de quem irá resolver o problema. População ou Estado? Pra mim, ambos se merecem.
Já sei o que posso fazer. Vou fazer uma visitinha para o Prefeito, para o Secretário de Saúde e Meio Ambiente, esta noite. Vou ligar para a Zoonose, esses preguiçosos têm que fazer alguma coisa. Hum, também preciso comprar uns "bat" repelentes. Retirar todos os focos possíveis da região onde moro. E se não der certo, alguém vai ser responsabilizado, e que Deus tenha piedade dele, por que dengue vai ser a menor coisa a se preocupar!
- Ei mãozim! - surge na porta minha irmãnzinha - Vim aqui te da um beijo de boa noite.
- Oh monstrinho que eu amo, pode ir dormindo, que eu vou te dar um beijo hoje.
- Tá! - ela sai correndo em direção a seu quarto, posso ouvir seus passos apressados. Quanta energia ela tem, minha principal preocupação é com sua saúde, se algo acontecer a ela eu não sei o que farei.
É hora de deixar esse pessimismo de lado, ando muito frustrado. Acho que sair ir para o exterior, conhecer o que conheci, do Japão às américas, ficar anos fora, voltar e ver que nada mudou de significativo. Ou pior, ver a criminalidade tomando conta e doenças como a dengue se proliferando, isso me deixa um tanto quanto desiludido.
Caminho até o quarto de minha irmã, pra dar-lhe o beijo de boa noite, ela não vive sem.
Ao entrar no quarto, seu abajur do The Flash, com aquelas luzes que incidem sobre ela, e em parte sobre as paredes do quarto, tudo em forma de pequenos trovões. Que bom que ela gosta de super-heróis. O que é esse zumbido? Não! Vejo um pequeno ponto preto sobrevoando seu cobertor, vai em direção ao abajur e parece se preparar para ir até o rostinho macio e rosado. Imediatamente, como um reflexo, dou dois passos rápidos, e chuto com toda a força o mosquito, o abajur, a parece e um pedaço da cama. O barulho é tremendo, as tranqueras sobre a escrivaninha caem. Duda acorda assustada, meus pais também. O que importa, o mosquito está morto, e ela esta salva.

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Fudendo, Explicando e Flertando Com a Democracia (parte 1)


