Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro

Este é um espaço para expor meus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, desde política até a nova banda que começou a tocar nas rádios. Espero que gostem e que também comecem a despertar seus espíritos para a crítica! Beijos para as mocinhas e abraços para os mocinhos!

Minha foto
Nome: Pedro Augusto

Um Zé que se chama Pedro.

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Jack Built, o Louco – Oitava Ato: O Bailar das Armas (parte 2)


Descem do Audi, junto com Natasha três homens. Um com uma blusa social azul clara, com uns detalhes de masculidade duvidosa, um cabelo arrepiado, e forte! A camisa parece desconfortável com tanto músculo. O outro, moreno, cabelo raspado, também com uma blusa social preta, só que com mangas três quartos, uma calça cinza, o filha da mãe tem classe, não gostou de sujar o sapato na terra. E por último um cara menor, também com cabeça raspada, uma blusa regata e tatuagens no corpo, aquela clássica no ombro com aspecto de manga de camisa, e deve ter uma com o nome da mamãe na bunda também. E forte também. No nipe pit boy, provavelmente eles lutam jiu-jitsu, o de camisa azul e o menorzinho. É esse negão que me preocupa. Diversão garantida. Mas minhas pernas não estão na sua melhor forma, não é todo dia que chuto um carro em movimento, sem contar os cacos de vidro que cortaram minhas coxas.
- Hoje você não me escapa seu maldito! – grita a ruiva nervosinha.
- É esse ai que é o famoso Jack Built! – o pequeno de camisa regata ri. – Pensei que ele fosse maior. Com poderes e essas coisas que se vê na televisão.
- Não acredito que você foi enrolada o dia inteiro por um louco em uma fantasia! – o fortão de camisa azul também zomba da minha figura.
- Vocês são pagos para bater, e não para questionar suas mulas! – realmente Natasha está nervosa. – Não quero que usem as armas. Quero que todos os ossos do corpo desse maníaco sejam quebrados!
- Pode deixa chefia! – confirmam os dois asnos. Dois acéfalos de cento e vinte quilos.
- Aqui Natasha, manda todos virem de uma vez que eu to com pressa! – não vou usar minhas armas também, quem sabe assim isso possa ter alguma diversão. Vai ser mais fácil encará-los ao mesmo tempo.
O menor deles, naquele tipo de brigão de festas, é o primeiro a tomar a iniciativa. Vem correndo sobre a terra seca levantando poeira. Ele é estabanado, confiante demais no seu jiu-jitsuzinho de marombado! Ele se arma e desfere um soco, somando sua velocidade, o soco causaria certo estrago, mas esquivo rapidamente, e sem dar tempo para alguma reação, seguro com o braço direito seu antebraço, puxando-o para frente para aproveitar a inércia e dar uma cotovela bem no meio do nariz do desgraçado! Ouço algo quebrando, deve ser o nariz, quem sabe alguns ossos do rosto também. O sangue se esvai em meu cotovelo, o apressadinho apaga na hora. E deixo a gravidade fazer seu trabalho, assistindo seu corpo cair em meio à poeira.
- Eu avisei, agora os dois! – continuo a provocar.
Eles obedecem, o go-go boy de camisa azul corre, seguido pelo Dmx brasileiro. Ele pula e arma uma voadora, esse é burro, não sabe brigar. Desvio facilmente, e ignoro o idiota e vou até negro. Ele chuta visando a lateral do meu corpo, defendo com o antebraço, chute forte, senti o impacto. Não há tempo para reagir, ele chuta novamente com a outra perna, consigo esquivar, jogando meu corpo para trás. O maldito salta para frente usando seu joelho tentando acertar meu queixo, merda! O negão sabe muai-tai! Ao cair no chão, tenho uma pequena chance e não a desperdiço, lanço um jab direto no seu rosto, não chega a quebrar nada, mas o surpreende, soco novamente, ele não defende, mas tenta socar também meu rosto! Esquivo! Soco seu estômago, e me aproximo, a essa distância chutes não serão muito úteis, tenho que tomar cuidado com o joelho. Ele da uma cotovelada em minha clavícula, agüento a pancada! A hora é essa, levanto desferindo um gancho em seu queixo! O sangue espirra de sua boca. Droga! Não consegui quebrar sua mandíbula, esse preto é forte! Mas o deixei atordoado, eu sou mais rápido, ele sentiu isso, e mais uma vez um direto no seu rosto, um cruzado de direita, um de esquerda, não posso dar tempo para ele reagir! Continuo batendo!
- Vamos fazer seu cérebro agitar um pouco! – e por fim soco com força a lateral de seu rosto, vejo seus olhos virando em desespero. Ele vai ao chão completamente grogue, em seguida apaga.
