Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro

Este é um espaço para expor meus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, desde política até a nova banda que começou a tocar nas rádios. Espero que gostem e que também comecem a despertar seus espíritos para a crítica! Beijos para as mocinhas e abraços para os mocinhos!

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Nome: Pedro Augusto

Um Zé que se chama Pedro.

Terça-feira, Agosto 26, 2008

Jack Built, o Louco - Perto de Cristo, Longe de Deus! Capítulo V - Animalesco

RIO DE JANEIRO – 29 DE JULHO DE 2008
22:20 AM

Denis “Laser” da Silva, do Vidigal. Esse é o próximo. O filho da puta é difícil de encontrar. Já rodei esse bairro umas três milhões de vezes! Já começo a ficar entediado. Ele era pra estar em casa ou em alguma de suas bocas. Não acho o safado! Seria mais fácil se eu perguntasse para aquele garoto segurando aquela AK. O viadinho a segura como se fosse um troféu. Não! Ninguém pode saber que estou aqui.
Parece que tem algo vivo no meu estômago. Fica se remexendo. Espalhando um frio. Será ansiedade? Ansioso pelo que? Aquela conversa mexeu com minha cabeça. Não fico assim há muito tempo. Pareço uma criança que corre atrás de alguma atenção. Merda! Limpa sua mente seu idiota! Temos trabalho a fazer!
O menino atente o telefone. Ele só tem quinze anos. A arma russa é maior do que ele. Começo a leitura labial. Nunca fui bom em ler os lábios, exige concentração, mais uma pitada de dedução. O interessante é como você se desliga do que existe a sua volta nesse momento. “Tá tudo tranquilasso patrão. Pode continuar a cobrança na moral. Do conta dos alemão aqui”. Fazendo cobrança... Aonde? Vou ter que perguntar, não tem outro jeito. Ele desliga o celular. Outro garoto aparece. Jovem, vinte anos no máximo.
- Chama o bonde! Chama o bonde agora caralho! – isso está ficando interessante. O mocinho ali está assustado, chega a bufar.
- Que rolo rapá? – pergunta o menino.
- É o BOPE porra! Os merda tão subindo aí. O chefe não devia ter dado aquele tapa na cara do bacanão. – fala muito rápido, chega a ser difícil de entender.
- Aquele candidato a vereador?
- Isso! O filha duma égua tem costa quente. Já mataram o foguetero... – escuto um disparo. O garoto caí.
O outro é corajoso. Pega seu companheiro e tenta carregá-lo para o beco. A AK não possui coldre, ele a larga no chão. Quando consegue erguer o desfalecido, escuto outro disparo. A canela do menino se parte e ele também cai. Sua mão apalpa o chão em busca do rifle soviético. Devo interferir? Esse ai daria um bom soldado. Não sabe de onde vem o inimigo, está ferido, ainda assim vai em busca de sua arma. Não vou interferir.
Tento procurar os policiais. Analiso as trajetórias possíveis daquele tiro e os vejo. Cinco agentes, subindo de poste em poste. Isso se chama estratégia, do grego... Alguém poderia ter escutado essa piada. Com certeza eles matarão o garoto. Pensando bem, tenho que intervir! Preciso de Denis hoje e aquele coitado sabe onde ele está.
O garoto avista uma provável sombra e dispara sua arma. Seus braços são fracos e não agüentam o coice. Ele atira para todos os lados menos para o alvo correto. Primeira coisa que tenho que fazer: tirar o brinquedo da mão dele. Levo minha mão para minhas costas, pego as foices. Libero a corrente que fica guardada no cabo de uma das duas lâminas. Dois metros de corrente. Um metro de braço? Tem que ser o suficiente. Em resposta dos disparos, os policiais atiram. Acertam o mais velho, agora sim ele está morto. Dois tiros passam de raspão na cabeça do adolescente, agora ela sangra e ele se desespera! Sortudo. Salto da laje. Caio no chão. Temos agora só a largura da rua. Ele está descontrolado. A munição no pente de sua arma está quase acabando, a dos policiais não. Merda! Amanhã, no mínimo irão duas pessoas para a sala de cirurgia por balas perdidas. Corro atravessando a rua. Sinto o calor dos tiros. Armo a foice a lanço até a AK do garoto. A lâmina oval de minha arma prende no rifle. Eu puxo e o brinquedo de terrorista vem até minha mão. Hora da segunda coisa a fazer: salvar o garoto. Em poucos segundos, ele assusta quando vê sua arma fugir de suas mãos. Assusta mais ainda quando pego ele com meus braços e pulo para dentro do beco, tudo isso ao som de tijolos estilhaçados pelas balas. Ele não para de se debater, ainda bem que é leve, isso facilitaria a fuga. Mas não vou fugir. Preciso saber aonde Laser está!
- Escuta aqui! Antes de qualquer coisa me fala aonde seu patrão está? – tento segurá-lo.
- Não falo nada porra! – não é?
- Escuta aqui seu pivete! Acabei de salvar sua vida. Sacô? A porra da sua vida, enquanto você a estraga brincando de soldadinho do morro! – momento pedagógico. – Tem cinco caveiras subindo a rua. Loucos para arrancarem à mesma coisa que eu quero de você. A diferença é que eu não tive que partir sua canela ao meio para perguntar! – mentindo um pouco, talvez eu faria isso. – Ou você me fala ou te entrego para eles!
- Tá na casa da Lidislâine... – ele se perde em lágrimas e desespero.
- Aonde? – eu grito.
- Fica no bairro aqui... – ele aponta. - Do lado! - mesmo chorando e com dor, sua explicação é de quem conhece bem a região.
Pego o celular no seu bolso. Pode ser útil.
- Mais uma coisa... – falo com um tom ameaçador.
- Eu juro que é verdade! Falei tudo! Me mata não... – agora sim ele está em choque.
- Aonde você mora?
Isso agora não chega a ser um choro, é algo que não sei o nome, mas é muito pior. Aquele agudo inexplicável que acompanha a dor. Pego o endereço do jovem. Dou a ele um analgésico, forte o bastante para derrubar um boi. Ele apaga. Saio do beco com ele nos braços.
- Parado aí! – grita o policial de uniforme preto.
- Que porra é essa? – pergunta o outro, minha máscara sempre chama a atenção. Mesmo sendo negra. Quem sabe não uso uma vermelha com um visor de acrílico, quem sabe?
- O quê você está fazendo aqui no Rio? – um terceiro entra na prosa.
- Isso não é da conta de vocês! Agora escutem! – engrosso minha voz.
- Escuta o caralho! Esse moleque ai vem com agente e você também. – o líder provavelmente, começa a andar em minha direção.
Coloco o garoto no chão. O policial se aproxima, como se desejasse confusão. Os outros apontam suas automáticas. Agora ele está mais próximo. Eu o deixo fazer seu show.
- Escuta aqui você... Se acha que isso daqui é pra neguinho fantasiado...
Eu até tenho simpatia por esses homens. Não são corruptos, como o resto da escória desse lugar. Entretanto são muito violentos. Não que essa bandidagem não mereça. Hoje o trabalho aqui é meu, eles querem o Laser e eu também.
- Fica pianinho, vai curti a praia e deixa agente com o trabalho. – ele saca sua bereta e a coloca em meu queixo.
- Capitão! – um outro toma a palavra. – Vamos só pegar essa lixo aqui e descer. O Jack Built ai está do mesmo lado que agente.
O homem se distraí. Era tudo que eu precisava! Sem que eles vejam saco uma de minhas adagas, desarmo o policial e levo a lâmina até o seu queixo. Todos ficam surpresos. Estão tensos. Arranco a etiqueta com o nome que identifica o policial. Daniel de Andrade.
- Siga o conselho de seu colega. Daniel não é? Daniel do BOPE. Agora sei quem você é e tenho um trabalho para você. Escute com atenção. – agora eu dou as ordens aqui. Tenciono um pouco a lâmina sobre a pele de seu queixo, descendo para o pescoço – Leve esse menino para um hospital. Ele mora aqui perto. – dou o endereço. – Avise sua mãe do lugar que ele costumava brincar. Se caso ela já saber. Providencie para que nunca mais ele volte para esse lugar. Você é capaz de cumprir essa missão? – tenciono mais um pouco, quase chega a sangrar.

