Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro

Este é um espaço para expor meus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, desde política até a nova banda que começou a tocar nas rádios. Espero que gostem e que também comecem a despertar seus espíritos para a crítica! Beijos para as mocinhas e abraços para os mocinhos!

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Nome: Pedro Augusto

Um Zé que se chama Pedro.

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

Uma Conversa Com Reinaldo Azevedo

Vale a pena ler Reinaldo Azevedo! O sucesso do livro O País dos Petralhas é a maior prova disso. Essa boa resposta para o livro traz consigo uma mensagem otimista, uma dose de esperança para o nosso Brasil. "Nós estamos resistindo". Essa é a mensagem! E esse é um dos pontos principais que me leva a ler esse incrível articulista político. Sempre me achei inteligente, até entrar na faculdade e ver o pouco que eu era, até perder um debate feroz com um petista. Sim! Eu perdi! Admito. Mas já escrevi sobre isso no blog. No fim eu sai ganhando, fui atrás de conhecimentos, livros, sites e constatei, AQUILO NÃO FOI UM DEBATE. Não se pode ganhar, com razão, com raciocínio político, com leis, com Constituição, de um MÉTODO. É esse MÉTODO relativizador de valores que o livro combate. A idéia de que somos geridos por uma luta de classes, por coitadismo do oprimido, e de que a história possui uma justiça, um determinismo, que é buscado na solapação de nossas instituições. Reinaldo resiste a isso! Seus leitores também! Não há que se falar em revolução, em passeatas, em boicotes. Isso é uma resistência pacífica, democrática, racional... Esse é o futuro. O certo, sem ter a pretenção de ser uma verdade universal. Por isso eu leio Reinaldo Azevedo! Por isso eu RESISTO!

"Um cristão acredita em Deus, claro, mas sabe, como reafirmou o papa João Paulo II, que o demônio existe. O que é matéria de crença pode encontrar plena correspondência numa mentalidade agnóstica. Deus é a convicção, o princípio, o norte moral; o demônio é frouxidão da vontade, a ausência de limites, o relativismo sobre todas as coisas."

"Entendi: quando falta talento, o negócio é ir mesmo na malandragem. O comentário é a cara de Lula. E também uma boa síntese de sua biografia, né?
Quem é Lula senão aquele que vive caindo na área e gritando "pênalti"?"

"As imposições politicamente corretas mundo afora (com maior determinação no Brasil) fazem justamente isso: tiram o indivíduo o direito à arbitragem e tentam, o que é grave, perigosos, cassar o direito a opinião."

"Pedro Augusto,

por um Brasil que respeite os mineirinhos.

Reinaldo Azevedo."

Reinaldo Azevedo e eu, o Pedro Augusto, ou o Zé. Olha a cara de sério do Tio Rei.

Viram? Só uma conterrânea de São Paulo aparecer, aí ganhamos um sorriso. Parabéns a todos nós mineiros, ao grande Reinaldo, foi uma conversa e tanto!

Sexta-feira, Novembro 14, 2008

Jack Built, o Louco - Perto de Cristo, Longe de Deus! Capítulo XIII – Morte, Você Me Deixaria Ficar?