Sinto um impacto estrondoso na parte de trás da minha coxa! A dor é enorme! Olho e vejo o boiola de azul me acertar com um chute! Os ferimentos que consegui ao chutar o vidro daquele carro mais cedo se abrem, o joelho danificado com o impacto não agüenta meu peso, consigo evitar a queda. Como dói! Cada corte feito pelos cacos de vidro começam a abrir, eu sinto cada um deles sangrando. O grandão não é tão burro, não perde tempo e lança seu punho de encontro a minha cabeça, caio de cara no chão. Totalmente indefeso e com muita dor, não consigo levantar. Me arrasto, mas logo outro chute acerta minha barriga, como uma bola de futebol sou levantado para depois cair novamente. A dor me deixa confuso. Ele não para de chutar, tento me defender como posso, inutilmente. O cara bate forte! E eu sinto em cada pancada.
- É isso que é ser herói? – ele ri alto. – Achei que deveria ter poderes para brincar de bom samaritano! Quem você vai salvar assim? – ele continua rindo e zombando, não para de chutar enquanto fala.
Sabia que eu iria me arrepender por ter pulado em cima daquele Corolla! Sabia! Para de lamentar seu cuzão! Reage! Já senti dores piores, já enfrentei inimigos piores. Não vai ser um filha da puta de um viado usando azul calcinha que vai me derrotar!
Ai vem o outro chute, rolo para me esquivar, consigo ficar agachado, então mais um, seco para me atingir, e assim eu deixo! Sua perna me atinge com força, eu a seguro com mais força ainda! Ele assusta com minha reação, vejo isso pela sua cara de girafa amedrontada! Largo sua perna e levanto. Ele está amedrontado, mas vai tentar chutar mais uma vez. Não vou agüentar o corpo-a-corpo nessa situação... A lagoa... Isso! De novo deixo o chute me atingir e novamente agarro sua perna! Em seguida, junto todas minhas forças, e a utilizo como alavanca, para jogá-lo em direção a lagoa. Mais uma vez eu o surpreendo, ele cai próximo a água, chega a molhar o rosto na terra encharcada, ele levanta. Não dou tempo para sua reação, corro e imediatamente chuto seu peito, fazendo-o alçar vôo em direção a lagoa. Ele cai se molhando completamente, mas se ergue em seguida. Ele está com medo, e eu gosto disso.
Agora com a água na altura de nossos joelhos as pernas não serão tão importantes. E em nada minhas feridas irão me atrapalhar. A não ser pela sensação da água gelada entrando nas minhas feridas, adormecendo minha perna.
Escuto o barulho do helicóptero decolando, e passando por cima de mim. Parece tão perto que da para sentir o vento de suas hélices. Meu coração aperta, me distraindo por alguns segundos. Burro! O grandão parte para o ataque, mas em nada minha distração atrapalha por que o boçal parece um boi desembestado, e faz mais barulho que um tanque de guerra! Ele joga seu braço em um soco direto, a camisa apertada e molhada prejudica o movimento, o que da margem para eu pegar seu braço e dar-lhe um balão, jogando para dentro da água, espirrando-a para todo o lado. Não perco tempo, e começo a socar sua cara, antes mesmo dele vir para superfície, com a falta de ar e a dor de meus golpes, imagino seu desespero, isso me empolga. Agora ele está indefeso, e eu bato com força, algo me diz para parar, não ligo. A água começa a ficar agitada e vermelha. Quando não vejo mais movimento eu paro.
Me viro para Natasha, tento não mostrar dificuldade em caminhar para fora da lagoa. Não posso me mostrar frágil. Não em nosso acerto de contas!
Seus olhos me fulminam com ódio. A recíproca é verdadeira.
Quando coloco meus pés em terra firme, me preparo para dizer algo, um clarão ilumina todo o ambiente, surpreendendo até a Natasha, que depois de surpresa, sua face ganha o aspecto de uma alegria perversa. Não... Os olhos e os cabelos vermelhos são tudo que vejo, refletindo o que temo enxergar... O clarão veio das minhas costas... Não... Deus não... Por favor...
Minhas preces são ignoradas, quando me viro em direção a lagoa... Em direção ao trajeto do helicóptero... Uma explosão em cima da Lagoa dos Ingleses! Como se o sol resolvesse nascer antecipadamente. Um clarão em chamas ofuscando o brilho das estrelas. A luz que a destruição emite possui uma beleza cruel ao refletir no espelho d’água. Minhas pernas tremem, meu coração acelera. Quero chorar, quero gritar! Mas não consigo, não há voz, não há lágrimas. Somente meus olhos observando os destroços do helicóptero cairem lentamente sobre a lagoa. O fogo insiste, não quer apagar, iluminando as trevas ao ceifar uma vida inocente. Impotente caio de joelhos, minha cabeça pesa. Deus... Não... Por quê?