RIO DE JANEIRO – 30 DE JULHO DE 2008
05:14 AM


Digamos que... O molequinho me passou a perna. Já se foram horas e nada do Denis Laser. Está tudo bem tranqüilo por aqui. Nenhuma troca de tiros, nenhum corpo esparramado em sangue. Não tem o porquê deu continuar aqui. Pesquisarei melhor a rotina desse viado.
Pego o caminho de volta para o ponto de ônibus. Estou até começando a gostar dessa lotação. Seria bom escrever algo depois. Não! Deixarei isso como experiência pessoal. São tantos rostos, vidas, expectativas... Tudo isso dentro de uma lata velha que não para de chacoalhar.
Realmente esse bairro está muito tranqüilo. Da até para escutar uma criança chorando. Nossa! Como ela chora. Elas sempre choram. Isso me deixa puto! Tudo é motivo de lágrimas, dramalhão... Tenha dó. Pelo menos elas são bonitinhas. Eu até gosto de criança... Quando não estão chorando. Nossa! Esse ai ta demais. Vai dar até eco. Paro um instante sem perceber. Algo me faz parar, não sei o que é. Presto mais atenção ao pranto. Está em movimento. Como se o moleque estivesse andando. Dirijo-me até a fonte desse horrível som. Ali está ele... Uma criança em prantos no meio da madrugada é normal. Uma criança em prantos andando no meio da madrugada não é normal. Vou de encontro ao chorão.
- Qual o problema? – paro em sua frente. É um garotinho de três a quatro anos, são todos iguais nessa idade.
- Buuuááá... – ele não percebe que estou em sua frente, está com as pequenas mãos nos olhos, então se choca contra minha perna e cai.
- Eu perguntei... Qual o problema? – o pego pelos sovacos e o levanto, deixando meu rosto de frente para o dele.
Seus olhos se arregalam. Cessa seu pranto, graças a Deus. Suas mãos diminutas tateiam minha máscara, quase chega a arrancá-la.
- Cê veiu mi salva? – sua voz sai estranha em meio a tanta saliva.
- Sim. Qual o problema? – nunca levei jeito para isso. Deveria soltar uma frase do tipo “não tema, estou aqui para salva-lo”.
- Mamãe ta dormindo e não quer acordar. Injeção feia ta presa no braço dela... Tem um monte de pozinho fedorento espalhado no travesseiro... – mãe viciada, coitado, seus olhos começam a ficar molhados novamente. – Leisi pego a Natinha e levo pro quarto... Fui briga cum ele e ele me jogo pra fora. – seu rosto tente a ficar cabisbaixo, o menino está triste por não poder fazer nada, incrível!
Peraí... Leisi... Denis “Laser”! Filho da puta! Parto em disparada para a casa desse bebê desamparado! Levo-o em meus braços.
Demoro poucos minutos, ele aponta para um pequeno barraco. Desço-o de meus braços.
- Espere aqui, falou? – faço um sinal de “jóia”. Ele faz que sim com a cabeça.
Me preparo para entrar na casa. Foices em punho.
De repente sai um homem. Me escondo. Ele é grande, magricelo, tem um bigode ralo em cima de sua boca. Está suado. Ajeita o zíper. Vira para a casa e grita. “É bom arruma grana se ainda quisé bagulho viu sua safada”. Meu sangue ferve. O que estava preso em mim parece que começa a ser liberado. Aquele frio na barriga se torna um calor por todo o corpo. Denis se distancia da casa. Não quero pegá-lo agora. Primeiro a segurança de suas vítimas.
Entro no barraco. Vejo a mãe deitada na cama. Está acordada, ainda muito grogue para se lembrar de alguma coisa. O lugar fede a sexo. Escuto a água do chuveiro, viro meu rosto e vejo a luz acesa em meio ao vapor. Abro cuidadosamente a porta. O que havia de humano em mim vai embora. A garota, a Natinha que o chorão falou... Deus! É uma criança! Menina! Ela tenta lavar algo que está grudado no cabelo, está com um hematoma horrível no rosto... Ela olha para mim, não vejo vergonha em seus olhos. Ela não tem vergonha de eu vê-la se banhar! Ela só fala... “Mamãe ta te devendo também? Espera só eu me lavar... Já vou...” Não consigo escutar o resto. Soco com força a porta, partindo-a no meio. Meu coração dispara. Minhas veias ficam quentes. Minha perna começa a tremer. Aperto meus dentes, não me importa se eles começarem a trincar! Isso é ódio! Corro até a rua... Corro até Denis!


RIO DE JANEIRO – 30 DE JULHO DE 2008
5:43 AM


- Denis? – ele se vira.
- Que? – acerto seu rosto. Ele voa.
No chão. Isso! Fique aí! Corro e acerto o meio de suas pernas. Escuto o som de algo explodir. Ele grita e eu me sinto bem!


RIO DE JANEIRO – 30 DE JULHO DE 2008
5:45 AM

- Que merda cara! Arg... Urg... Aaaaahhhh! Quem é você carai! Tu tá locu? – ele urra de dor enquanto enfio o arame entre suas pernas. O sangue jorra. Deve doer muito.
- Por que você não se perguntou isso há uns minutos atrás quando violentava aquela garotinha?
- Porra cara! Para! Aaaaahhh! A mãe dela não dava pro... Aaaaahhh... – agora amarro as pontas do arame, isso acaba puxando um pouco a carne.
- Eu sei, já entendi tudo. A mãe dela é uma vadia viciada em pó, crack e outras merdas. Certo?
Ele confirma com a cabeça. Sua cara de vagabundo me da raiva só de olhar. Esse cabelo oxigenado, com um desenho do Flamengo, pele morena, uma roupa de marca, corrente pendurada no pescoço. Não pude deixar de notar a tatuagem do “O Comando Comanda”, algo do tipo. Comanda meu saco, seu traficantezinho de merda.
- Ela não tinha mais dinheiro para... Pagar. Pó brother, alivia ai pô... – sua respiração está falha,mal consegue falar. Tentar negociar comigo é inútil, ele já devia ter percebido.
- Escuta aqui seu covarde, eu pareço alguém que negocia com traficante? Eu tenho cara de quem da mole pra um filha-da-puta que destrói a vida das pessoas? – chego bem perto do seu rosto, ele sente meu hálito de menta saindo da máscara.
- Oh doidim... – puxo o arame, ele tem um espasmo de dor.
- Respeito! Isso você não tem não é seu babaca? Vou te ensinar um pouco esta noite.
Coloco o meliante em pé, suas pernas tremem enquanto se esvai em vermelho vivo, com as duas mãos seguro a gola de sua camiseta e o trago novamente para próximo do meu rosto. Exibo minha força levantando-o do chão. Ele tenta falar algo, mas não deixo. Essa noite é minha!
- O que você vai falar eu já sei! Eu não do à mínima se você teve uma infância difícil! Se o Estado não comporta a população daqui, não da uma educação de qualidade, nem um pingo de assistência e os deixa a mercê de marginais, criando uma porra de um círculo vicioso! – ele não entende bem o que falo, é de se esperar, vítima de sua própria ignorância, mas não uma vítima para mim. Que se crie o chamado Direito alternativo para resolver os conflitos aonde o Judiciário não chega, mas não me venha falar que você tem o direito de destruir a vida dos outros! – a confusão e a dor que ele sente fazem queimar sentimentos e sensações em meu interior. Você não tem esse direito! – agora eu grito, algumas luzes se acendem na vizinhança. Você! Não! Entendeu?
- Me mata então carai! Vai cê é tão fodão assim, me mata! – desaforado não?
Jogo-o no chão com toda a força, ele quica uma vez. Coloco o pé em sua garganta, como gostaria de pisar e ver seus olhos pularem para fora do rosto. Mas, não. Eu não faço isso.
- Eu não vou te matar. – seu rosto emite uma expressão de alívio.
Chuto suas pernas amarradas com o metal do arame. Arame enferrujado.
- Está vendo isso? – aponto para a armação que fiz com sua própria carne. Está enferrujado, provavelmente você pegará tétano. Aparecerão sintomas bastante intensificados, causam, com freqüência, aspiração de salivas ou do conteúdo gástrico para as vias aéreas durante as crises de apnéia. Poderá ocorrer também uma rigidez generalizada. Mas você não ira morrer, eu não vou te matar.

O medo volta a seus olhos.
- Eu vou te usar.
Escrevo um pequeno recado para quem vier buscar esse lixo humano. Seja a polícia, sejam os seus comparsas. Eu quero que eles saibam! Todos eles! A imprensa! Todos! Eu vou fazer as coisas do meu jeito agora! Eles esconderam informações, mas eu sabia de tudo. Discrição? Isso não está na moda. Eu preciso estar na moda.
- Me usar? Como? – seus olhos ficam cheios de lágrima.
Os moradores locais começam a acordar com o primeiro sinal do amanhecer. Pessoas que sacrificam seu sono para dar o sustento a seus filhos e aos impostos desse país ingrato, já levantam, e assistem ao show na primeira fila. Isso é para vocês e por vocês!
Me aproximo novamente do excremento de homem a minha frente.
- Você já ouviu falar em “espetacularização”?
Ele esbanja curiosidade. Ele em seguida conhece a sola da minha bota por inteiro, piso com força em sua cara.

RIO DE JANEIRO – 30 DE JULHO DE 2008
08:47 AM

No Folha On Line:


“Jack Built prende traficante acusado de coibir campanha eleitoral no Vidigal”


No O Globo:


“Vigilante mineiro aparece em favela carioca”


No Estadão:


“Dito herói mineiro age com violência no Rio”


No Estado de Minas:


“Jack Built no Rio de Janeiro?”


Na Folha de São Paulo:


"Traficante é torturado por Jack Builto, o Louco”

Esses e mais meio milhão de revistas e jornais editados as pressas. E nada sobre as crianças
que conheci esta noite. Meu telefone toca.

