Jack Built, o Louco – Oitava Ato: O Bailar das Armas (parte 2)

Descem do Audi, junto com Natasha três homens. Um com uma blusa social azul clara, com uns detalhes de masculidade duvidosa, um cabelo arrepiado, e forte! A camisa parece desconfortável com tanto músculo. O outro, moreno, cabelo raspado, também com uma blusa social preta, só que com mangas três quartos, uma calça cinza, o filha da mãe tem classe, não gostou de sujar o sapato na terra. E por último um cara menor, também com cabeça raspada, uma blusa regata e tatuagens no corpo, aquela clássica no ombro com aspecto de manga de camisa, e deve ter uma com o nome da mamãe na bunda também. E forte também. No nipe pit boy, provavelmente eles lutam jiu-jitsu, o de camisa azul e o menorzinho. É esse negão que me preocupa. Diversão garantida. Mas minhas pernas não estão na sua melhor forma, não é todo dia que chuto um carro em movimento, sem contar os cacos de vidro que cortaram minhas coxas.
- Hoje você não me escapa seu maldito! – grita a ruiva nervosinha.
- É esse ai que é o famoso Jack Built! – o pequeno de camisa regata ri. – Pensei que ele fosse maior. Com poderes e essas coisas que se vê na televisão.
- Não acredito que você foi enrolada o dia inteiro por um louco em uma fantasia! – o fortão de camisa azul também zomba da minha figura.
- Vocês são pagos para bater, e não para questionar suas mulas! – realmente Natasha está nervosa. – Não quero que usem as armas. Quero que todos os ossos do corpo desse maníaco sejam quebrados!
- Pode deixa chefia! – confirmam os dois asnos. Dois acéfalos de cento e vinte quilos.
- Aqui Natasha, manda todos virem de uma vez que eu to com pressa! – não vou usar minhas armas também, quem sabe assim isso possa ter alguma diversão. Vai ser mais fácil encará-los ao mesmo tempo.
O menor deles, naquele tipo de brigão de festas, é o primeiro a tomar a iniciativa. Vem correndo sobre a terra seca levantando poeira. Ele é estabanado, confiante demais no seu jiu-jitsuzinho de marombado! Ele se arma e desfere um soco, somando sua velocidade, o soco causaria certo estrago, mas esquivo rapidamente, e sem dar tempo para alguma reação, seguro com o braço direito seu antebraço, puxando-o para frente para aproveitar a inércia e dar uma cotovela bem no meio do nariz do desgraçado! Ouço algo quebrando, deve ser o nariz, quem sabe alguns ossos do rosto também. O sangue se esvai em meu cotovelo, o apressadinho apaga na hora. E deixo a gravidade fazer seu trabalho, assistindo seu corpo cair em meio à poeira.
- Eu avisei, agora os dois! – continuo a provocar.
Eles obedecem, o go-go boy de camisa azul corre, seguido pelo Dmx brasileiro. Ele pula e arma uma voadora, esse é burro, não sabe brigar. Desvio facilmente, e ignoro o idiota e vou até negro. Ele chuta visando a lateral do meu corpo, defendo com o antebraço, chute forte, senti o impacto. Não há tempo para reagir, ele chuta novamente com a outra perna, consigo esquivar, jogando meu corpo para trás. O maldito salta para frente usando seu joelho tentando acertar meu queixo, merda! O negão sabe muai-tai! Ao cair no chão, tenho uma pequena chance e não a desperdiço, lanço um jab direto no seu rosto, não chega a quebrar nada, mas o surpreende, soco novamente, ele não defende, mas tenta socar também meu rosto! Esquivo! Soco seu estômago, e me aproximo, a essa distância chutes não serão muito úteis, tenho que tomar cuidado com o joelho. Ele da uma cotovelada em minha clavícula, agüento a pancada! A hora é essa, levanto desferindo um gancho em seu queixo! O sangue espirra de sua boca. Droga! Não consegui quebrar sua mandíbula, esse preto é forte! Mas o deixei atordoado, eu sou mais rápido, ele sentiu isso, e mais uma vez um direto no seu rosto, um cruzado de direita, um de esquerda, não posso dar tempo para ele reagir! Continuo batendo!
- Vamos fazer seu cérebro agitar um pouco! – e por fim soco com força a lateral de seu rosto, vejo seus olhos virando em desespero. Ele vai ao chão completamente grogue, em seguida apaga.