Escuto um carro se aproximar, a porta se abre fechando em seguida. A voz fala com empolgação e felicidade, fala com Natasha algo sobre um plano ter dado certo apesar dos contratempos. Não consigo escutar direito, mas a voz é familiar. Levanto-me com dificuldade. Ao me virar... Filho... Da... Puta!
- Não acredita Natsh, nem com três dos meus melhores homens você não matou aquela aberração? – Greg! Aquele burguês esnobe! Ele traiu Magdalena!
A ruiva responde algo, já não consigo escutar mais nada, tudo parece girar como em um carrossel. Silêncio. Algo pulsa dentro de mim. Repentinamente volto a escutá-los, agora suas vozes parecem estar em um volume quase que insuportável, distingo apenas ”vamos matá-lo”. Leio seus lábios, cada palavra, cada fala do almofadinha me atinge como uma bomba sônica. Algo está prestes a explodir, eles precisam se calar!
- Eu vou... – não o deixo terminar.
- Cale a boca! – o grito sai das profundezas do meu ser! - Não ouse abrir essa merda de boca mais uma vez seu filha da puta!
- Como é que... – o ódio toma conta de mim.
- Eu disse cala a merda da sua boca seu filha da puta! – jogo uma das adagas no ombro esquerdo de Greg, o impacto o lança de encontro ao capô de um dos carros. Ele urra de dor.
- Vocês são o tipo de pessoas que eu mais odeio no mundo! Não vejo diferença entre vocês e os desgraçados que estupram mulheres, que abusam de menores, que matam suas próprias mães! Gente como vocês que prostituem garotinhas, jogando suas vidas no lixo, trocando-as por um butijão de gás! Traficam drogas destruindo famílias, causando miséria e dor! Vocês não são pessoas! Vocês matam por dinheiro! Ceifam vidas para suprir a merda de sua ganância mesquinha! – não reconheço minha voz, é um gutural quase demoníaco, será que sou eu que está gritando? – Não a respeito! Não há nada! Estamos à mercê de seres como vocês! Que matam e matam! Mas eu digo... Não! Eu escolhi dar o troco! Eu escolhi viver! E não morrer! Eu escolhi me erguer e não cair! Eu vou proteger as pessoas! Se eu não fizer isso, seremos apenas ovelhas indo direto para o matadouro! – uma vertigem me atinge, respiro fundo e falo baixo para mim mesmo – Só quero que este mundo seja um lugar para se viver, só isso.
Os dois me olham assustados.
- A polícia deve estar chegando em alguns minutos... – minha voz esta rouca.
- Você realmente acha que nós iremos presos? – mesmo assustada essa ruiva não perde a oportunidade de tentar tomar o controle.
- Eu estou somente tranqüilizando vocês... Natasha.- a frieza com que sai essas palavras não é normal. – Rezem para a polícia chegar o mais rápido possível, por que agora eu vou passar a faca em vocês... E isso vai doer muito.
Então minha mente apaga, e o que se segue nem eu consigo entender.
Retomo a consciência.
- Largue essa mulher agora! – um policial jovem da ordem apontando sua 38. Uma viatura atrás dele, seu parceiro sai correndo dela e se aproxima da cena.
Estou com a mão no pescoço da mulher, ela está desmaiada. Alguns cortes no braço, nas pernas e sem um dedo da mão direita, o indicador. Ignoro o policial, e enxergo o corpo de Greg jogado dentro de uma das janelas do Audi, seu braço está longe de seu corpo. Há sangue por toda a parte. Meu peito dói. Percebo quatro marcas de balas no Kevlar.
- Já disse para largá-la! – grita o policial.
- Deixa de ser imbecil o novato! Não vê que ele é o Jack Built? – o outro policial, fora de forma, mas aparentemente experiente intervém.
- I dai? Olha o que ele fez!
- Mais um motivo pra você não fazer nada seu burro! Alias, se você quisesse atirar já teria atirado, não ficaria ai esbravejando feito uma puta querendo dar! Justiça é piada por aqui.
O jovem policial abaixa a arma contrariado e vai chamar o socorro.
- O que rolo aqui em Jack? A cidade ta um caos com esse lance da explosão, uma perseguição na estrada, uma galera no hospital em Lagoa Santa.
- Procure Van Dimitri Nackov, é um figurão não será difícil encontra-lo. – dou as costas para tudo, o velho policial continua a falar, vou até a moto.
Mal sinto meu corpo, retorno para minha casa. Não percebo nada no caminho de volta.
A sensação de sujeira é amenizada com um banho quente. Deito em minha cama, sou surpreendido com minha irmãzinha subindo nela, ela sempre sabe quando eu chego.
- Ta tudo bem mãozim? – ela me abraça, rostinho inchado pelo sono é tão lindo.
- Não muito, sua feiosinha linda. Tô triste. – um momento de sinceridade com uma criança.
- Então dorme tá? Eu te protejo do bicho papão, pode descansar. Amanhã você vai se sentir melhor. – cai uma lágrima do meu olho, ela me aperta forte.
E assim tudo fica mais fácil.