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

O Dia Que Nunca Chegará


Não consigo dormir. Minha perna não para um segundo. Não sei o nome desse sentimento. Misture empolgação, adrenalina, paixão e amor. Agora balance tudo! Balance bem rápido! Em seguida se imagine em um êxtase, como se o mundo fosse acabar amanhã, e o que passa em sua cabeça no momento é "eu posso morrer em paz". É assim que eu me sinto ao escutar a maior banda pesada de todos os tempos: Metallica!
Não tem como não falar um palavrão quando penso nessa banda. Puxa, é uma questão de lógica simples. Todos sabem que Metallica é "du carai"! Eles são foda! Muito mesmo! Não vou falar que eles venderam cem milhões de discos... Não! Que eles são a banda que mais vende na atualidade, estando atrás apenas dos Beatles? Não! Então que é o grupo musical que mais atraiu público na América do Norte? Já sei! James e Lars já tocaram em toda sua carreira para milhões e milhões de pessoas... Ou então que eles inventaram um gênero... Quebraram o paradigma de que música pesada não possui sentimento, levando o vulgo "metal" ao topo das paradas em todo mundo! Quando chegam em uma cidade para realizar um show, como na Turquia mês passado, eles movimentam mais a economia do lugar do que a seleção brasileira quando joga no Brasil. Não quero levantar nada disso... Peraí... Esqueci dos Grammys, muitos!
Voltando... Toda essa "grandiosidade" do Metallica não vale aqui. Eu sou fã deles simplesmente porque eles salvaram a minha vida! Digamos que eu nunca fui muito normal, quem o é afinal? Eu estava na fossa na época. Literalmente. Sozinho em um mundo hostil, recém descoberto. Escutava músicas populares de qualidade (e masculinidade) duvidosa. Lá estava o pequeno e recente Zé, vendo a MTV, aguardando os Backstreet Boys em primeiro lugar no ranking dos clipes. Estava ansioso e torcendo pelos meus ídolos. Até que... Segundo lugar! Sem mais nem menos! Alguém roubou o trono diário da boy band (mais macho pelo menos do que N'sync). O video começava escuro. Macabro. Uma banda aparece em meio a fumaça. A já pouca luz refletida nas guitarras. Uma música lenta começava, fiquei paralisado. O sentimento ia aumentando a medida que a música ganhava energia. Foram seis minutos de total hipinose. Esse foi um dos dias mais importantes da minha vida, e jamais esquecerei... O dia que eu escutei e vi o Metallica pela primeira vez.
A primeira reação é a mais óbvia possível, "deixarei o cabelo (que já estava grandinho) crescer mais". Segunda atitude para completar, "preciso de roupas pretas". E a terceira, essa por sua vez buscada inconscientemente, a autenticidade. Metallica me deu uma identidade. Eu sou fã do Metallica! É como uma religião, só que cheia de energia e sentimento!
Comprei albuns, camisas, pôsteres... Escutava sem parar sucessos como Fade To Black, Nothing Else Matters, Enter Sandman! Das pesadassas (que deixam Slayer no chinelo), das baladas cheias de significano, mas o significado mais importante, o que nos torna humanos. Corri atrás de fitas cassete de shows magníficos. Você já viu Metallica ao vivo? Não sabe o que está perdendo. Fogos estouram. O povo grita e canta a uma só voz (Die, Die, Die). Depois fui atrás dos Dvd's. Do filme Some Kind Of Monster. Até livro! Metallica e a Filosofia. Aprendi mais coisa nele do que em muitos lugares. Eu sou tiete! Apaixonado por esse monstro.
James Hetfield é uma das pessoas mais humanas que eu já vi. Lars é o mais louco, verdadeiro gênio. O Kirk e sua personalidade inconfundível. Também temos o falecido Cliff Burton, não viu ele tocando baixo? Sua vida ainda não se completou. Jason e Robert, antigo baxista e o novo, respectivamente. Ícones!
Já vi também o Metallica parar um show para um fã pedir a noiva em casamento. James ser homenageado só umas quatrocentas milhões de vezes. Trezentos mil tributos. Nem os saudosistas, que não sabem o que é amadurecer e vivem chorando que perderam a virgindade com o Master Of Puppets, negam o poder da música pesada e cheia de sentimento do Metallica.
E sabem o melhor? Eu continuo tendo essa paixão viva dentro de mim. No momento eu escuto uma nova música, no album que será lançado em setembro. Não sou nenhum crítico musical, mas sei quando uma coisa possui qualidade. Eu sei porque meus pés não param de mexer, minha cabeça teme em balançar, e meu coração queima! Faz dez anos desde a primeira vez que escutei o Metallica, e ainda me sinto uma criança quando escuto a música nova. Um menino que quer dormir com o brinquedo que acabou de ganhar, ou então quando ele quer passar a madrugada brincando com ele, só ele e o brinquedo. Eu me sinto assim, um recém nascido descobrindo o mundo. Só que agora é uma canção nova... O meu coração é o mesmo, porém maduro, dez anos depois... Depois de tristezas, decepções, emoções vividas. Pessoas passaram, lugares foram se despedindo. Experiências novas chegaram. Momentos únicos! Cada pedacinho do passado que vem construindo o que eu venho a ser. Mesmo com isso tudo, ainda estou aqui, sem nenhuma vontade de parar, e assim como eu, minha trilha sonora continua me seguindo (e cada vez mais "du caralho"!). Sabe como se chamará o dia, em que meu coração não arderá de paixão pela vida? Ele se chama "O Dia Que Nunca Chegará".

"Tão perto não importa o quão distante
Não poderia esperar mais, vindo do coração

Para sempre confiando em quem somos
... E nada mais importa"

"O que eu senti,
O que eu soube
Virando as páginas,
Virando as pedras
Atrás da porta
Eu devo abri-la pra você?"

"A vida, parece que vai sumir

Indo mais longe todo dia
Se perdendo dentro de mim mesmo
Nada importa, ninguém mais
Eu perdi a vontade de viver
Simplesmente nada mais a dar
Não há nada mais para mim
Preciso do fim para me libertar

(...)

O ontem parece nunca ter existido
A morte me acolhe carinhosamente
Agora eu vou dizer apenas adeus"

Terça-feira, Agosto 19, 2008

Eleições 2008: Algumas declarações e um manual de "Como Não Ser Feito De ..."

É chato! Eu sei! Não queria mesmo escrever sobre as eleições municipais. São sempre tão enfadonhas. Se resumem a santinhos, carreatas, no passado os "showmíssios" (sei lá como escreve essa porra) com bandas abaixo da mediocridade e muita falácia - das grossas.
Tendo as cidades do interior como foco, já que moramos aqui, mas sem deixar Belo Horizonte passar desapercebida, trago algumas considerações. Na capital estamos diante de uma quebra de paradigmas. Sério! Lá temos um candidato "neutro", que flerta com a ala petista, apoiado pelos tucanos. Um "ou seja" para facilitar, temos um candidato sustentado pelo PT e pelo PSDB.
Se isso chega a ser anti-democrático eu não sei. Afinal fazer aliados políticos é algo normal, não é proibido pela lei - não mesmo, se fosse ai sim seria contra o ideal democrático! Entretanto, como (repetindo a palavra mais uma vez) Democracia precisariamos de uma oposição para fazer frente a possíveis (CERTOS) abusos, atos corruptos e outras maracutais, sacoladas ideológicas, pá e tal. Em BH não teríamos uma oposição? Isso é perigoso. Quem é mineiro sabe que oposição é algo alheio a cena política de nosso Estado. Ou alguém ai já criticou o Aécio e apareceu no Estado de Minas? Tem algum ser querendo falar mal do nosso governador? Aquele que SUPOSTAMENTE - de acordo com boatos da língua popular - é (AUTO CENSURA PARA NÃO COMETER ILÍCITOS PENAIS), mas pegou a Ana Paula Arósio e FAZ - seja lá o que isso significa na cabeça de cada um.

Viajando para a terra das porteiras o show é um pouco mais descabido, menos elegante e ninguém pegou a bonitona da Globo - e ninguém FAZ (não sei o que é isso). Falasse em campanha política, pensamos na sujeira das ruas, nas compras de votos, nos sacos de cimento, nos churrascos, na poluição sonora, enfim, estamos no inferno e ainda temos que votar no capeta. Eu afirmo com a total e absoluta certeza, o interior é o maior palco do show de aberrações! Apesar de termos na capital umas pérolas que merecem destaque como o Vovô do Rock e seu corolário "roqueiro vota em roqueiro", rola também um tal de Azulão, eu já vi um Batman - JURO! As freaks do "sertão" são piores. Se fantasiam de "gente da comunidade", pais de num sei quem, irmão de fulano de tal. Temos padrecos, freiras, fazendas... Fora as músicas ridículas, que vão das versões de músicas já idiotas, até enredos dignos de um sambodromo na Afonso Pena. É como na corrida para o Planalto... Todos querem uma tetinha da República. Não duvido que aja boas intenções no meio da balburdia. Existem pessoas bem intensionadas. "Retomando-me a mim mesmo" - coloco aspas para não falaram que errei sem querer e me chamarem de alguma coisa: nem boa intenção está a salvo da imbecilidade.


E é nessa imbecilidade que vemos nossa Justiça Eleitoral sacrificar a Liberdade de Expressão em face das mulas-cidadãs que necessitam de proteção. Afinal, alguém tem que nos proteger dos malcuminosos sanguessugas políticos, certo? Por mim tudo bem, desde que mantenham a minha liberdade! Eu sei que existem pessoas iletradas e ignorantes, daquele tipo que acha de tem o dever moral de votar no "bem intencionado" que mandou fazer suas identidades, ou que levantou o muro de sua casa, ou que matou um boi em sua fazenda para chamar o "povo" pro churras. Também sei que existe poluição sonora, visual, intelectual, social, animal. Mas apagar comunidades de candidatos do orkut? Coibir uma revista de publicar uma entrevista com um candidato? Mandar refazer um milhão e trezentos mil santinhos só porque a coligação partidária estava com letras pequenas - só um cego ou um desinteressado não leria - isso é certo? Continuo. O vice-governador Anastasia elogiou a Justiça Eleitoral como se ela fosse de primeiro mundo, não duvido. Então esses fatos demonstram que nem uma instituição séria está salva da imbecilidade das boas intenções. Você não se sente lesado em ser taxado de incapaz? Um asno! O partido precisa estar estampado na cara do futuro vereador? Não seria papel do eleitor buscar informações a respeito do candidato? Nãããooooo!!! Estamos as margens de um jogo marketeiro sem vergonha (financiado pelo dinheiro público), uma legislação repressora, e somos um bando de desinteressados sem capacidade volitiva! Ainda não te convenci, saca só:

RESOLUÇÃO 22.718 - INSTRUÇÃO Nº 121 - CLASSE 12ª - BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL.Relator Ministro Ari Pargendler.CAPÍTULO IVDA PROPAGANDA ELEITORAL NA INTERNETArt. 18. A propaganda eleitoral na Internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral.

Esse artigo interpretado da maneira mais fácil - sempre literalmente, como a Lei dos Trouxas: Toda lei deve ser seguida a risca - podemos concluir que nem o meu blog poderia conter algum tipo de apoio a esse ou aquele candidato. E é justamente isso que vemos. Comunidades no orkut sendo deletadas! Sem importância... Na Folha On Line:

"
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou na sessão desta quinta-feira, por 6 votos a 1, a proposta que permite que candidatos e pré-candidatos às eleições municipais dêem entrevistas jornalísticas, participem de debates e encontros antes do dia 6 de julho, quando começa a propaganda eleitoral. Com a mudança, os entrevistados podem falar sobre suas propostas de governo sem que as entrevistas sejam consideradas propaganda eleitoral antecipada."