RIO DE JANEIRO – 04 DE AGOSTO DE 2008
18:00 PM

A chuva ainda cai lá fora. Feroz. Impiedosa. O nublado tímido das nuvens deu lugar às trevas da noite e das águas. Já se passaram horas. Não sei quantas. Muitas com certeza. Já analisei cada centímetro do teto. Cada mísero detalhe. Estou deitado observando o quarto do Copacabana Palace Hotel. Não fazendo nada. Não pensando em nada. Também não sinto. Essa sensação de frieza me assusta. Continuo a olhar para o teto.
Quando cheguei me forcei a descansar. Fechava meus olhos e nada. Meu corpo está cansado, por que não dorme? Fechei as cortinas. Desliguei a televisão, que não ligarei tão cedo. Nada do sono vir. Um raio marca o céu iluminando o quarto escuro. Já me banhei. Tentei comer alguma coisa, embora não esteja com a mínima vontade de me alimentar. Passo a olhar os pingos que escorrem na janela. Outro raio cai das mãos de Zeus, ou quem sabe foi Thor digladiando com seu irmão?
No caminho de volta para o hotel acabei pensando em Angélica. Não sei o porquê de ela ter aparecido em minha mente. Afinal, tudo aconteceu em uma noite e só. Nada mais, nada menos. Sinto falta de sua pele era macia. Seu perfume era tão gracioso, uma verdadeira flor. Mesmo assim... Uma noite e nada mais. Claro que quando algo espontâneo, do jeito que aconteceu, nunca passa como uma simples brisa em nossas vidas. É uma tempestade, similar a que cai lá fora! Uma tormenta de sentimentos que põe em cheque o resto de humanidade que tenho. Amor. Carinho. Ternura. Eu tenho família, que me ama e me quer ao seu lado. Mas o que realmente eu quero? Há, há, há. Juro que pensei em passar a vida ao lado de Angélica. Foi por um momento apenas, mas pensei. Imaginei por alguns instantes. Não foi tão ruim. Já pensei a mesma coisa com outras mulheres. Já amei uma vez, só que isso é história pra outro momento. Acho que todos querem alguém para isso. Não é? Há, há, há. Que ridículo! Mais um clarão fotografa as águas negras que caem do céu. Levanto meu tronco, e sento na beirada da cama.
Eu matei um homem hoje. Um tiro certeiro. Bem no olho esquerdo! Fui rápido. Mortal. Cruel. Respiro fundo, passo a mão pelos meus cabelos. Abaixo a cabeça. Não desejo eliminar meus oponentes. Carrego armas brancas para isso, evito ao máximo armas de fogo. Sabia que esse momento chegaria... Eu me justificando para mim mesmo! Vamos lá então! Compre um livro de auto-ajuda, procure a igreja, faça caridade, se redima de seus pecados! Quer se condenar? Deixe isso para a imprensa, que deve pipocar imagens na tela de você explodindo a cabeça daquele bandido. Bandido! Esses são seus oponentes! Aqueles que estupram a lei! Cospem na cara da civilização, aqueles marcados pelo mal! Os vilões! Esses são meus oponentes? Oponentes? Isso é uma espécie de briga, algum jogo? Respiro fundo mais uma vez. Eu sei que fiz o certo! É isso que me separa daquele tipo de lixo humano... Eu faço a coisa certa. Certa para quem? Ora! Nesse mundo existe o certo e o errado, não existe? O que fiz encontra respaldo na razão, e na lei, quando eu defendi legitimamente um terceiro. Legítima Defesa de Terceiro. MERDA! Tudo foi um erro meu, eu poderia ter impedido isso quando derrubei o desgraçado, se eu tivesse usado só mais um pouco de força eu o apagaria! Um erro por uma vida! MERDA!
Me levanto e caminho até a televisão, antes de ligá-la, hesito por um momento. Se eu ligar a imprensa vai bombardear ainda mais minha culpa. Prefiro guardá-la só para mim, deixe a demonização do que fiz para mais tarde. A mídia não sobe o morro, não salva ninguém! Não tira a arma da cabeça de nenhum inocente. Nenhuma ONG faz isso! Nesse país ninguém faz! Nem a polícia, nem as Forças Armadas, quem dirá então esses porcos engravatados. Burocratas devotos de um Maquiavel de boteco! Corruptos! Fora a ideologia que vitimiza os criminosos e deixa as verdadeiras vítimas a mercê de qualquer mau caráter! Filhos da puta! Desgraçados! Cretinos!
- AAARRRGGGHHH!!! – grito como se exorcizassem algum demônio.
Pego a televisão e a arremesso na parede. Quebrando-se por completo. Mais um raio ganha vida na escuridão! Os trovões jamais se calam. A luz do rádio comunicador começa a piscar insistentemente. Os militares devem ter ligado a televisão.