Fim

Jack Built, o Louco – Oitava Ato: O Bailar das Armas (parte 1)

Atravessamos a cidade de Belo Horizonte. As luzes iluminavam uma noite atípica de um dia mais atípico ainda. Estou me sentindo um personagem daquelas historias que se conta para as crianças na hora de dormir, aonde um jovem salva uma pobre princesa indefesa. Só que nos contos eu enfrentaria dragões, feiticeiros malignos. Acho que seria mais fácil.À medida que cruzávamos as ruas e avenidas a adrenalina ia embora lentamente, proporcionando certo alívio. Acredito que para Magdalena também. Ela não abriu a boca desde que a peguei no posto, deve estar assustada. Seu sofrimento está no fim, logo estará pegando um avião... Esperai... Ela não disse aonde ia pegar um avião. O aeroporto de Confins é perto de Lagoa Santa, o da Pampulha já passou faz uns bons minutos. Pelo que eu saiba não tem nenhum aeroporto perto do Alphaville. Bom, vou esperar. Existe um provérbio de não sei onde no Oriente, ou algo parecido, mamãe já falava “paciência é uma virtude”.Subindo a Nossa Senhora do Carmo, indo em direção ao Belvedere, me preocupo em ser o mais discreto possível, os policiais já estão se movimentando, já devem saber que sou eu, mas vão querer respostas. Eles não irão me atrasar.Passam alguns minutos e já me encontro em frente ao BH Shopping, aumento um pouco a velocidade, já estou praticamente na BR 040. Sigo meu caminho sem nenhum problema, estrada larga e sem trânsito. Logo à frente vejo o trevo para Ouro Preto. Dou a volta e subo no viaduto, a entrada do Condomínio está a menos de 300 metros. Na porta tudo corre tranquilamente, ela se identifica, o porteiro libera nossa entrada. Permaneço com o capacete na cabeça, ninguém quer um mascarado entrando no seu local de trabalho, mesmo que esse mascarado venha para salvar alguém.A princesa me guia até uma casa aparentemente mais afastada. Permita-me corrigir, casa não, mansão! Daquelas de filmes, cheia de vidros e adornos que somente Oscar Niemeyer acharia bonito. Esses lances moderninhos de arquitetos, cheios de vanguarda na fuça. O resultado é bom, ficou bonito, imponente. Mas o melhor é a vista para a Lagoa dos Ingleses, uma verdadeira maravilha nessa noite estrelada. Tudo perfeito, se eu não estivesse com uma garota podre de rica com uma galera querendo sua cabeça. Mas, nunca se sabe, certo? Vou usar meu charme de super-herói. Ta bom, até parece Sr. Galã. Mas, nunca se sabe.Perco-me divagando sobre o lugar, sobre o rosto lindo dessa garota em minha garupa. Sinto uma carência. Estranho, será que estou apaixonado? E ela? Será que está interessada em mim? Ela me cutuca.- Chegamos. – quando tira o capacete seus olhos azuis brilham ao refletir a luz do poste.- É aqui então seu castelo. – também tiro o capacete, mas fico de máscara.- É sim, vamos entrar. – ela começa a andar.- Espera um segundo. – seguro seu braço.- O que foi? – ela volta seu olhar para mim.- Você falou que teria que pegar um avião, não vejo nenhum aeroporto por aqui.- Desculpe, não é avião, bem... Na verdade é sim, mas terei que pegar um helicóptero aqui e ir para o Rio de Janeiro pegar o avião para Espanha.- Agora faz sentido. – uma casa pode sim ter um heliporto.- Vamos, devem estar me esperando lá trás. – ela sai entrando no casão que dispensa muros. Enquanto isso eu me pergunto, “quem está esperando?”.Está dando a volta pelo jardim, umas três vezes maior comparado aquele que corri hoje de manhã no Amendoeiras, mas não possui o charme que aquele tinha. Como não entendo dessas coisas, volto minha atenção para a piscina. Imaginem uma pessoa rica e que gosta de arte, agora imagine sua piscina. Com certeza não será um retângulo tradicional. Terminando o tuor, adentramos em uma trilha pelo jardim, ao passarmos por uma pequena floresta de pinheiros surje o heliporto. Vejo um piloto, aquele bonezinho tradicional “eu amo voar”, “clube senta-a-pua”, “associados dos céus”, e por ai vai, o condena. Há um outro homem, esbelto, porte de modelo, cabelos encaracolados e castanhos claro, usa uns óculos que provavelmente devem ter custado mais que meu uniforme negro e minhas armas, uma roupa esporte fino básica, com a total absoluta certeza também cara. É ele que vem em nossa direção, o ar de superioridade que esbanja ao andar me enerva. Esnobe com certeza.Magdalena anda em sua direção, ele abre os braços, falam algo em francês. Como nunca consegui entender direito essa língua, se bem que passei pouco tempo na França. Conversam por poucos segundos... E... Se beijam! O que é isso queimando dentro de mim? Ciúmes? Não acredito, deixa de ser criança Jack! Que sensação horrível, me sinto um lixo, quero fugir, gritar minha mãe. O beijo demora uns segundos, mas enquanto beijava o almofadinha olha para mim, para de beijá-la e vem até mim. É agora, vou matá-lo! - Muito obrigado por ter salvado minha amada, serei eternamente grato. – ele estende a mão, que vontade de torcê-la em trinta jeitos diferentes. Você realmente fez jus a sua fama, senhor... Como é mesmo seu... Codinome? – o sorriso em sua cara me correu por dentro.- É esse meu trabalho. E é Jack Built. – dou a mão para ele, cumprimentando quase que friamente, mas sem deixar de dar uma pequena apertada, ele sente.Ele se vira para Magdalena.- Amor, vamos então, sua bagagem está com Scott.- Só um minuto Greg. – ela vem até mim, enquanto ele volta para perto do helicóptero, e coloca uma mala relativamente grande dentro dele.Magdalena segura minhas mãos, sinto certo alívio dela estar bem agora.- Qualquer problema que houver Jack, qualquer um. Se me vir nos jornais, se algo acontecer comigo, procure meu tio Van Dimitri Nackov, ele saberá o que fazer. – ao falar tais palavras seus olhos se enchem de lágrimas, sua vida tem sido sofrida, a própria família querendo matá-la. Eu devia ir com ela. Protegê-la. – Sei que você tem coisas mais importantes para fazer, não pense que sou uma princesa indefesa, só sou alguém que não quer morrer, não assim. – ela chora, eu só a abraço. É tudo que eu posso fazer.- Magdalena! – grita o burguezinho. Ela se vira no susto.- A portaria do condomínio ligou! Um carro com quatro pessoas, pediu informação sobre você! Provavelmente é Natasha! Eles atiraram contra o porteiro e contra os seguranças! Vamos! – o piloto já aciona os motores, Magdalena olha para mim, e depois para Greg, ela não quer mais fugir. Gostaria de falar, “fique e estará a salvo”. Mas não tenho esse direito.
- Vá. Eu seguro Natasha. Isso acaba hoje! – é tudo que digo, viro as costas, começo a correr.
- Jack! – ela grita, meu coração aperta. Me viro.
- O verdadeiro herói está embaixo dessa máscara. – não paro de correr.
Vou até direção a Valkyrie. Ligo seus motores, deixo-os gritarem e cantarem ao sair em alta velocidade pelo caminho de volta. O caminho até Natasha!
Ao longe, vejo um carro, não identifico o modelo, mas vejo que está rápido. Paro a moto verticalmente a rua, ocupando quase toda sua largura. E aguardo. A outra rua a minha frente vai direto para a Lagoa dos Ingleses, lá será a batalha final. A ruivinha não vai perder a chance de me matar.
O carro se aproxima, sinto o farol me iluminar, consigo ver o rosto de ódio da mulher. Há três pessoas a mais no carro, homens, aparentemente fortes. Vamos dançar pessoal! Ela acelera o carro, eu subo na motocicleta e sigo em direção a Lagoa dos Ingleses, o automóvel em um quase cavalo de pau faz a curva e vem me seguindo. Tudo sai como planejado, voltei à atenção dessa vadia para mim. Seguimos reto até chegar à lagoa, deixo a moto ir até próximo a margem, acabou o asfalto, agora há somente terra. Procuro um lugar afastado dos barcos, um lado marginal mais deserto. O Audi A4, consegui identificar, me segue desembestado. Aqui! Um lugar perfeito, quase nenhuma casa, não tão distante do lugar que deixei Magdalena, assim poderei ver o helicóptero partir. Paro a moto. O Audi também para, derrapando, e jogando terra para o ar. Estamos a poucos metros da água. Um cenário michuruca, clichê devo admitir. Uma bela lagoa ao fundo, barcos ao relento, uma noite estrelada, mansões ao fundo, perfeito e puro clichê!