E agora? Tem alguma importância? Se você vive em uma democracia, isso tem muita relevância! E como tem! Vou refrescar a memória das intenções do nosso Ministro da Saúde em censurar a publicidade dos alimentos que, segundo ele, eram "prejudiciais a saúde". Mais uma vez, o cidadão é um boçal que além de não saber escolher seus representantes, não sabe se alimentar direito. Valho-me das propagandas de cerveja e sua, também, redução no espaço televisivo. Não sabemos beber também - a Lei-bêbada. Ou quem sabe a recente Lei da Imprensa, debatida recentemente na ANJ (Associação Nacional dos Jornais). Lá falaram uma verdade interessante, "é um atalho tentador achar que tudo se resolve com mais controle".
Perdão se divaguei. Retornando, permitam-me citar Reinaldo Azevedo:

"E onde é que ela decide ser severa? Justamente no meio de comunicação — porque é o que é a Internet — que permite a participação livre do internauta-eleitor: ele pode opinar, editar coisas, debater, dizer o que pensa. Não, não! Os doutores acham que, assim, é liberdade demais! Eles pretendem ter a nossa tutela. E acreditam piamente que a Constituição e os Códigos Civil e Penal não podem dar conta de eventuais transgressões. Por isso criam leis específicas — e a conseqüência do que nasce viciado no princípio não poderia ser outra: menos liberdade.
Ora, entrem no Youtube para ver a guerra travada entre democratas e republicanos. E quem ousaria dizer a um americano que ele está proibido de expressar sua opinião política na Internet? A Primeira Emenda impede a censura. Ocorre que a Constituição brasileira também! Mas deram um jeito de criar uma portaria que, vejam o escândalo!, na prática, faz da Carta, nesse particular, letra morta."
Está a necessidade de motivarmos nossas escolhas em pessoas corretas. Mas como saber quem é ou não é correto? A publicidade que vemos só exalta as qualidades de seus objetos - os candidatos. Essa mesma ferramente que é regulamentada por tal Justiça Eleitoral, nos traz enormes mentiras e falácias sem tamanho. Concluir somos pessoas incapazes de escolher, já que estamos a mercê de toda essa bagunça cheia de inverdades é algo errado. Trago aqui um pequeno manual de "Como Escolher Seu Canditado Sem Que Você Se Foda". Não é nada em definitivo, nem é possível fazer um manual para isso. E já adianto essas vinhetas ignorantes do governo federal não ajudam em nada! Aquela do cara procurando não sei o que no carro e o trem passa, lembrou? Mudou sua vida aquela idiotisse, que é verdade, mas não te leva a nenhum lugar. Devemos votar em quem confiamos, por aspectos tanto subjetivos, quanto objetivos, aqui vai a lista:

1 - Reputação ilibada.

Uma reputação incorrupta, pura. No sentido legal é claro. Lembrando-se que para uma pessoa ser declarada culpada necessita-se do trânsito em julgado da sentença. Essa idéia de "lista suja", pessoas que respondem processo, não pode e nem deve ser engolida.

2 - Propostas específicas e possíveis.

Nada de "prometo mais empregros", "vou priorizar a saúde", "salário mínimo de mil reais", ou o pacote completo "saúde, segurança e trabalho". Tem aquela velha "a educação em primeiro lugar". É tudo marketagem safada! Todas essas coisas já devem ser priorizadas, e isso está previsto na Constituição, nossa lei primeira. Dedique sua atenção aquelas propostas que vizam certos objetivos específicos, do tipo "hortas comunitárias", "expansão das linhas de ônibus de tal bairro a tal outro", "negociar a abertura de uma filial de tal empresa nos arredores da cidade", "melhoria no saneamento básico de tal e tal lugar". Quanto mais específico uma apresentação de projeto, mais possível ele se torna. Além de demonstrar prévio planejamento por parte do candidato.


3 - Verifiquem a escolaridade.

A nível municipal eu não daria tanta importância a tal requisito, tendo em vista os vereadores - se possuir curso superior isso é realmente um plus -, considero indispensável para legisladores federais e estaduais e para qualquer um do Executivo, ai sim eu incluo o Prefeito. Conhecimento é a chave para qualquer progresso, e não a boa intenção. Veja a imagem, cortesia do nosso querido Zangão Esperto (http://www.matheussamotta.blogspot.com/):


Ensino Fundamental Incompleto. Sim, eu escrevi com letra maiúscula. Não duvido que o homem queira o bem da comunidade ou que seja um homem inteligente, contudo objetivamente falando, eu nunca confiaria meu voto em alguem que não viu pelo menos algo sobre a Física, logaritimo, ou quem sabe sobre a ditadura militar - não que isso tenha mudado minha vida, odeio fórmulas e logaritimo foi um terror. Conhecimento é conhecimento, faz o cérebro trabalhar...
4 - "Boa vontade".

Isso é um aspecto subjetivo de extrema importância. A pessoa estará fazendo de bom grado tudo que terá de fazer? Ela terá um município como responsabilidade (outro requisito), e isso não é algo que se deva fazer ao leu. A pessoa irá encarar uma estrurura minada por anos de descaso e corrupção. Para isso ela precisará contar com sua própria "boa vontade".

5 - Responsabilidade.

Outro aspecto subjetivo, que se traduz na pergunta, "a pessoa cumpre com suas obrigações?". O futuro governo terá obrigações, perante ao cidadão, isso deverá ser honrado. Vale ressaltar que "obrigações" aqui tem sentido diferente de "promessas". Bem, em qualquer lugar elas tem sentido diferente, a não ser que se registre em cartório, mesmo assim são coisas distintas!

6 - Profissão.

Diferente de emprego. O canditado deve ter uma profissão! Mesmo desempregado ele deve ter um outro meio de ganhar o pãozinho de cada dia. A pessoa que luta por um cargo público deve ser profissional. Como advogado, administrador, padeiro, comerciante, puta, ou qualquer outra. Isso minimiza a chance dele se tornar um POLÍTICO POR PROFISSÃO - aquele tipo que gosta de permanecer no poder por muiiiitoooo tempo, se ele ainda não salvou o mundo em 10, 14 ou 16 anos, não salvará agora. Esses por sua vez devem ser evitados a qualquer custo.

Estão ai meus critérios. São neles que me baseio e acredito que são corretos em um prisma democrático, visando a eficiência e a legalidade para minha cidade, estado ou país. Eu vivo em um lugar onde tenho que ser livre para escolher... Se alguém pensar que não sou capaz disso... Estará errado!


"Nunca expliquei porque os sambistas não entenderiam nada. Nem teriam consciência do fato, eles que de fatos não têm consciência nenhuma. Gente danada de boa, gente danada de talentosa, mas, coitada, muito ignorantizinha.
(...)
Limito-me a relatar os dados que vejo nos diversos veículos de comunicação, jocosamente chamados, em seu conjunto desavergonhado, de mídia, por aqueles que respiram, e se intoxicam, com fatos ou tudo aquilo que passa por fato."

Ivan Lessa*


*Adoro citações, principalmente quando estão presentes em um texto que não tem nada a ver com o tema proposto, mas se encaixam perfeitamente. Essa é a magia de escrever.

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

A Mente do Zé por Matheus Sá Motta

Não tem como não gostar desse desenho! Voyerismo pessoal, eu acho. Enfim, meu caro amigo Teteu voltou a dar as caras nesse blog. Já ilustrou alguns textos que podem ser encontrados por aqui, como o "Evite Trair", "O Ciclone e o Aguaceiro", "Manual Anti-Dr's - Para Homens", só conferir. Agora criou uma logo, uma marca, um símbolo para a Mente do Zé (não me perguntem o que vem a ser "mente do Zé", ainda estou descobrindo). Essa arte é uma definição do que ele pensa a respeito do que lê nessas linhas. Eu gostei! E espero que vocês também...

Para mais Matheus Sá Motta: http://matheussamotta.blogspot.com/.

Houveram outras pessoas que exteriorizaram sobre o que vem a ser "a mente do Zé". Imprimi os textos que fiz ao longo de dois anos de blog em um único condensado, para o arquivo pessoal. Para dar um tom de obra literária algumas pessoas se expressaram no que eu chamo de Prefácio e Apresentação, respectivamente, meu velho Lucas Braga e minha psicologa nas horas vagas (mais louca que eu) Ângela Martins. Transcrevo com orgulho as palavras de Lucas Braga:

"A força da nossa amizade vence todas as diferenças... Aliás... Para que diferenças, se somos amigos? Quando erramos... Nos perdoamos e esquecemos. Se temos defeitos... Não nos importamos... Trocamos segredos... Conversas no sofá, na lagoa ou onde seja e respeitamos as divergências... Nas horas incertas... Que horas incertas? Nos amparamos... Nos defendemos...Sem pedir...Fazemos porque nos sentimos felizes em fazer... Nos reverenciamos... Adoramos... Idolatramos... Apreciamos... Admiramos. Nos mostramos amigos de verdade,quando dizemos o que temos a dizer... Nos aceitamos , sem querer mudanças... Estamos sempre presente,não só nos momentos de alegria,ao ouvir boa música, compartilhando prazeres, mas principalmente nos momentos mais difíceis... Sabe que carrego em meu peito uma pequena lembrança,mas que pra mim muito vale, embora carregue meu nome nela. É o seu que me lembro ao vê-la em meu peito. Meu amigo cujo nome não me importa se é Zé ou Pedro ou Jack. Que nem à distância, nem o tempo e nem mesmo os nossos erros, terminem a nossa amizade. Nada é mais valioso do que ela.

Estes serão os primeiros de muitos capítulos de sua vida e espero sinceramente continuar fazendo parte deles, suas histórias relatam uma perspectiva de um mundo o qual vivemos e sabemos que fatos e pessoas existem.Somos Heróis...".