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- Pode falar. – atendo a chamada.
- Você acha que tudo isso é uma brincadeira? Não vejo outra razão. Ah! É um joguinho seu não é? Senhor super-herói. – para tamanha ironia, só uma boca se encaixa... Coronel Manuel Belloto!
- Eu não estou de bom humor Belloto. Fale logo. – respondo friamente.
- Bom humor? Você meteu a imprensa no seu espetáculo, agora fica de mal humorzinho? Costa Machado foi claro, não vou entrar mais nesse assunto. E por sinal, aquele tiro que você deu... – ele desiste da sua fala. – Não entrei em contato para isso.
- O que você quer? – pergunto.
- O que quero? Meu jovem. O que todos nós queremos! Incluo Oswaldo, e principalmente, Costa Machado. Todos nós queremos os cinco traficantes do tribunal do tráfico! – ele eleva o tom de voz. – Achei que você seria capaz de produzir resultados celeremente, por trabalhar a margem da lei. Me enganei não é? Parece que você veio para cá para brincar de salvador! E o nosso pacto? Como fica? Não queremos os parias. Queremos os mandantes.
- Eu já entreguei dois deles. – afirmo.
- Agora quero os outros três. – retruca.
- Belloto...
- Fale.
- Amanhã de manhã todos os três, Cleison Jesus, o “Bombinha”, João Batista, o “Joãozinho” e Toninho Pereira, estarão tomando café com você!

- E como você pretende fazer isso? – o Coronel debocha.
- Como você acha? Comandando as Forças Armadas que não vai ser. – agora peguei pesado!

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Parece que desligamos ao mesmo tempo. Antipatia é contagiante. Pego o uniforme, começo a me vestir. Meu corpo ainda dói. Alongo um pouco cada músculo. Não vou carregar tanta coisa dessa vez, depois de hoje nada pode ser pior. Pego um kit básico: as foices ligadas pela corrente; algumas granadas de efeito moral e de fumaça. Só isso será o suficiente. E só. Levarei também o binóculo de visão noturna, esse vai ser útil para uma eventual escuridão. Quando chove as luzes tendem a se apagar.

RIO DE JANEIRO – 04 DE AGOSTO DE 2008
23:56 PM

Nenhum vestígio dos irmãos “inha”. Rodei quase toda a Rocinha e nada! Não quero confrontar nenhum pé de chinelo, quero os dois. Parei de monitorar os desgraçados há apenas alguns dias e eles já sumiram! Estou sendo vítima da minha própria estratégia. Um ponto positivo é que os vapores estão todos de “férias”. Continuo a vigia pelos telhados e lajes da favela.
Mais um possível esconderijo e nada! Onde estão esses viados? Porra! Vou ser rápido quando achar esses ratos de esgoto! Se eu pegar um o outro é garantido, ele vai falar querendo ou não. Toninho é o mais indiscreto de todos, freqüentador assíduo de festas e baladas universitárias. É isso que acontece quando um coroa entra para a Universidade, ele volta a ser jovem, fica menos cuidadoso. Se bem que de cuidadoso esses canalhas não tem nem um pingo. A polícia só não desmantela isso por pura incompetência e corrupção interna. A solução em si não é difícil, o problema são as conseqüências políticas. Todo revolucionário tem uma pitada de maconheiro. Fazer o quê? Dar porrada em quem merece! Sou inteligente demais para aceitar isso, enfiar a mão, socar, espancar... Esse não é o fim. Ou é? Foda-se! Para o inferno a sutileza! Cansei. Hora de partir para a “entrevista”. Preciso de informações. Por sorte logo a minha frente tem um fogueteiro debaixo de um telhado mal acabado.
O movimento é rápido. Pego o garoto pelo colarinho e o prenso na parede. Não, ele não vai gritar. Minha mão aperta seu pescoço e o elevo do chão. O garoto engasga. Vou ser direto e objetivo.
- Por que essa favela está quieta? – pergunto.
Alivio um pouco a pressão da sua garganta.
- É a chuva! Pó, ninguém que fica na chuva não. – o fogueteiro responde.
- E você faz o que na chuva? – aperto um pouco mais.
- Ai! Relaxa ai rapá. Tô só garantinu o pão dos molequi. – o garoto está cooperando.
Devolvo o chão para seus pés. Suas mãos agora acariciam o pescoço outrora esmagado.
- Você não sabe de nada não é? – indago.
- Sei não. – sua cara é de choro. – Ninguém do comando tá podendo trampa mermão. Terror tá geral aqui. Eu cansei de fica na rua pedindo grana e vendendo bala porra! – o fogueteiro se irrita. – A vadia fico prenha de novo e é mais leite. Isso ta me fudendo.
A luz azul do relâmpago ilumina a cara do coitado, seguida pelo estrondo que ressoa pelo céu.
- Você não sabe de nada? – pergunto mais uma vez.
- Não. – ele responde.
- Você trabalha para eles e não sabe de nada? – insisto.
- Já falei mermão. Sô novo na parada. – estou sendo leve demais.
Instintivamente minhas mãos vão até as foices. Desembainho as duas. As lâminas soltam um som letal ao rasparem uma na outra.
- Eu não sei de nada não! Juro! – agora o garoto está com medo. – Não me machuca não, por favor. Por favor. Nem foi o Joãozinho que me contrato. Aí meu Deus! – ele chora. – Só quero compra comida pro rebento. Pó mermão, alivia...
O garoto é novo. No máximo dezenove anos, nem tem barba na cara, só esse bigode disfarçado de sujeira, e já é pai. Estereotipo. Nada, além disso. Posso arrancar a verdade dele agora! Em menos de cinco minutos. MERDA! Golpeio a pilastra de madeira ao meu lado, ela se parte, e as telhas caem como a chuva, despedaçando-se ao tocar o chão. Corro e salto para a próxima laje. Concentre-se nos três! Não perca seu tempo com lixo.
Quem eu quero enganar? A história fajuta me comoveu. Sua bicha sensível! Vai chorar pelo irresponsável marginal? Não estou me sentindo bem. Algo aqui dentro sabe que não estou bem, e fica me incomodando, martelando um calafrio na minha barriga.