Continua...

Terça-feira, Maio 13, 2008

Jack Built, o Louco - Sétimo Ato: Combustível e Fogo


A estrada está tranqüila, tráfego relativamente baixo. Saindo de Lagoa Santa e subindo no viaduto, há algo de estranho no ar, um sentimento esquisito corroendo meu peito. Que merda será essa? Talvez seja culpa do dia tumultuado. Está tudo bem agora, Magdalena na garupa segura forte meu abdômen, é uma sensação boa, amenizando a outra que me atormenta.
Descendo o viaduto que da saída para a MG – 010 passamos em baixo de outro, em forma de ferradura, parabéns engenheiros, fizeram um bom trabalho. Essa rodovia recentemente construída para abarcar o fluxo de veículos para o Aeroporto, a Linha Verde, veio muito a calhar. Afinal, agora posso ir de Belo Horizonte até minha casa em poucos minutos. E como isso facilita quando se tem que bater em bandidos a noite e dormir para estudar e trabalhar no outro.
Já nos encontramos em Vespasiano, uma senhora reta, acelero um pouco mais, para sentir o vento levar embora um pouco do que me perturba. Ela também gosta da velocidade, não vou exagerar, acidentes nunca são bem vindos.
- Jack! – ela tenta gritar o mais alto que pode, com dificuldade, sendo abafada pela acústica do capacete, mas consigo ouvi-la.
Viro a cabeça para trás, e faço um sinal.
- Tem um carro seguindo agente! – como? Não percebi. Tento olhar para trás, buscando os retrovisores.
É um fiat Sedici! Lindo por sinal, 1.9 e 120 CV. Provavelmente alugado, e com uma ruiva no volante! Ele vem rápido, com vontade! Percebi sua presença tarde demais, já está muito próximo, vai atingir minha motocicleta! Merda! Não há tempo para pensar.
- Se segura princesa! – grito o mais alto possível, ela escuta e aperta ainda mais meu abdômen.
O Sedici investi contra a traseira da moto, em um ato quase que reflexo eu desvio para direita, a maldita da ruiva também direciona o volante para direita! Ganhei tempo! A rodovia tem três pistas, o bastante para gente brincar sua vaca! Fazendo a curva, ela acelera para me pegar, freio desacelerando a moto, e o carro passa direto.
Vejo o vidro do motorista se abrir, um cano preto do que parece ser uma 9 mm aponta para fora da janela. Estou mais lento por ter freado, sou um alvo fácil! Ela atira, mal consigo desviar para a pista dos ônibus à direita.
Estamos correndo paralelamente, separados por um passeio de concreto. A janela do passageiro se abre, ela começa a atirar. Nenhum acerta, mas a safada parece que encontrou a mira! Sorte que um Palio azul a sua frente está um tanto quanto devagar, forçando-a a desviar para a pista da esquerda. Por ter se esquivado bruscamente, e não olhando o retrovisor como o carinha da auto escola manda, se choca na lateral de um Celta prata, prensando o coitado na divisória de concreto das pistas. A mulher não se importa, e retorna a pista da direita.
À frente vejo o fim da via dos ônibus, voltando a se encontrar com a estrada principal. Acelero o máximo que posso, estamos paralelos novamente, vou colidir com o fiat. Merda! Vamos lá Valkyrie, não me decepcione, vamos! O giro vai às alturas! Consegui! Passo rente à dianteira do Sedici e já me direciono para outra via.
A uma distância confortável de 5 segundos entre nós. Mas a vadia não desiste, olho para trás por um instante e vejo seu braço para fora da janela apontando aquela maldita arma! Os tiros passam quase raspando, continuo sendo um alvo fácil. Começo a fazer um “sig-sag” entre os carros, isso deve desencorajá-la a continuar atirando. Funcionou, garota corajosa essa Natasha, devo admitir. Rezo para que Magdalena agüente firme.
O carro continua a nos seguir, começa a imitar meus movimentos costurando os outros automóveis. O tráfego na altura do Morro Alto começa a se intensificar. Avisto as passarelas de enfeite, afinal ninguém aqui atravessa em cima delas, parece que gostam de arriscar suas vidas. Isso me lembra aquele joguinho antigo do sapo, ou era uma galinha, não lembro, que tinha que atravessar a rua. Sempre vinha um carrinho mais rápido e me pegava desprevenido. Ainda bem que não há nenhum suicida hoje.
Logo à frente a uma seqüência perigosa de curvas, duas fechadas, uma seguida da outra. Não posso me dar o luxo de diminuir a velocidade, abro para direita, e consigo pegar a tangência da curva. Imito o movimento para a direção oposta. A princesinha quase cai, mas tem braços fortes e manteve a perna firme. Isso é física baby!
Agora é só reta até Belo Horizonte, as curvas me deram uma boa distância do Sedici, a ruivinha deve estar se mordendo. Não fique feliz seu idiota! Você precisa é parar aquela vaca. Acelero ainda mais a Valkyrie Rune, o ponteiro da velocidade sobe rapidamente. Desvio de alguns carros, não há maiores problemas. Preciso de uma folga ainda maior. O posto da Policia Rodoviária passa como um borrão colorido, assim como a obra da nova casa do Aecinho Neves. Avisto um posto BR a direita, começo a reduzir, não há nem sinal do Fiat, entro novamente na pista dos ônibus, em seguida adentro no posto. Paro e uso minha perna para dar apoio a Magdalena, ela precisa descer para eu poder dar fim a essa perseguição.
- Por que paramos? Ela deve estar chegando, o que você vai fazer? – quando tira o capacete vejo seu rosto assustado, mas seu corpo ainda está firme, ela não tremeu nem sequer por um minuto.
- Me espere aqui mocinha. Não vou demorar.
- O que você vai fazer? Já chega de bancar o herói hoje! – a raiva se mistura a adrenalina, mas ela continua linda.
- Fique paradinha aqui. Tenho um carro para capotar.
Ela continua a falar, mas eu não escuto. Os pneus começam a rodar, rápidos, muito rápidos! Agora eles querem cantar alto! A fumaça sobe e vou em direção a rodovia.
A motocicleta está mais leve. Não tenho que me preocupar com garupa. Tudo está a meu favor. Até os malditos carros! A dificuldade de pilotar na contra mão é a mais óbvia: os carros realmente estão na contra mão. Todo vindo em sua direção, então some a sua velocidade e a deles, o resultado não é nada agradável. Mal consigo ir costurando um por um, novamente a obra da nova instalação do Governo mineiro e o posto policial passam como um borrão a minha esquerda. Os faróis dos carros atrapalham a visibilidade, não vou parar agora! Um Uno desatento a minha frente se choca na placa de sinalização, ao assustar com uma moto desse tamanho vindo em sua direção, outros quatro automóveis acabam se engavetando. Desculpa ai pessoal, nenhum acidente é fatal, graças ao bom Deus, o camarada supremo. E lá na frente vem ao meu encontro o fiat Sedici e a bruxa malvada da história. Ela me avista e sorri, provavelmente ela nunca deve ter acelerado um carro com tanta vontade como faz agora. Há um curativo em seu nariz, o que a deixa com um aspecto tolo. Agora lembrei da cotovelada que dei de presente no meio daquela fuça. Natasha não é feia, até bonita, mas por mais linda que seja a mulher ninguém merece essa feição de “mal comida”.
Eu sei que ela não vai desviar, é preferível me ver esmagado no pára-brisa que perder essa chance. Mal nos conhecemos e já nos odiamos. Há poucos instantes antes da colisão, pego a adaga em minha coxa, desvio para a esquerda, ela aponta a arma e atira. Tento acertar os pneus esquerdos com a adaga, mas erro por que tive que me abaixar para esquivar do tiro. E nos separamos de novo meu bem, mas já dou a volta no meio da estrada, escuto os freios dos pobres motoristas. E agora estou seguindo o fluxo correto, vejo a traseira do fiat, vou tentar novamente pela esquerda, abuso da motocicleta ao acelerar novamente. Agora estou colado do Sedici, ela me vê pelo retrovisor, se prepara para disparar mais uma vez. Com toda vontade que tenho aciono o nitro, o atrito com o ar aumenta, me abaixo, e golpeio os pneus esquerdos! Eles estouram. Jorram faíscas com atrito das rodas em contato com o asfalto. Natasha quase perde o controle do carro, evita o capotamento.
Sigo meu caminho e vejo o Sedici ir parando aos poucos. Novamente passo pelo posto policial, e só agora a policia começa a se movimentar, quando descobrirem o que aconteceu já estarei na BR 040, indo pro Alphaville.
Continua...