“Na verdade, a mente é uma expectadora de tudo que pensa. Vendo essa possibilidade, o ser humano apenas se adequa ao seu nome, mas a mente continua livre de ser denominada.”

Ângela Martins, sobre a Mente de Um Zé Que se Chama Pedro.


Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Jack Built, o Louco - Perto de Cristo, Longe de Deus! Capítulo IV - Heróis de Guerra

RIO DE JANEIRO – 29 DE JULHO DE 2008
10:01 PM
.

Sai à meia hora do Copacabana Palace. O ônibus parece demorar mais do que o necessário. Não me importo, a paisagem me conforta. Esse sol amarelo brilhante, o calor típico de um país tropical e as mulheres. Deus salve o calor e as poucas roupas.
Estou hospedado no melhor hotel da cidade. Só por isso já fico feliz. Meus equipamentos ficam guardados na Base Naval, portanto sou mais um turista quando estou no hotel. E foi assim que eu me senti na corrida matinal pelo calçadão. Adoro essa sensação... De não ter responsabilidades.
O General quer bater um papo comigo, provavelmente vai me xingar por não entregar o safado do Toninho Pereira. Vou guardá-lo aonde somente eu vou saber.
O ônibus para. Entra uma mulata linda! Modelo com toda e absoluta certeza. Meus olhos percorrem todo seu corpo. Ela está com um pirulito na boca, meu Deus! Como isso é sexy! Rezo para que ela se sente ao meu lado. E ela senta. Eu sorri para ela e ela para mim. Eu amo essa cidade!

- Bom dia. – eu comprimento.
- Bom dia. – ela responde.
Agora é hora de usar todas suas táticas, garotão!
- Você vem... – algo chama minha atenção. Merda! Isso não!
- Todo mundo cala a boca e passa tudo que tiver! Vamos rápido seus filha-da-puta! Vai merda! Passa essa porra de dinheiro! – que porra! Logo agora que estou com uma moça linda ao meu lado um pé rapado resolve assaltar o ônibus.
Ele é branco, parece que não toma banho há alguns dias. Sai pegando celulares e dinheiro, ele está louco, provavelmente drogado. Maldito tem seus meios de arrecadar fundos para seu suicídio. A morena está assustada. Ela chega seu corpo perto do meu. Bem... Até que esse assalto veio bem a calhar. Hora de impressioná-la.
O merdinha chega à altura de nossos acentos.
- Vamo, vamo! – ele fala quase babando sobre a pela macia dela.
- Eu só tenho o dinheiro da passagem... Não tenho mais nada... – isso acontece, e como acontece. Ninguém sai com grana sobrando hoje em dia no Brasil.
- Sua vaca! – ele ta um tapa no rosto da moça, o pirulito voa para longe. – Fala pro seu namoradinho ai passar tudo então!
Meu sangue talha. Mas falo calmamente, não posso arriscar. Se esse desgraçado disparar vai ser uma merda. Estou sem minhas armas, o que me faz gostar ainda mais da situação. É sempre bom praticar um desarmamento manual.
- Escuta aqui seu filho-da-puta! – eu grito, “calmamente”. – Por que você não vai assaltar a buceta da sua mãe?
- Cê é loco playboy? – ele se prepara para atirar.
Antes que ele perceba, tiro a arma de sua mão. É um movimento chamado cobra, um ataque rápido que não permite que o oponente desvie. Agora estou apertado no corredor do ônibus, eu estou com sua arma. Ele começa a sentir que a situação não está a seu favor. Os passageiros gritam de felicidade. Como uma torcida que vê seu time virar a partida. Eles gritam! E isso faz queimar uma felicidade em mim. Eu adoro meu trabalho! Ele está encurralado. Mesmo assim prepara para o ataque. Tira um canivete do bolso e corre em minha direção. Ninguém vê corretamente o que acontece, ninguém entende a técnica que eu usei para torcer seu braço... Em compensação todos vêem a janela do ônibus estourando, enquanto o corpo do assaltante é lançado para fora do ônibus. Voam cacos de vidro. Ninguém se machuca. O motorista para o veículo.
- Está tudo bem, meu anjo? – pergunto a beldade em minha frente.
- É... É... – ela mal entende o que acontece.
Ela suspira. Então, me puxa e me da um beijo. Elas gostam é de macho! Pena que já estou a dois quarteirões da base. Desço no próximo ponto, os passageiros agradecem. Nunca mais vou vê-la novamente.
Entro por uma entrada “vip”. Já coloco minha máscara. E vou em direção ao quarto aonde guardo meus equipamentos. Essa entra é “vip” não há ninguém aqui. Feita exclusivamente para mim, como requisitei. Gosto de privacidade. E não confio em ninguém também. Visto meu uniforme. Só como formalidade. O General chamou Jack Built, e é ele que irá ver. Vou para o quartel principal.
Entro na sala do Costa Machado. Ele já estava me esperando. É uma sala bonita, a qualidade da madeira impressiona. Várias fotos em preto e branco de uma época gloriosa. Vários bustos de militares importantes. Esse ambiente é intimidador, ao menos para mim. Ele é uma autoridade! E tem o porte para ser assim.
- Bom dia meu jovem. – ele cumprimenta, em seguida da uma baforada em seu charuto.
- Bom dia senhor. Aonde estão os outros?
- Hoje sua conversa é comigo. Belloto e Oswaldo estão tratando de outros assuntos. E também não gostaria de que eles participassem dessa conversa. Eu sei que você não confia neles. – ele está certo, o gordo é passivo demais e o magrelo se acha muito esperto. – Eu entendo suas razões. Eu também não confiava neles. Mas preciso confiar. Estamos fazendo algo importante para minha cidade, você sabe disso. – estranho, ele usa a palavra “minha”.
- General, se for por eu não ter trago o traficante... – ele me interrompe.
- Entendo seus métodos garoto. Você faz bem uso deles, e eu confio em você. – ele aponta o dedo indicador em minha direção, ele sabe mexer com o ego alheio, eu faço seu jogo. – Te trouxe aqui porque quero que vá a um lugar comigo.
Isso me impressiona! Não esperava isso.
- E qual lugar seria esse? – indago.
- Um cemitério. – me surpreendo de novo. – Vamos aonde os verdadeiros heróis desse país estão dormindo.
Trocamos mais algumas palavras. Coisas banais sobre a missão. Qual o próximo alvo. Aonde irei esta noite. Nada importante. Tudo isso a caminho do helicóptero. Entramos na máquina voadora. A hélice começa a girar paulatinamente. A coisa vibra, é barulhenta. Uma arma de guerra. Então começamos a ganhar os céus. Somente eu e ele. Não há ninguém mais dentro do helicóptero. Continuamos a conversar. Sobre política, ditadura militar, não quis criar polêmica, então somente concordava com seus argumentos. Contrários aos meus às vezes, mas tinham seu charme. Era um homem sábio.
Chegamos a uma parte afastada da cidade. Ele pousa o helicóptero. Do alto já consegui avistar os túmulos. Quem está enterrado aqui?
Descemos. Começamos a percorrer um pequeno caminho de pedras. Vejo um portão com adornos metálicos modestos, entretanto é sua modéstia que o faz ser belo. A vegetação aqui protege o sono dos mortos. Um lugar arborizado e pacífico. Chego a cogitar que não estamos no Rio de Janeiro. O General está calado, um pouco cabisbaixo. Não começo uma conversa. Apenas o acompanho. Entramos no portão. Ele acena para o coveiro que está arando o gramado. Já estamos em meio aos túmulos. Um sentimento fúnebre toma conta de mim, misturado à paz que esse lugar transmite. Borboletas voam baixo, compartilhando sua beleza com o mundo. Passarinhos cantam a sinfonia da natureza. Nessas horas eu começa a lembrar que ainda posso sentir algo. Reparo até nas flores brancas que homenageiam a memória dos falecidos.