RIO DE JANEIRO – 05 DE AGOSTO DE 2008
01:21 AM

Isso já virou piada. Estou aqui brincando de mico de barraco em barraco e nada! Não estou com estômago para ser o cara mau, vou apelar para fontes mais fáceis. Essa região é renomada. A zona. O prostíbulo pecaminoso das profissionais do sexo. Não vou entrar, se eu fizer isso cago mais ainda a situação. Aquela mulher, embaixo da marquise de uma padaria se encaixa em meu preconceito. Roupas curtas nessa chuva, uma bolsa pequena que leva o essencial, um canivete e preservativos, e salto alto. Seu corpo é bonito, pernas bem torneadas, e uma bunda de dar inveja. O cabelo é castanho bem claro, desce até a cintura. Seu ombro é muito largo, não faz meu tipo, abaixo seus braços são musculosos demais. Vou até a marquise que a protege da chuva sem ser notado.
Tiro do bolso uma nota de cinqüenta reais. Nunca ando sem dinheiro, nunca se sabe. Largo a nota, que acompanha a coreografia vertical dos pingos d’ água. A puta vê o dinheiro que acaba de cair do céu, olha para todos os lados, em seguida, se permite molhar um pouco e agacha para apanhar a nota.
- Tem mais de onde caiu essa. – afirmo engrossando a minha voz.
- AI MEU DEUS! QUE SUSTO! – a voz é grossa demais.
É um traveco. Puta merda é um traveco! Não tenho nada contra homossexuais, que fiquem longe da minha opção hétera. Me enganei, como ele, ou ela, sei lá!, se parece com uma mulher. A voz sempre condena.
- Oh amor, não precisava dar um susto... – que voz irritante.
- Não quero nada com você, apenas responda minhas perguntas e pagarei o tempo perdido.
- Você me deixou com tesão sabia? – espero que não demore.
- Por que ninguém da turma do Joãozinho está dando as caras? – objetivo, preciso ser objetivo.
- Isso é caro meu amor. Mmmuuuiiitttooo caro. – o homo sei lá o quê começa a fazer um charme, era de se esperar. – Mas para você! Exclusivamente para você! Se mandar outra oncinha e prometer guardar segredo, te conto tudinho.
Jogo mais cinqüenta reais.
- Agora fale!
- Oh meu bem, vou resumir a história. Tem certeza que não quer ir para um lugar mais quente? Só eu e você. Sem segredos entre nós. – mais charme.
- Se não começar a falar desço ai e fazemos pelo modo mais difícil! – agora sim eu me irritei.
- Hum, me deixou molhada. – que porra é essa? – Vamos lá então... Eu costumava sair com Toninho sabe, ele é brother do Joãozinho e do anabolizado lá. O Toninho me contava quase tudo, agente era amigo de infância, então temos um vínculo. Sei todos os podres do safado. Todos! – agora o homem fica sério, sua voz engrossa. – Só que o filho da égua me traiu! Saiu com a vaca da Cíntiara! Cansou de comer cu, agora quer buceta. Aquele desgraçado. – a face do homem agora é tomada pela tristeza, seus olhos ficam vermelhos, ele engole seco. – Eu dava tudo pra ele. Eu que apresentei ele pro Joãozinho depois que ele foi expulso da PM. Abri as portas e minhas pernas pro cachorro, e o que ele me deu? HEIN? Sabia que ele já me bateu? Bem aqui ó. – aponta para o rosto grotesco e maquiado. – E perdoei. Milhares de vezes! Até que arruma uma vadia dançarina de funk e me larga aqui. – ele enxuga as lágrimas, e a expressão de seriedade é retomada. – O Toninho... Pro inferno! Quer saber? Vou superar isso e vou dar demais! Pra todos! Ele vai ver!
- Agora que o romance terminou, onde eu posso encontrar o Romeu? – o traveco não gostou da piada.
- Eles retomaram o tribunal. Sua presença assustou o povo um bocado. Cansaram disso e vão matar dois playboys lá do Leblon. Uns burguesinhos filhos de políticos, acho que senador estadual. Ah! Sei lá. Tá o bonde todo reunido no poliesportivo que o governo anda construindo, vai ficar chique meu filho! Por enquanto só serve mesmo pra esconde droga e traficante. Bofe? Amor? Hum, o gostosão foi embora e nem me deu tchau.