Sinto um impacto estrondoso na parte de trás da minha coxa! A dor é enorme! Olho e vejo o boiola de azul me acertar com um chute! Os ferimentos que consegui ao chutar o vidro daquele carro mais cedo se abrem, o joelho danificado com o impacto não agüenta meu peso, consigo evitar a queda. Como dói! Cada corte feito pelos cacos de vidro começam a abrir, eu sinto cada um deles sangrando. O grandão não é tão burro, não perde tempo e lança seu punho de encontro a minha cabeça, caio de cara no chão. Totalmente indefeso e com muita dor, não consigo levantar. Me arrasto, mas logo outro chute acerta minha barriga, como uma bola de futebol sou levantado para depois cair novamente. A dor me deixa confuso. Ele não para de chutar, tento me defender como posso, inutilmente. O cara bate forte! E eu sinto em cada pancada.
- É isso que é ser herói? – ele ri alto. – Achei que deveria ter poderes para brincar de bom samaritano! Quem você vai salvar assim? – ele continua rindo e zombando, não para de chutar enquanto fala.
Sabia que eu iria me arrepender por ter pulado em cima daquele Corolla! Sabia! Para de lamentar seu cuzão! Reage! Já senti dores piores, já enfrentei inimigos piores. Não vai ser um filha da puta de um viado usando azul calcinha que vai me derrotar!
Ai vem o outro chute, rolo para me esquivar, consigo ficar agachado, então mais um, seco para me atingir, e assim eu deixo! Sua perna me atinge com força, eu a seguro com mais força ainda! Ele assusta com minha reação, vejo isso pela sua cara de girafa amedrontada! Largo sua perna e levanto. Ele está amedrontado, mas vai tentar chutar mais uma vez. Não vou agüentar o corpo-a-corpo nessa situação... A lagoa... Isso! De novo deixo o chute me atingir e novamente agarro sua perna! Em seguida, junto todas minhas forças, e a utilizo como alavanca, para jogá-lo em direção a lagoa. Mais uma vez eu o surpreendo, ele cai próximo a água, chega a molhar o rosto na terra encharcada, ele levanta. Não dou tempo para sua reação, corro e imediatamente chuto seu peito, fazendo-o alçar vôo em direção a lagoa. Ele cai se molhando completamente, mas se ergue em seguida. Ele está com medo, e eu gosto disso.
Agora com a água na altura de nossos joelhos as pernas não serão tão importantes. E em nada minhas feridas irão me atrapalhar. A não ser pela sensação da água gelada entrando nas minhas feridas, adormecendo minha perna.
Escuto o barulho do helicóptero decolando, e passando por cima de mim. Parece tão perto que da para sentir o vento de suas hélices. Meu coração aperta, me distraindo por alguns segundos. Burro! O grandão parte para o ataque, mas em nada minha distração atrapalha por que o boçal parece um boi desembestado, e faz mais barulho que um tanque de guerra! Ele joga seu braço em um soco direto, a camisa apertada e molhada prejudica o movimento, o que da margem para eu pegar seu braço e dar-lhe um balão, jogando para dentro da água, espirrando-a para todo o lado. Não perco tempo, e começo a socar sua cara, antes mesmo dele vir para superfície, com a falta de ar e a dor de meus golpes, imagino seu desespero, isso me empolga. Agora ele está indefeso, e eu bato com força, algo me diz para parar, não ligo. A água começa a ficar agitada e vermelha. Quando não vejo mais movimento eu paro.
Me viro para Natasha, tento não mostrar dificuldade em caminhar para fora da lagoa. Não posso me mostrar frágil. Não em nosso acerto de contas!
Seus olhos me fulminam com ódio. A recíproca é verdadeira.
Quando coloco meus pés em terra firme, me preparo para dizer algo, um clarão ilumina todo o ambiente, surpreendendo até a Natasha, que depois de surpresa, sua face ganha o aspecto de uma alegria perversa. Não... Os olhos e os cabelos vermelhos são tudo que vejo, refletindo o que temo enxergar... O clarão veio das minhas costas... Não... Deus não... Por favor...
Minhas preces são ignoradas, quando me viro em direção a lagoa... Em direção ao trajeto do helicóptero... Uma explosão em cima da Lagoa dos Ingleses! Como se o sol resolvesse nascer antecipadamente. Um clarão em chamas ofuscando o brilho das estrelas. A luz que a destruição emite possui uma beleza cruel ao refletir no espelho d’água. Minhas pernas tremem, meu coração acelera. Quero chorar, quero gritar! Mas não consigo, não há voz, não há lágrimas. Somente meus olhos observando os destroços do helicóptero cairem lentamente sobre a lagoa. O fogo insiste, não quer apagar, iluminando as trevas ao ceifar uma vida inocente. Impotente caio de joelhos, minha cabeça pesa. Deus... Não... Por quê?