O General para em frente a uma cripta. E bate continência. Então leio o nome do morto. Sargento Frederico Machado. Ano da morte, 1945. Sinto um arrepio.
- Ele é meu irmão. – Machado fala com uma voz engasgada, de quem tem vergonha de seus sentimentos sensíveis.
Fico calado, alguns segundos se passam.
- Irmão mais velho. Meu ídolo. Meu herói. – não falo nada, aguardo a história que está por vir.
- Ele foi convocado para a Segunda Grande Guerra. Ele atravessou o oceano para combater o mal. Você entende o quão isso foi importante? – confirmo com a cabeça. – Dizem que a participação do Brasil foi insignificante. Falam que mandamos meia dúzia de pracinhas para fingir apoio aos Americanos. Os livros de história exaltam a Rússia e os Estados Unidos... E o Brasil? Nada. A não ser sua meia dúzia de soldadinhos. – ele engole seco. – Mentira! - ele grita, uma lágrima arrisca a descer. – Mandamos nossos melhores homens! Os melhores brasileiros! E o melhor deles era... Meu irmão...
Entendo... Penso comigo.
- Afinal, como poderíamos ajudar? O melhor de todo o poderio militar brasileiro sempre foi o homem. Falam também que a Guerra já estava ganha... Mandamos nossos heróis para a Itália. Lá o nazismo ainda comandava. Era forte. Nossos pracinhas entraram pelas praias italianas e foram derrubando brigada por brigada. Meu irmão comandava os ataques. Na época eu ainda era muito jovem para entender a magnitude da luta contra o Nazismo, mas eu já sentia. Vamos chutar a bunda do Hitler! E meu irmão estava lá! Matando as pessoas malvadas! – ele esbanja orgulho. – Até que um dia a batalha não ocorreu como o previsto. Os exércitos alemães e italianos tinham reforços, estavam em número maior! Ia ser um massacre! A participação brasileira ia ser um fiasco, todos os pracinhas mortos... Imagine, a vergonha... Éramos o bem, e eu sei que meu irmão não deixaria isso acontecer. Ele iria vencer. Seus irmãos de guerra me contaram essa história milhares de vezes, e eu nunca me canso dela. Ele correu segurando seu rifle. Sozinho em direção a primeira linha de batalha. Nenhum tiro o acertou e ele ainda matou quatro. Pulou na trincheira, em meio aos tiros conseguiu derrubar mais três. Pegou uma granada e lançou contra as ponto cinqüenta. Sua munição não era infinita e uma hora ela havia acabado. Sacou sua 45, essa aqui no meu coldre. – ele me mostra a arma. – Era um tiro para cada nazifacista! Os homens gritavam! Seu orgulho estava sendo restaurado por apenas um homem! Eram brasileiros, americanos, franceses... Todos movidos pela ação de meu irmão! Ele avançava, destemido ia abrindo caminho para os outros. Então...
Ele da uma pausa, engole suas lágrimas que insistem em aparecer.
- Então... No alto de um morro. Um filho-da-puta alemão enfia a lâmina da baioneta em seu bucho. Jorrou sangue. Ele lutou contra esse soldado inimigo. Roubou sua arma e a usou para matá-lo. Todos achavam que ele havia morrido ali... Ele ficou quieto por uns instantes, deitado naquele chão negro. Ele levantou! Caminhando ao lado da dor. Foi em direção a uma bandeira nazista... Arrancou o pano de seu pedestal. E vinha em direção a seus homens. Os alemães urraram de raiva e começaram a descarregar suas armas... – as lágrimas vêm à tona. – Ele não parou... Cada tiro que acertava seu corpo era um alimento para sua vontade... Esvaiasse em sangue... Sua mão segurava firme a bandeira inimiga... Ele caminhava, se arrastava... Conseguiu retornar para o lado dos aliados. Seus irmãos de guerra foram até ele. Gritavam “Médicos! Médicos!”. Era tarde demais... Antes de morrer meu irmão chamou seus companheiros para perto e falou, “Não percam essa guerra, esses filhos-da-puta já estão derrotados! Nós lutamos pelo bem! E vamos morrer pelo bem! Aqui um presentinho...” ele mostra a bandeira com a suástica invertida e continua “Façam-me o favor de limpar a bunda com ele.”. Depois disso... seus olhos se fecharam, para nunca mais abrir.
Meu coração aperta. Por que eu precisaria saber de tudo isso? Ele está se abrindo comigo? Não é fácil ver um homem dessa envergadura chorar. Ele passa a mão sobre os olhos.
- Essa bandeira está hoje em um museu. – ele sorri. – Entretanto... Ninguém jamais contou essa história. – seu rosto toma um formato severo, mais típico de sua pessoa. – Você deve estar se perguntando o porquê deu contar essa história, certo?
Confirmo com a cabeça.
- Você me lembra meu irmão. Justamente do dia de sua morte. Sabe como o governo classificou sua atitude?
- Não... Como?
- O taxaram de louco. Ele era Fred, o Louco. – ele da uma pequena risada.
- Não entendi... – realmente não entendi.
- Assim como ele você pula com o peito aberto em cima do mal. Você carrega sua vontade e esmaga seu adversário. Acredita em algo e é capaz de morrer por isso! Você é um herói.
Minha garganta aperta. Não sei o que dizer... Herói... O que é ser um herói?
- Por isso eu te chamei para erradicar essa escória de minha cidade. Eu estou de mãos atadas pela lei e pela política. Você não! Você é a resposta!
- Não sei o que dizer... Será que o Brasil precisa mesmo de um herói? – pensei alto.
- É como na Segunda Guerra meu jovem. O mal contra o bem! Aquela guerra foi totalmente diferente das outras. O bem e o mal estavam claramente definidos. Hoje em dia o bem é fraco e o mal está disfarçado. Você é a desmascarou tudo! Eu confio em você.
Ele bate em minhas costas. Sinto o peso do mundo me esmagando. Faço o que faço sem pensar, justamente para não ter que salvar o mundo... Terei de fazer isso? Passo o resto do dia calado. Sem resposta. Aguardando a noite chegar para que a adrenalina da caçada cure minha depressão. E continuo sem resposta.

Ele está de volta!


Meu nobre companheiro está de volta as garras da tentação blogstica! Bem, essa minha frase foi horrível, admito. Não importa. Ele voltou como salvador intelectual dos que não aguentam milhares de páginas enfadonhas, em livros mais enfadonhos ainda! Somente aqui nesse espaço livre que é a internet, podemos falar de coisa séria de modo diferenciado, sem ter que esbarrar em nenhuma ética ou outra sacolada hipócrita que temos que engolir.
Então, depois de falar um bucado e não dizer nada... Repito! Ele voltou! Todos podemos ser escritores, graças a internet. Entretando, nem todos podem fazer "desenhos mal feitos, comentários mal escritos, e um narcisismo imensamente inútil...". E ele pode! E o faz "du caralhamente"!
Confira... Matheus Motta!!!

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Jack Built, o Louco – Perto de Cristo, Longe de Deus! Capítulo III - Parkour dans le bidonville

RIO DE JANEIRO – 28 DE JULHO DE 2008
23:48 PM.


Essa merda é muito grande. Demorei toda a noite de ontem para descobrir o que eu queria. Como não tenho veículo próprio aqui no Rio, decidi vir para cá no fim da tarde de ônibus, a famosa “lotação”, o odiado “balaio”. Eu precisar utilizar o transporte público, ou acha que eu iria vir com uma moto importada que parece ter saído dos Powers Rangers. Hum... Quem sabe eu não coloco uma cara de dinossauro nela quando eu voltar. Ontem e hoje parei no ponto final da estação, ninguém, realmente, ninguém faz idéia de como é pegar um ônibus com trezentas mil pessoas fedendo após o trabalho. É uma mistura de tristeza e alegria de estar indo para casa, um paradoxo interessante de observar.
Logo após minha decida procuro um beco escuro. Sempre há um em qualquer lugar do mundo. Troco de roupa, visto o uniforme e começo minha “macagem” sobre os telhados. Parkour dans le bidonville. As casas são muito próximas o que facilita muito o movimento, só tenho que tomar cuidado com os cachorros. Malditos latem como loucos quando sentem minha presença.
Toninho Pereira do Rio das Pedras, meu primeiro alvo. Observei cada passo dado pelo safado. Aonde costuma ir, com quem fala, o que gosta de beber, como trata seus clientes e seus subordinados. Seria uma bela tese sociológica da picaretagem no narcotráfico. O cara tem mais dívida que mulher louca com cartão de crédito. Ele negocia armas com policiais, vende drogas para todas as pessoas possíveis. Até uma velhinha! Depois da missa passou por aqui com seu Passat, levou droga para todos os netinhos. Descobri tudo isso somente vigiando-o por uma noite. Há também uma situação engraçada que espero que se repita hoje. O safado tem três mulheres. Sério! Casado três vezes. Me pergunto como ele conseguiu, e o porquê. Ontem ele teve que visitar uma por uma, e pegar no colo os três milhões de rebentos e seus catarros.
Saldando a sabedoria do legislador, Toninho “contraiu” mais de um casamento. Vai para a lista de ilícitos penais do caboclo.
Aguardarei paciente sua visita à terceira esposa. Sua casa é a maior das demais,um barraco modesto, já com reboco, sem telhado e janelas sem pintar. Essa carcaça de casa de pobre esconde os muitos reais em aparelhos eletrônicos e drogas em seu interior. E o banheiro é fora da casa, isso é perfeito. Depois do sexo ele vai precisar ir ao banheiro. Assim espero.

RIO DE JANEIRO – 29 DE JULHO DE 2008
01:03 PM.


Ele chega. Está embriagado. Dois homens o acompanham. Um deles é um menor, ou pelo menos aparenta ser, muito magro e sem barba na cara. O outro é um pouco maior, mas também é muito magro, cavanhaque de malandro de praxe. Os dois estão armados. Automáticas. Brinquedos mortais na mão de quem ainda tem medo de fantasma.
A mulher atende a porta. Ela é gorda, esta de camisola e com muita cara de sono. Brava, a mulher está muito brava. Pega Toninho pelo pescoço e o trás para dentro. Manda os outro ficarem do lado de fora. Eles obedecem. Escuto gritos, eles discutem, quebram algumas mobílias. O ambiente esquenta. Partiram para a agressão. Fico mais atento, pego meu binóculo para acompanhar de perto à desenvoltura do traficante. Homem baixo, mas levemente forte. Nada invejável. Eles se atracam. A obesa está ganhando. Ele se afasta saca a arma. Me preparo para intervir. Merda! Eu não esperava isso!
A arma dispara... Contudo, ele atira para o alto. Fico mais tranqüilo. Ela para assustada, olhos arregalados. Ele começa a dar um sermão, gesticula bastante. Dou um zoom no rosto da fofinha, de repente ela fica com uma cara de safada. Tento não rir quando os dois começam a se amar. Ali mesmo, na sala. Os dois rapazes do lado de fora começam a rir do barulho. Os amantes parecem duas jamantas se acasalando. Quebram mais mobílias em nome do amor, do que em nome do ódio. Seria bonito, parece amor verdadeiro, mas o bandidão tem outras duas, e a obesinha sabe disso. Ali ela se entrega ao calor que é a tentação, ao sabor cruel do desejo incontrolável da paixão. Fidelidade? Quem precisa disso? Eles se amam... Por longas duas horas. Sinceramente, eles se amam.

RIO DE JANEIRO – 29 DE JULHO DE 2008
03:22 PM.