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Fudendo, Explicando e Flertando com a Democracia (parte 3)

Devo confessar o desafio que é escrever a respeito de um tema tão batido quanto Democracia. Primeiro por que esse é um assunto enfadonho, chato e difícil de tornar interessante aos olhos de leigos, segundo, e essa é uma razão na qual deveríamos focar toda nossa atenção, eu estou com medo! Podem me taxar do que desejarem, as palavras que seguem abaixo são as mais sinceras possíveis do temor que tenho com relação às condições do nosso atual governo.
Todos nós sabemos que vivemos em um Estado Democrático de Direito, certo? Uma forma de Estado que nos dá liberdade (um viva para o princípio da legalidade, aquela coisinha que fala que ninguém deverá fazer, nem deixar de fazer, nada a não ser por força da lei). É um conceito-chave acolhido pelo preâmbulo e pelo art. 1º da Constituição. E lembrem-se de suas características: “a) submissão ao império da lei, como ato emanado formalmente do Poder Legislativo, composto de representantes do povo; b) divisão de poderes, que separa de forma independente e harmônica os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; c) enunciado e garantia dos direitos individuais (art. 5º) da pessoa humana". Ostentamos a bandeira da Democracia e do Constitucionalismo! Somos a América! Então de onde vem meu medo?
Não atendo ao terror que é a burocracia excessiva que ronda a máquina pública, da qual corro longe sempre que possível. Tenho o mais profundo temor da mentalidade ideológica do atual governo. Quando falei que somos a América acabei esquecendo de um pequeno detalhe, somos a América do Sul, e é em nossas vizinhanças que ronda o crescente populismo, aliado ao tão atraente totalitarismo (vocês sabem de que e quem estou falando)! Esse desejo profundo de permanecer no poder, ditar todas as regras, a ância em concentrar na figura de um só (ditador ou classe) todo o Estado. É essa a mentalidade atual no Brasil, é essa tão almejada permanência nos ditames governamentais. O PT (não excluindo aqui quem o apóia) pensa assim.
Um comunista italiano, Gramsci, nas palavras de Reinaldo Azevedo, sustenta a concepção, leninista na origem, de que “o partido” deve se constituir como o “imperativo categórico”, ou seja, ser o modelo, o detentor do padrão de conduta para todos os indivíduos, simplificando, ele ditaria o certo e o errado, o que é crime e o que não é. Podendo assim, abolir a história e o futuro, restando as necessidades do presente, justificadas em seu nome. Assim alerta Herman Lott, Promotor de Justiça do II Tribunal do Júri de Belo Horizonte, a respeito do perigo que contém a concentração de poder em um Estado de exceção, a meu ver semelhante ao objeto exposto, “é próprio do Estado de exceção fazer pouco caso do Direito quando lhe convém e invocá-lo com severidade quando lhe aproveita”. A diferença que marca essa concepção do “partido”, com a antiga concepção soviética de Lênin, é meramente circunstancial. “O revolucionário russo imaginava o seu modelo implementado na esteira de uma revolução, e Gramsci sustenta que ‘o partido’ pode e deve ir-se aproveitando das brechas que lhe abre o sistema burguês para corroê-lo e substituí-lo”. Esse é o perfeito quadro de como vem agindo o PT (e cia), nosso “partido”.
Não quero discutir conceitos como “esquerda” ou “direita” (atualmente algo que ninguém sabe mais o que é), mas o fato é que a concepção de Gramsci vem sendo cada vez mais aplicada. Remexendo a memória, a própria figura do nosso Presidente é uma das brechas do nosso sistema (não que nosso sistema seja burguês, mas para eles, “do partido”, é). Uma pessoa que carrega consigo o estigma da ignorância, e ainda se vangloria de tal deficiência, consegue ser o chefe Executivo de nossa nação. É no mínimo um absurdo. Vou mais além, sua candidatura como todo seu governo tem como base o populismo (aquele de Getúlio lembram?), carregado de demagogia e falsas esperanças. E é nesse alicerce que tudo vem acontecendo, nos “ombros do povo”. Reinaldo Azevedo assim fala, “em qualquer dos casos, a institucionalidade sempre morre no fim”. Uma vez que, nossas instituições (feitas com o objetivo de solidificar e dar o caráter de continuidade ao regime Democrático) são trocadas pela figura de um só homem, “o salvador dos oprimidos”! Mas e se algo der “errado” (como incopetência administrativa, escândalos sobre corrupção, dólar na cueca, cartões coorporativos, sangue-sugas, e bota etc. nisso), esses ditos salvadores (Lula, Getúlio, Chavez, Fidel, Dr. Destino, Darkseid, Sauron) se tornaram mártires, vítimas da cruel conspiração “deles”, a “ZELITE” no caso Lula ou até os americanos, viva Fidel, ou já se esqueceram da carta de Vargas escrita antes de seu suicídio : ”Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram eu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História". E da-lhe tiro no peito. Qualquer semelhança com Jesus Cristo é fantasia, coisa de sua cabeça “elitizada”, afinal queria ele morrer para nos salvar? Em seu sacrifício pela nação brasileira? São essas e outras baboseiras demagógicas que somos obrigados a engolir sempre que um político tem como base somente o “povo” (que “povo?), utilizando essa “falha no sistema” para ir minando com as instituições democráticas.