- Hoje você não me escapa seu maldito! – grita a ruiva nervosinha.
- É esse ai que é o famoso Jack Built! – o pequeno de camisa regata ri. – Pensei que ele fosse maior. Com poderes e essas coisas que se vê na televisão.
- Não acredito que você foi enrolada o dia inteiro por um louco em uma fantasia! – o fortão de camisa azul também zomba da minha figura.
- Vocês são pagos para bater, e não para questionar suas mulas! – realmente Natasha está nervosa. – Não quero que usem as armas. Quero que todos os ossos do corpo desse maníaco sejam quebrados!
- Pode deixa chefia! – confirmam os dois asnos. Dois acéfalos de cento e vinte quilos.
- Aqui Natasha, manda todos virem de uma vez que eu to com pressa! – não vou usar minhas armas também, quem sabe assim isso possa ter alguma diversão. Vai ser mais fácil encará-los ao mesmo tempo.
O menor deles, naquele tipo de brigão de festas, é o primeiro a tomar a iniciativa. Vem correndo sobre a terra seca levantando poeira. Ele é estabanado, confiante demais no seu jiu-jitsuzinho de marombado! Ele se arma e desfere um soco, somando sua velocidade, o soco causaria certo estrago, mas esquivo rapidamente, e sem dar tempo para alguma reação, seguro com o braço direito seu antebraço, puxando-o para frente para aproveitar a inércia e dar uma cotovela bem no meio do nariz do desgraçado! Ouço algo quebrando, deve ser o nariz, quem sabe alguns ossos do rosto também. O sangue se esvai em meu cotovelo, o apressadinho apaga na hora. E deixo a gravidade fazer seu trabalho, assistindo seu corpo cair em meio à poeira.
- Eu avisei, agora os dois! – continuo a provocar.
Eles obedecem, o go-go boy de camisa azul corre, seguido pelo Dmx brasileiro. Ele pula e arma uma voadora, esse é burro, não sabe brigar. Desvio facilmente, e ignoro o idiota e vou até negro. Ele chuta visando a lateral do meu corpo, defendo com o antebraço, chute forte, senti o impacto. Não há tempo para reagir, ele chuta novamente com a outra perna, consigo esquivar, jogando meu corpo para trás. O maldito salta para frente usando seu joelho tentando acertar meu queixo, merda! O negão sabe muai-tai! Ao cair no chão, tenho uma pequena chance e não a desperdiço, lanço um jab direto no seu rosto, não chega a quebrar nada, mas o surpreende, soco novamente, ele não defende, mas tenta socar também meu rosto! Esquivo! Soco seu estômago, e me aproximo, a essa distância chutes não serão muito úteis, tenho que tomar cuidado com o joelho. Ele da uma cotovelada em minha clavícula, agüento a pancada! A hora é essa, levanto desferindo um gancho em seu queixo! O sangue espirra de sua boca. Droga! Não consegui quebrar sua mandíbula, esse preto é forte! Mas o deixei atordoado, eu sou mais rápido, ele sentiu isso, e mais uma vez um direto no seu rosto, um cruzado de direita, um de esquerda, não posso dar tempo para ele reagir! Continuo batendo!
- Vamos fazer seu cérebro agitar um pouco! – e por fim soco com força a lateral de seu rosto, vejo seus olhos virando em desespero. Ele vai ao chão completamente grogue, em seguida apaga.
Sinto um impacto estrondoso na parte de trás da minha coxa! A dor é enorme! Olho e vejo o boiola de azul me acertar com um chute! Os ferimentos que consegui ao chutar o vidro daquele carro mais cedo se abrem, o joelho danificado com o impacto não agüenta meu peso, consigo evitar a queda. Como dói! Cada corte feito pelos cacos de vidro começam a abrir, eu sinto cada um deles sangrando. O grandão não é tão burro, não perde tempo e lança seu punho de encontro a minha cabeça, caio de cara no chão. Totalmente indefeso e com muita dor, não consigo levantar. Me arrasto, mas logo outro chute acerta minha barriga, como uma bola de futebol sou levantado para depois cair novamente. A dor me deixa confuso. Ele não para de chutar, tento me defender como posso, inutilmente. O cara bate forte! E eu sinto em cada pancada.
- É isso que é ser herói? – ele ri alto. – Achei que deveria ter poderes para brincar de bom samaritano! Quem você vai salvar assim? – ele continua rindo e zombando, não para de chutar enquanto fala.