Acontece como o previsto, ele a beija, acaricia sua testa. Ela fecha os olhos, pronta para descansar, no conforto que tem financiado por milhares de vidas destruídas, seja pela violência ou pelas drogas.
O libertino carioca sai pela porta dos fundos. Como previsto, ele vai para o banheiro. Me aproximo pelos telhados vizinhos. Salto de laje em laje. Minha presença é quase invisível. A noite a camuflagem negra que uso é perfeita! Ele entra na “casinha”. Um pequeno cômodo único.
Desço do muro que separa o fundo do quintal com a casa do vizinho. Não há cachorros. Sorte. Me esgueiro entre o mato não capinado do lote. Quando chego perto da “casinha”, me levanto e vou cuidadosamente em direção à porta. Me levanto, e me posiciono ao lado da porta, levo minhas mãos até a maçaneta e giro. A porta se abre. Fico imóvel. Ele sai meio assustado, com as calças no joelho e uma pistola na mão, a de verdade. Olha para um lado, depois para outro. Entro no banheiro sem que perceba. O cheiro não é dos bons, está fedendo muito. Apago a luz. O safado se assusta, mas não vai fazer nada, chamar os comparsas porque a luzinha do banheiro apagou e ele tem medinho do escuto? Fico imóvel, enquanto ele entra e tateia a parede em busca do apagador. Achou. A luz acende.
- Mas que... – rapidamente com a mão direita eu aperto suas amídalas, enquanto a mão esquerda pega a arma que esta em sua mão.
Ele tenta gritar em vão, sinto sua garganta remexer na ponta dos meus dedos. O gostosão está aterrorizado. Um ser todo negro, da cabeça aos pés, sem nenhuma expressão facial, mesmo meu sorriso que esbanjo, não aparece. A máscara negra esconde tudo. Aperto mais um pouco sua garganta, isso dói. Aperto também os ossos da sua mão, também dói. Não resisto, e bato a cabeça do filho da mãe no espelho. Vários cortes aparecem na sua careca. Então me aproximo de seu rosto.
- Você deve estar se perguntando por que faço isso não é? – ele balança a cabeça, confirmando.
- Eu faço isso porque eu odeio pessoas como você! – bato a cabeça dele nos restos de vidro, aonde antes era um espelho.
Seus olhos piscam rapidamente demonstrando desespero.
- Não se desespere. Por mim eu passava a noite toda aqui fazendo você lembrar de cada cliente, cada fornecedor, cada policial corrupto, enumerando cada filho-da-puta que gosta de brincar com a vida alheia. Como não posso... Boa noite. – seus olhos arregalam bruscamente, ele pensa que irei matá-lo, não vou contar a verdade, deixo-o pensar isso.
Pego um pequeno frasco, nele tem um líquido que chamo de “boa noite Severino”. Similar ao “boa noite Cinderela”, só que a vítima não apaga. Ela age como se estivesse acordada, mas a substância age no seu cérebro provocando uma espécie de amnésia. Passo o frasco próximo a suas narinas.

RIO DE JANEIRO – 29 DE JULHO DE 2008
08:15 PM.


- Então ocorreu tudo bem nessa noite? – pergunta Belloto ao rádio.
- Tudo certo. Consegui neutralizar Toninho, o chefe do Rio das Pedras.
- Bom trabalho, meu jovem. Para onde você o levou? – sinto o tom de sua voz mudar.
- Para um lugar seguro. – não quero entregar esses chefes-de-morro de mão beijada, não assim. Estou trabalhando sob condições impostas e eu não gosto disso.
- Garoto, o que pensa que está fazendo? Autoridades deveriam... – eu o interrompo.
- Toda essa operação é “extra-legal”. Então a única autoridade que esse filha da mãe que eu peguei tem de responder, sou eu!
- Isso não era... – o interrompo novamente.
- “Parte do combinado”? – imito sua voz. – Vocês pediram um trabalho. Pegar os donos de boca! Traficantes, narco-terroristas! Ponto final! Não falaram como, nem quando.
- Cuidado com isso meu jovem... – ouço uma voz do outro lado da linha, interrompendo Belloto. É o General Costa Machado.
- Garoto? – ele fala com sua voz imponente.
Antes mesmo deu responder, ele fala:
- Encontre-me na Base Naval. Agora. Quero conversar com você.
Não tem como dizer “não”. Esse homem merece respeito.