Deixe-me provar tudo que afirmo acima, alguém já ouviu falar em Liberdade na Televisão? É um site que tenta defender a liberdade dos assinantes de televisão paga. Está tramitando no Congresso, no Senado, na Camada, eu sei lá aonde (alguém já percebeu como é difícil compreender o acesso a essas “coisas legislativas”), uma clara e descarada agressão a nossa liberdade de escolha. Querem impor cotas mínimas de canais nacionais na televisão paga para tantos por cento de canais estrangeiros. Sua Sky, Net, antiga Direct Tv, que você paga mensalmente para fugir das balburdias dos canais televisivos convencionais, se esse retrocesso de Lei for aprovado, terá que ter um número “X” de canais nacionais para um número “Y” de canais estrangeiros. Todos os pacotes de canais terão de ser adaptados. Por exemplo, em um pacote hipotético com 99 canais, 62 teriam que ser retirados do ar (como TNT, Sony, Warner, Eurochannel, Cartoon Network, National Geographic, Disney, MGM, Universal, FOX e muito mais) ou as operadoras teriam que adquirir mais 15 canais para balancear o cálculo das cotas. Essa aquisição demanda altos investimentos que certamente vão impactar o valor mensal da TV por assinatura. E sua liberdade de escolha? Pro lixo do Congresso!
Permitam-me questionar as constantes censuras a desenhos animados, seriados e filmes na televisão, como também certas proibições a jogos eletrônicos violentos. Cresci vendo animações de luta, jogos de tiros, e em nada disso (e aqui coloco uma maioria de pessoas que vivem ao meu redor) foi prejudicada minha educação ou o modo como me portar perante a sociedade. Se existem “mulas” jogando e vendo tais desenhos, deixe que os pais os eduquem. Estado não é família!
Um outro exemplo é a criação de uma Tv Chapa-branca, através da Lei nº. 11.652/2008, de iniciativa do Executivo (Lula e cia). Essa lei cria a chama Empresa Brasil de Comunicação, titular da Tv Brasil. Citando o jornalista e advogado Josemar Dantas, colunista do caderno Direito & Justiça do Jornal Estado de Minas, “a pretensão de Luiz Inácio foi a de fundar um organismo chapa-branca capaz de iluminar com a mágica da manipulação os ‘feitos’ do governo e de levá-los à assimilação solidária das consciências menos alertas ou vulneradas pela ignorância”. Uma prova desse objetivo escuso foi a demissão do Editor chefe do primeiro programa em exibição na Tv Brasil por se recusar a intervir no noticiário em favor do governo. E ainda, “nas matérias sobre o escândalo dos cartões corporativos – informou – a Tv Brasil evitava a expressão ‘dossiê’, substituída pelo eufemismo ‘levantamento’. Um primeiro passo para a alienação das já alienadas massas!
Sem contar a possível censura à imprensa independente, assim alerta Rubens Enderle, “os tempos sombrios já começaram. Quem leu os jornais hoje (31 de outubro de 2006) já pode ter uma idéia de como serão estes próximos quatro anos. Jornalistas foram agredidos em Brasília por militantes petistas e Marco Aurélio Garcia, ao "lamentar" o fato, aproveitou para atacar a imprensa e cobrar um "desmentido" sobre o mensalão. Lembram do meu argumento sobre a psicopatia petista e sobre a absolvição moral que as urnas representam para esse pessoal? Pois é, agora que as vítimas estão autorizadas a cobrar o preço por 500 anos de governo da zelite, e podem fazê-lo contra a lei, teremos uma escalada inaudita de atentados contra a democracia e a liberdade individual. Podem escrever: o PT vai querer instaurar a censura à imprensa disfarçada de ‘controle social dos meios de comunicação’, como já tentou fazer no primeiro mandato de Lula. Paralelamente a isso, vai expandir a rede do jornalismo chapa-branca, por meio de incentivos a certos órgãos escolhidos (como hoje é o caso da Carta Capital, da Istoé, do Ig, do Terra e de centenas de outros veículos) e pelo terrorismo contra órgãos e jornalistas que não se dobrarem ao novo DIP lulista. Ainda bem que meu blog é insignificante e tem poucos leitores”.