Sabia que eu iria me arrepender por ter pulado em cima daquele Corolla! Sabia! Para de lamentar seu cuzão! Reage! Já senti dores piores, já enfrentei inimigos piores. Não vai ser um filha da puta de um viado usando azul calcinha que vai me derrotar!
Ai vem o outro chute, rolo para me esquivar, consigo ficar agachado, então mais um, seco para me atingir, e assim eu deixo! Sua perna me atinge com força, eu a seguro com mais força ainda! Ele assusta com minha reação, vejo isso pela sua cara de girafa amedrontada! Largo sua perna e levanto. Ele está amedrontado, mas vai tentar chutar mais uma vez. Não vou agüentar o corpo-a-corpo nessa situação... A lagoa... Isso! De novo deixo o chute me atingir e novamente agarro sua perna! Em seguida, junto todas minhas forças, e a utilizo como alavanca, para jogá-lo em direção a lagoa. Mais uma vez eu o surpreendo, ele cai próximo a água, chega a molhar o rosto na terra encharcada, ele levanta. Não dou tempo para sua reação, corro e imediatamente chuto seu peito, fazendo-o alçar vôo em direção a lagoa. Ele cai se molhando completamente, mas se ergue em seguida. Ele está com medo, e eu gosto disso.
Agora com a água na altura de nossos joelhos as pernas não serão tão importantes. E em nada minhas feridas irão me atrapalhar. A não ser pela sensação da água gelada entrando nas minhas feridas, adormecendo minha perna.
Escuto o barulho do helicóptero decolando, e passando por cima de mim. Parece tão perto que da para sentir o vento de suas hélices. Meu coração aperta, me distraindo por alguns segundos. Burro! O grandão parte para o ataque, mas em nada minha distração atrapalha por que o boçal parece um boi desembestado, e faz mais barulho que um tanque de guerra! Ele joga seu braço em um soco direto, a camisa apertada e molhada prejudica o movimento, o que da margem para eu pegar seu braço e dar-lhe um balão, jogando para dentro da água, espirrando-a para todo o lado. Não perco tempo, e começo a socar sua cara, antes mesmo dele vir para superfície, com a falta de ar e a dor de meus golpes, imagino seu desespero, isso me empolga. Agora ele está indefeso, e eu bato com força, algo me diz para parar, não ligo. A água começa a ficar agitada e vermelha. Quando não vejo mais movimento eu paro.
Me viro para Natasha, tento não mostrar dificuldade em caminhar para fora da lagoa. Não posso me mostrar frágil. Não em nosso acerto de contas!
Seus olhos me fulminam com ódio. A recíproca é verdadeira.
Quando coloco meus pés em terra firme, me preparo para dizer algo, um clarão ilumina todo o ambiente, surpreendendo até a Natasha, que depois de surpresa, sua face ganha o aspecto de uma alegria perversa. Não... Os olhos e os cabelos vermelhos são tudo que vejo, refletindo o que temo enxergar... O clarão veio das minhas costas... Não... Deus não... Por favor...
Minhas preces são ignoradas, quando me viro em direção a lagoa... Em direção ao trajeto do helicóptero... Uma explosão em cima da Lagoa dos Ingleses! Como se o sol resolvesse nascer antecipadamente. Um clarão em chamas ofuscando o brilho das estrelas. A luz que a destruição emite possui uma beleza cruel ao refletir no espelho d’água. Minhas pernas tremem, meu coração acelera. Quero chorar, quero gritar! Mas não consigo, não há voz, não há lágrimas. Somente meus olhos observando os destroços do helicóptero cairem lentamente sobre a lagoa. O fogo insiste, não quer apagar, iluminando as trevas ao ceifar uma vida inocente. Impotente caio de joelhos, minha cabeça pesa. Deus... Não... Por quê?

Escuto um carro se aproximar, a porta se abre fechando em seguida. A voz fala com empolgação e felicidade, fala com Natasha algo sobre um plano ter dado certo apesar dos contratempos. Não consigo escutar direito, mas a voz é familiar. Levanto-me com dificuldade. Ao me virar... Filho... Da... Puta!
- Não acredita Natsh, nem com três dos meus melhores homens você não matou aquela aberração? – Greg! Aquele burguês esnobe! Ele traiu Magdalena!