Segunda-feira, Agosto 04, 2008

A Retórica das Falsas Verdades


Uma pausa merecida para Jack Built e suas novas aventuras - parece sessão da tarde quando escrevo "novas aventuras". Desde muito tempo me incomodo com esse chamodo "pensamento comunista". No último mês tenho bombardeado as "caixas de entrada" de meus amigos com e-mails, quase sempre colocando um pequeno pedaço do que "eu acho" sobre vários fatos que vem ocorrendo em nosso país. E também criticando sempre quando aparece - e aparece muito! - uma "retórica das falsas verdades".
Não é de hoje que critico o governo. Não é novidade e todos sabem o que penso a respeito dele - ver outros posts do blog. Mas isso não vem ao caso no momento. Agora eu quero é mostrar como a baboseira ideológica se permeia com facilidade na cabeça dos desavisados. Não é atoa que sempre aparece alguém que com uma frase faz desmoronar todo o castelo de cartas da sandice, como essa dita por Carlos Lacerda: "Quem não foi comunista aos dezoito anos, não teve juventude, quem é depois dos trinta não tem juízo".
É vantajoso amadurecer, pelo menos eu penso assim. A frase citada acima demonstra isso com uma sutileza quase que agradável aos meus ouvidos, assim como eu, outras pessoas em sua juventude - como eu estou velho! - penderam para uma postura política... Deixe-me escolher bem as palavras... De esquerda - odeio esse tipo de termo, mas cai bem por agora. É claro! Quem não adora culpar os Estados Unidos por tudo! É mais fácil não é? Outra coisa que era muito charmoso na época, era sempre imaginar que o "antes" sempre foi melhor do que o "agora". Tinhamos Che Guevara e Fidel fazendo revolução! Dois zé-ninguem chutando a bunda dos Americados para longe - alguns kilômetros de Cuba. Quem diria os movimentos anti-ditadura no Brasil, os estudantes partiam para a luta armada! É sempre bom lembrar que o Vietnã ganhou. É um lance meio "super-heróico", é quase magnético essa atração para proteger os "oprimidos", esse foi o sucesso de Marx. Abaixo as privatizações! Isso é charmoso, com certeza, para quem ainda não cresceu!
Já me esquivei em criticar o governo neste post, mas não resisto em mostrar o quanto esse "ideal seiláoque-comunista" é uma balburdia sem tamanho. Podem reparar! Eu garanto! São sempre esses dois dogmas, "problema" e "solução": primeiro tudo se resume a uma luta de classes, "elite" contra "oprimidos", "incluídos" contra "marginais", "nós" contra "eles", o círculo se fecha, é incrível como isso explica todo o sofrimento do mundo; segundo a solução é fácil, dar o poder ao povo, já que o povo sabe o que é melhor para ele, logo, o povo... povo... povo! Nunca se importaram com o tempo ou a sociedade em análise, contexto histórico? Huumm, só se for a Revolução Industrial. O mesmo "povo" - seja lá o que for isso - já mandou crucificar Jesus, batia palma para a guilhotina, adorava ver um enforcamento em praça pública. Mas "a voz do povo é a voz de Deus". Peraí, Marx já falava que a religião é o ópio do povo... "Uai sô"... Tratam a realidade, a economia, a religião como mero estratagema.
Outro dia li algo engraçado, uma espécie de corrente de pensamento ou algo do tipo, chama-se "Direito Achado Na Rua". Defendem uma Direito como uma ferramenta da "transformação social", estudar os movimentos sociais e ajuda-los a transformar a sociedade. Bonito, não é? Mas o Direito não é achado nos postes!
Meu objetivo aqui é mostrar como essa retórica reduntante e mentirosa se alastra facilmente. Uma idéia muito disseminada nas escolas é a de que a educação é do jeito que é - de má qualidade, deficiente - pela vontade dos "imperialistas", dos "capitalistas", já que seria mais fácil governar uma massa burra e mal educada, então "ELES" poderiam continuar a explorar sem mais problemas. Ou seja, quando mais capitalista um país for, mais a necessidade de seu povo ser acéfalo - educacionalmente falando - essa afirmativa é correta? Emir Sader, um intelectual esquerdista já falava: "A educação, que poderia ser uma alavanca essencial para a mudança, tornou-se instrumento daqueles estigmas da sociedade capitalista". Uma outra esquerdopata afirma: "Podemos analisar que a educação como vem sendo, historicamente, organizada está para atender ao capital, numa sociedade inerentemente excludente e contraditória." Quando menos educado for um país, mais capitalista ele o é? Para quem adora uma solução "mamão com açúcar", essa idéia é a mais pura realidade. Mas é óbvio que não o é. Nas palavras do Economista Gustavo Ioschpe, "quanto mais capitalista o país, melhor e mais abrangente é o seu sistema educacional". Ele chegou a essa conclusão dados referentes a educação e capitalismo em vários países. Completando, "e, quanto mais capitalista e desenvolvido um país se torna, mais diminui a importância das áreas fabril e de produção de commodities e aumenta o peso de setores de serviço e de alta tecnologia, em que o principal insumo é o cérebro das pessoas. Não é por acaso que alguns campeões do capitalismo, como Coréia do Sul e Estados Unidos, hoje se aproximam da massificação da matrícula de ensino universitário, com taxas beirando os 90%". Esse papo fajuto de que o insucesso educacional é resultado de uma sociedade corrompida pela exploração capitalista, além de mentiroso é cínico. Aquela velha história de "eu quero ensinar, mas a superestrutura não me permite". Ainda citando o Economista, que condena a idéia de que "a única maneira de produzir uma mudança efetiva na educação é através da revolução social, e acreditar que o esforço individual de um professor ou diretor pode fazer qualquer diferença diante de forças sociais e históricas tão poderosas já seria uma rendição ao espírito atomista, ilusório, que é a marca do capitalismo. A falência intelectual pavimenta o caminho do conformismo e cinismo de cada um". Vale lembrar que os únicos que se beneficiam com essa educação deficiente são os partidos de esquerda. Em 2006 Lula só perdeu em grupo: os eleitores com ensino superior - pesquisa do Datafolha. A maioria de nossa população só tem ensino fundamental, grupo em que o petista liderava por 57% a 28%.
Cuba possui educação de primeiro mundo. Isso é verdade. É um legado duradouro de uma boa política. Mas e o que mais aquelas pessoas têm? Ou os atletas cubanos que tentaram fugir no Pan Americado, fugiram porque estava tudo bem? Frei Betto declarou que seria ilusão pensar que a queda de Fidel representa o fim do socialismo, bem como afirma que não há nenhum setor significativo dentro da sociedade cubana hoje interessado na volta do capitalismo. O Frei está certo, mas uma falsa verdade, os setores que gostariam do retorno do capitalismo estão mortos, presos, em Miami ou são suficientemente prudentes para saber que não devem abrir o bico ou correm o risco de ir parar nas masmorras do regime castrista.
Outra baboseira é a tentativa de justificação para o terrorismo. Pasmem, esse tipo de raciocínio pende para essa "área perigosa". Me valendo das Farc - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - a quem diga que eles são um grupo político reivindicando o que lhes é de direito. Mas a quem diga - eu por exemplo - que são um grupo terrorista, narcotraficantes que mantem campos de concentração! Minha mão coça para escrever aqui sobre a presença das Farc no governo, em especial o PT, mas isso ficaria mais extenso e chato o que já é.
É a tendência que temos em colocar a vítima como culpada pelo crime cometido pelas mãos do criminoso. Não gostaria de chingar o governo, mas já o fazendo, nosso Ministro de Relações Exteriores foi além de infeliz em toda a Rodada Doha, ousou falar “Deus queira que não seja preciso um outro 11 de Setembro”. Nome da besta: Celso Amorim. Motivo: o insucesso das negociações de subsídios agrícolas entre outras coisas que mudarão a sua vida. Os Estados Unidos podem até ter cometido - e cometerão - erros grotescos, mas justificar o terrorismo? O caralho que é normal uma merda como o terrorismo! Qualquer um que pega em uma arma para matar inocentes com a justificativa de que os mil e trezentos anos de avanço tecnológico e intelectual que tivemos são uma heresia, não deve ser uma pessoa normal. Seja islâmica, católica, nazista, petista ou militar - ou qualquer outra coisa.
O MST - Movimento dos Sem-terra - é o que? Pensem a respeito. A procurem também saber o que é Propriedade Privada. Artigo 161, "suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel ALHEIA". Artigo de onde? Do Código Penal brasileiro.
Eu não escreveria sobre isso. Não por falta de leitores. Mas por pura preguiça. Todos nós sabemos que os comunistas perderam, muro de Berlim caiu, Afeganistão derrotou a ex-URSS - o Rambo ajudou, então para que chutar no que está morto. Existem pessoas que crêem em uma tática parasita comunista, que se infiltra nas falhas capitalistas do Estado e da poder ao "partido" paulatinamente, tática do comunista italiano Antonio Gramsci - trato disso no Brasil em "Fudendo, Explicando e Flertando com a Democracia - parte 3" - "se você não pode com o capitalismo, corroa-o por dentro. É a estratégia da verminose". Eu não. Não escreveria mesmo sobre isso! No máximo e-mails sem pretensão para os amigos. Mas na busca por pessoas que gostam de escrever, li um texto de péssima qualidade, não pela disposição das palavras, e sim pela intenção. O autor? Não faço idéia graças a Deus. Não posso perdoar a baboseira que culminou esse pequeno discurso "anti-retórica de falsas verdades".
Tédio sem fim
As paixões sociais, políticas e culturais parecem extintas, os discursos da mídia arrastam-se a custo, pasmacentos. Nem no trato social nem na relação com a natureza são formulados novos desafios. A idéia de uma grande "tarefa para a humanidade" soa não só antiquada, mas também ingênua e até fora de cabimento.O que hoje se louva como novo e promissor não é mais um conteúdo ou um fim qualquer, mas a simples forma ou o simples meio, o aparato despido de todo espírito. A Internet é o melhor exemplo para tanto. Quanto mais rapidamente evolui a tecnologia da comunicação, menos conteúdo há que valha a pena ser transmitido. Se o meio tecnológico rouba a posição ao conteúdo, a própria "razão instrumental" conduz ao absurdo. No estágio final desse processo, seres humanos munidos de perfeitos meios de comunicação nada mais terão a dizer.Essa ilimitada falta de conteúdo e objetivo anuncia o esgotamento intelectual e cultural do sistema social dominante. Tal como o homem só pode se constituir como indivíduo dentro da sociedade, como indivíduo ele só pode cultivar conteúdos e objetivos sociais. O indivíduo voltado exclusivamente a si mesmo é por força vazio, incapaz de forjar conteúdos próprios; seus projetos se esvaem na trivialidade fútil. No início do século XXI a modernidade mergulha num tédio mortal.
Sempre quando releio esse show de baboseiras vem um sorriso a minha face. O pobre coitado é parte de seu próprio inimigo. É só ler atentamente a essa redundância sem tamanho que visa não dizer nada.
"O que hoje se louva como novo e promissor não é mais um conteúdo ou um fim qualquer, mas a simples forma ou o simples meio, o aparato despido de todo espírito."
Que? An? Como? Olha a heresia para um terrorista ai, acompanhado com o pensamento da vovó de que antes era melhor, sabemos que não é.
"A Internet é o melhor exemplo para tanto. Quanto mais rapidamente evolui a tecnologia da comunicação, menos conteúdo há que valha a pena ser transmitido. Se o meio tecnológico rouba a posição ao conteúdo, a própria "razão instrumental" conduz ao absurdo. No estágio final desse processo, seres humanos munidos de perfeitos meios de comunicação nada mais terão a dizer."
Cade a estatística? "Menos conteúdo há que valha a pena ser transmitido"? Bom conteúdo basta o leitor procurar, encontramos livros na internet, artigos acadêmicos, revistas on-line, blogs interessantíssimos, existe é mais conteúdo que valha a pena ler e ser transmitido. Fiquei louco nessas férias de tanto ter o que ler... Na internet. Qualquer um pode ser escritor! Basta a vontade de escrever. Isso "conduz ao absurdo"? O problema da internet é outro e não sua universalização da informação, ao alcance de quem quiser! Ou seria preferivel voltarmos a Idade Média, quando o conhecimento estava nas mãos somente do Clero? Então quem sabe viver a margem de falsos pensadores, só porque você segura um livro pouco lido não quer dizer que seu conteúdo é dos melhores. Muito menos o contrário. Meu blog é parte disso. Meu desejo é que não lhe falte conteúdo, nem que seja para o entreterimento. Além da vantagem de não precisar de um pombo-correio, ou do próprio Correio.
"Essa ilimitada falta de conteúdo e objetivo anuncia o esgotamento intelectual e cultural do sistema social dominante."
Sistema social dominante: Capitalismo. Ilimitada falta de conteúdo: alcance da internet para todos. Esgotamento intelectual do capitalismo porque agora até o "povo" pode escrever e publicar seu trabalho? Aristocrata safado.
"Tal como o homem só pode se constituir como indivíduo dentro da sociedade, como indivíduo ele só pode cultivar conteúdos e objetivos sociais. O indivíduo voltado exclusivamente a si mesmo é por força vazio, incapaz de forjar conteúdos próprios; seus projetos se esvaem na trivialidade fútil. No início do século XXI a modernidade mergulha num tédio mortal."
Leia duas vezes o trecho mais picareta da história! Exagerei, desculpe-me. "Tal como o homem só pode se constituir como indivíduo dentro da sociedade", correto, "como indivíduo ele só pode cultivar conteúdos e objetivos sociais", não sei não, mas vamos continuar, "o indivíduo voltado exclusivamente a si mesmo é por força vazio, incapaz de forjar conteúdos próprios; seus projetos se esvaem na trivialidade fútil", alguém voltado para si mesmo é incapaz de forjar conteúdos próprios? Então, ou você nasce para salvar o mundo, ou você está condenado a ser vazio, incapaz de autencidade. Isso é uma verdade? Isso transmite ao menos um cheio de verdade, mas é falso! Querer ajudar o próximo, tentar limpar a natureza da poluição, doar dinheiro para a caridade, ensinar quem não sabe, enfim, ser alguém útil para os que vivem ao ser redor, é louvável, mas enfiar isso garganta a baixo de quem não quer fazer essas coisas, sob a pena delas não serem pessoas "com conteúdo", "próprias", é algo tão estúpido quanto cruel. Acredito no egoísmo, esnobo a mesquinharia. Ser voltado exclusivamente para si é o melhor caminho para construírmos um lugar melhor, e faremos isso sem perceber. É aquele sentimento de individualismo que eu gosto, se for ajudar alguém, ajude se você quiser, faça isso por você, com a consciência que você está se tornando uma pessoa melhor - para si. Se não quer se voltar para as mazelas da sociedade tudo bem, você é detetor de uma característica chama "vontade", e nada te impedirá de forjar "conteúdos próprios". Seguindo a linha de raciocínio apresentada pelo esquerdopata, se você for solteiro, sem familiares, usufruir do seu salário, viver em um apartamento sozinho, não ser filiado a uma ONG e não contribuir em nada para o resto da sociedade, você é vazio, fútil e "impróprio".
Essa é uma das falsas verdades que eu não posso engulir. Se o autor daquilas palavras, pessoalmente, "voltado exclusivamente para si", tiver a opinião de que tais individuos "individualistas" são vazios, ele tem o direito de sustentar isso. Mas não trate isso como se fosse uma verdade. É esse o fim de qualquer coisa que não vale a pena dar atenção, crer que seja uma "verdade universal", dogma, um imperativo categórico. Assim é o comunismo para os esquedopatas, o Islã para os terroristas. E assim foi para o nazismo para os nazistas, a Bíblia para os inquisitores, o facismo para os facistas, o lado negro da Força para Darth Vader... A lista é longa.
"No início do século XXI a modernidade mergulha num tédio mortal". Isso sim. Estamos tomados pelo tédio. Cansados da história de que o mundo precisa ser salvo e alguém sabe como fazer isso. Isso não cola mais.