E o pior, a mais nefasta das aspirações do nosso Presidente (creio!), o que ninguém ousa falar, aquilo que foi CENSURADO no Programa do Jô, na entrevista com o ator Carlos Vereza (uma crítica feroz que assino embaixo), o terceiro mandato, o plano de permanência no poder! Esse é um claro golpismo, uma afronta a tudo que sabemos sobre o ideal democrático, que se pretende revestir com uma “roupagem legal”. Citando novamente Josemar Dantas, “à exemplo das tramóias inventadas por Hugo Chavez – o truculento régulo que governa a Venezuela – ganha ímpeto a cada dia. Já está claro que o PT não tem candidato viável à sucessão”. É no art. 14 da Constituição de 88, em seu quinto parágrafo, ao prever a hipótese de reeleição por um período subseqüente, que os golpistas crêem estar o amparo à violação de um dos princípios basilares ao Estado Democrático, o da alternância no poder.
Mais uma anomalia para você se deliciar, que tal o desdenho do Poder Executivo ao governar ignorando os limites da ordem jurídica, violando o princípio da harmonia entre os poderes, ao editar excessivamente Medidas Provisórias (são muitas mesmo), previstas no art. 62 da Constituição (aviso aos desavisados, nesse artigo a edição de MP’s somente devem ocorrer em caso de urgência e relevância, e ainda trancam a pauta das duas Casas do Congresso), extrapolando sua função e invadindo a competência do Poder Legislativo.
E a carga tributária? Guido Mantega, “o governo devolverá em serviços prestados à sociedade os impostos arrecadados”. A charge de Spon Holz sobre Guido Mantega, “há,há,há”.
Os fatos que acabei de expor são apenas uma migalha de toda ofensa a Democracia implantada no Brasil. Democracia essa que tem o objetivo de promover nossa dignidade e liberdade, minimizando as tão sentidas desigualdades, impedindo os abusos autoritários que só trazem retrocessos e sofrimento. Toda e qualquer afronta a tal modelo é perigosa. Seja talhando nossa participação ao tramites da engrenagem estatal, até nos desrespeitando diretamente, como faz a possível proposta infame do “Terceiro Mandato”. Eu tenho medo, admito, pelo simples fato de um dia não poder falar o que eu quero, escrever o que eu quero, criticar qualquer coisa desde o “cocô à bomba atômica” (respeitando o limite alheio e minha consciência). Tenho medo por você e por mim.

“Enquanto meu olhar transforma-se na luxúria da decadência do país, sinto seu aroma ao vento, que agita a bainha das nuvens dos céus”.
Fontes:
- A Vida Dos Outros, filme dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, com: Martina Gedeck, Ulrich Mühe, Sebastian Koch, Ulrich Tukur, Thomas Thieme, Hans-Uwe Bauer, Volkmar Kleinert.
- Nos Ombros do Povo, artigo escrito por Reinaldo Azevedo, na edição nº 42 de agosto de 2006 da antiga revista Primeira Leitura.
- Princípio da Legalidade Penal e Estado Democrático de Direito, artigo escrito por Herman Lott, caderno Direito & Justiça do Estado de Minas.
- Ardil Despótico, artigo escrito por Josemar Dantas, caderno Direito & Justiça do Estado de Minas.
- Dicionário de Política, vol. 1, dos grandes Noberto Bobbio, Nicola Matteuci, Gianfranco Pasquino.
- Antigo blog do filósofo e cientista político Rubens Enderle, http://www.prosapolitica.blogspot.com/ .
- O Ano e O Novo, Pedro Augusto, texto que pode ser encontrado neste blog.
- Depois do Desabafo, da Revolta, uma Conclusão (partes 1, 2 e 3), Pedro Augusto, texto que pode ser encontrado neste blog.
- A Lâmina do Imortal, obra de Hiroaki Samura, edição nº 11.