A ruiva responde algo, já não consigo escutar mais nada, tudo parece girar como em um carrossel. Silêncio. Algo pulsa dentro de mim. Repentinamente volto a escutá-los, agora suas vozes parecem estar em um volume quase que insuportável, distingo apenas ”vamos matá-lo”. Leio seus lábios, cada palavra, cada fala do almofadinha me atinge como uma bomba sônica. Algo está prestes a explodir, eles precisam se calar!
- Eu vou... – não o deixo terminar.
- Cale a boca! – o grito sai das profundezas do meu ser! - Não ouse abrir essa merda de boca mais uma vez seu filha da puta!
- Como é que... – o ódio toma conta de mim.
- Eu disse cala a merda da sua boca seu filha da puta! – jogo uma das adagas no ombro esquerdo de Greg, o impacto o lança de encontro ao capô de um dos carros. Ele urra de dor.
- Vocês são o tipo de pessoas que eu mais odeio no mundo! Não vejo diferença entre vocês e os desgraçados que estupram mulheres, que abusam de menores, que matam suas próprias mães! Gente como vocês que prostituem garotinhas, jogando suas vidas no lixo, trocando-as por um butijão de gás! Traficam drogas destruindo famílias, causando miséria e dor! Vocês não são pessoas! Vocês matam por dinheiro! Ceifam vidas para suprir a merda de sua ganância mesquinha! – não reconheço minha voz, é um gutural quase demoníaco, será que sou eu que está gritando? – Não a respeito! Não há nada! Estamos à mercê de seres como vocês! Que matam e matam! Mas eu digo... Não! Eu escolhi dar o troco! Eu escolhi viver! E não morrer! Eu escolhi me erguer e não cair! Eu vou proteger as pessoas! Se eu não fizer isso, seremos apenas ovelhas indo direto para o matadouro! – uma vertigem me atinge, respiro fundo e falo baixo para mim mesmo – Só quero que este mundo seja um lugar para se viver, só isso.
Os dois me olham assustados.
- A polícia deve estar chegando em alguns minutos... – minha voz esta rouca.
- Você realmente acha que nós iremos presos? – mesmo assustada essa ruiva não perde a oportunidade de tentar tomar o controle.
- Eu estou somente tranqüilizando vocês... Natasha.- a frieza com que sai essas palavras não é normal. – Rezem para a polícia chegar o mais rápido possível, por que agora eu vou passar a faca em vocês... E isso vai doer muito.
Então minha mente apaga, e o que se segue nem eu consigo entender.
Retomo a consciência.
- Largue essa mulher agora! – um policial jovem da ordem apontando sua 38. Uma viatura atrás dele, seu parceiro sai correndo dela e se aproxima da cena.
Estou com a mão no pescoço da mulher, ela está desmaiada. Alguns cortes no braço, nas pernas e sem um dedo da mão direita, o indicador. Ignoro o policial, e enxergo o corpo de Greg jogado dentro de uma das janelas do Audi, seu braço está longe de seu corpo. Há sangue por toda a parte. Meu peito dói. Percebo quatro marcas de balas no Kevlar.
- Já disse para largá-la! – grita o policial.
- Deixa de ser imbecil o novato! Não vê que ele é o Jack Built? – o outro policial, fora de forma, mas aparentemente experiente intervém.
- I dai? Olha o que ele fez!
- Mais um motivo pra você não fazer nada seu burro! Alias, se você quisesse atirar já teria atirado, não ficaria ai esbravejando feito uma puta querendo dar! Justiça é piada por aqui.
O jovem policial abaixa a arma contrariado e vai chamar o socorro.
- O que rolo aqui em Jack? A cidade ta um caos com esse lance da explosão, uma perseguição na estrada, uma galera no hospital em Lagoa Santa.
- Procure Van Dimitri Nackov, é um figurão não será difícil encontra-lo. – dou as costas para tudo, o velho policial continua a falar, vou até a moto.
Mal sinto meu corpo, retorno para minha casa. Não percebo nada no caminho de volta.
A sensação de sujeira é amenizada com um banho quente. Deito em minha cama, sou surpreendido com minha irmãzinha subindo nela, ela sempre sabe quando eu chego.
- Ta tudo bem mãozim? – ela me abraça, rostinho inchado pelo sono é tão lindo.
- Não muito, sua feiosinha linda. Tô triste. – um momento de sinceridade com uma criança.
- Então dorme tá? Eu te protejo do bicho papão, pode descansar. Amanhã você vai se sentir melhor. – cai uma lágrima do meu olho, ela me aperta forte.
E assim tudo fica mais fácil.
Fim



- Vá. Eu seguro Natasha. Isso acaba hoje! – é tudo que digo, viro as costas, começo a correr.