Convido vocês estimados leitores para uma viagem psicológica, uma abstração metafísica, fujam comigo por um momento de nossa realidade e tentem se situar em um momento, histórico-político, diferente do atual, ou seja, “imagina só”, “o que aconteceria se”.
Então, fechem os olhos, não melhor não (razões óbvias e uma piadinha infame). Tentem se encaixar em uma época aparentemente tranqüila, em sua cidade, todos estão aparentemente felizes, a cidade está aparentemente segura, com as forças armadas policiais em cada esquina. E você não consegue entender como, bem de vez em quando, sai um boato de algum estudante agitador foi preso por “atentar contra a segurança nacional”. Os intelectuais são quase inexistentes em sua cidade. Há uma “moral padronizada”, para respeitar os “bons costumes”, a família e a ordem pública. Então em um dia normal, como todos os outros (normal certo?), seu caminho para escola foi rotineiro, seus estudos a respeito dos “valores nacionais para o bem de todos”, foi exemplar, a comida da cantina estava medíocre como sempre. Quando, em questão de segundos, senta-se a mesa um de seus colegas de classe, o companheiro com um ar um tanto quanto desacreditado, necessitando de um apoio, começa a chorar suas mágoas, contando a história do pai que foi seqüestrado durante a noite por uns homens misteriosos. Você intrigado, vai para casa, e começa a se questionar o que o pobre homem teria feito, quem ele teria ofendido. Indignado, você busca auxiliar seu companheiro, mas simplesmente apoiando-o, indo periodicamente a sua casa, afinal esse é seu papel como amigo. Durante semanas, essa visita fez parte da sua rotina, até criava certo prazer em você ir à casa do atormentado garoto, lá tinha livros que não se encontravam na biblioteca da Escola, revistas vindas de outros países, movido pela curiosidade você lia um ou dois textos, artigos, quando fazia tal visita. Mas No dia seguinte, saindo de casa, sua mãe fala “filho vieram uns homens aqui te procurando”, você questiona, mas não obtêm a resposta que desejava. Não dando muita importância, seguindo seu caminho até a casa de seu colega, um carro em baixa velocidade o está acompanhando, olhando pra ele você sente formigar sua nuca, o carro para e saem quatro homens engravatados, uma exatamente igual ao outro. Eles perguntam seu nome, você confirma, perguntam se esta indo à casa de fulano de tal, sua cabeça faz um “sim”, então eles pedem para acompanhá-los, sua boca solta um “por quê?”, a resposta é “em prol da segurança nacional, temos que fazer umas perguntas”, sua indagação foi “podem fazer aqui mesmo, por que tenho que acompanha-los?”, adivinhe o que aconteceu com você? Isso! Você foi levado. Entrando em uma sala, um escritório convencional, está sentando a sua frente um oficial do governo, atrás dele as bandeiras de sua cidade, e atrás de você outros dois oficiais. Ele pergunta como está se sentindo, com um leve sorriso naquela cara que parece sorrir cada vez que faz essa pergunta. No decorrer das horas são feitas várias perguntas, umas triviais como “o que você gosta de comer?”, outras nem tanto como “o que anda lendo?”, são muitas e muitas perguntas, não há padrão nelas, há somente aquela sensação de que a sua vida toda alguém estava ali, vigiando cada passo que você dava. Mencionam sua mãe, seu pai, um pequeno flerte que você teve com a colega de sala atrás do vestiário feminino, cita a importância de cada pessoa para o fortalecimento do Estado, honra o nome de autoridades, e tudo isso durante aproximadamente mil horas que você percebeu pela ausência de luz do ambiente. O sono está te dominando a uns bons 240 minutos, mas não é permitido dormir, há um revezamento dos oficias durante as perguntas. Será que sua mãe estará preocupada? Seu pai envergonhado? Quando souber que você fora tratado como um criminoso. Não há noção de tempo mais, só a vontade desesperadora de dormir, ir pra casa, e deitar-se. Seu pescoço cai, você pesca, eles lhe dão água, só água. E a bateria de perguntas não para. As respostas estão saindo inconscientemente. Quando eles questionam o motivo de você estar visitando você sabe quem, você fala a verdade, não há mais força para reflexão, é “pá pum”, a cada questionamento é uma verdade tão limpa e inocente. Ao final da entrevista, eles agradecem o seu auxílio em uma importante investigação, algo como “ameaça internacional contra” (adivinhem) “segurança nacional”. Você vai para casa e dorme. Dorme. Só que o que não foi dito é que, o pai de seu amigo era um jornalista que mandava informações, notícias, relatos de todas as atrocidades que a República, o Estado de onde você é parte, fazia contra quem era desfavorável ao governo. Havia somente uma suspeita do envolvimento dele nisso tudo, mas você contou o que viu em sua residência, enquanto seu amigo mostrava os trabalhos de seu pai. No dia seguinte, o homem foi torturado, revelando os meios como a notícia transpassava os muros da cidade, tentou ao máximo resistir para não denunciar seus “comparsas” nesse crime de informação, mas morreu. Com a cabeça em um barril cheio de água e dois fios desencapados nos testículos. E você? Dormiu por muitas e muitas horas.
Triste não? Isso não é tão incomum quanto parece, esse tipo de crueldade é típico de regimes Totalitários, regidos por déspotas, militares, as prostitutas ditaduras. Implantadas sempre que há uma fraqueza social ou quando a própria sociedade demanda por medidas extremas. Alguns exemplos para vocês se deliciarem: Venezuela (e olha que lá tem Constituição), a antiga União Soviética (Será? Antiga?), Cuba (viva Fidel! Che!), milhares pequenos estados asiáticos, Myanmar, Brasil (como todos sabem). Não há nada que justifique tais atos baseados no medo e no terror, e na minha mais íntima opinião eu prezo tanto pela Democracia, que arrisco a falar que morreria por ela. Será? Por acaso, você sabe o que é Democracia? A grande salvadora de pobres almas que prezam pela liberdade. O atual Estado Democrático de Direito brasileiro, algum sentido isso faz?

Continua...