RIO DE JANEIRO – 05 DE AGOSTO DE 2008
02:12 AM

Corra! Vamos! Pule esses telhados e lajes mal acabados! Rápido! Esqueça a chuva, o chão escorregadio! Vá pela rua se necessário! Eu sei onde fica esse poliesportivo. Não é tão longe assim. Preciso chegar lá antes que aqueles garotos sejam assassinados. Por essa eu não esperava, retomaram a porcaria do tribunal. Pensei que não ousariam agir enquanto eu estivesse na cidade. Pensei demais! Demorei demais!
Apoio no muro, no poste, e ganho a laje de outro barraco. Do alto todos parecem iguais, com os tijolos a vista, sem reboco, sem nenhum projeto. As antenas remendadas se destacam. As ruelas que cruzam algumas avenidas principais fecham esse cenário. Para alguns, belo, para outros, um inferno. Eu li em uma revista outro dia que apenas dois por cento da população da rocinha acha que a segurança deve melhorar. Da vontade de rir, de cometer um harakiri em defesa da minha honra. É claro que estão seguros! Os próprios traficantes os protegem. Que belo! Que lindo! Ninguém rouba gente da favela. O Estado poderia dar verbas para os traficantes, assim eles poderiam ser legalizados. Os restos dos noventa e oito por cento feliz com seus protetores, só não poderiam cobrar mais saneamento, por exemplo. Iriam direto para o “microondas” da insubordinação!
Droga, eu matei um homem hoje. Tropeço e caio. Sorte que cai ainda em cima do telhado. Procuro ver no que tropecei, um corpo de boneca. Todo velho, sujo, esquecido aqui em cima. Zeus está furioso e bombardeia o céu com seus relâmpagos mais uma vez. Não. São apenas nuvens em atrito. Meio segundo de eletrização que ilumina todo o horizonte. Não haverão deuses essa noite, somente eu e minha espada caçando esses desgraçados!
Avisto o poliesportivo, está tudo apagado. Nenhuma luz. Vou me valer do binóculo de visão noturna. Minha visão se torna verde, tudo fica mais claro agora. Por um instante eu penso que deveria atacar no escuro, sem ver o que acabei de ver. Um galpão com aproximadamente trinta vagabundos, mais da metade segura armas nas mãos, dois garotos acorrentados no centro. Um ponto luminoso brinca com o rosto dos rapazes. É uma lanterna. A luz do galpão ascende, minhas pupilas retraem de maneira brusca, desligo a visão noturna. Meus olhos doem, ao menos posso ver “a cores”. É gente pra cacete reunida! Os garotos estão presos, cada um em uma cadeira. Estão muito machucados, um homem a frente deles esbraveja algo que não posso escutar. Bate com a lanterna na cabeça de um deles. O sangue escorre pela testa do coitado. Esse homem se veste como um típico carioca malandro, um pagodeiro, definitivamente, um pagodeiro. Uma blusa social listrada, de tecido leve, jóias no pescoço e nos pulsos. Esse é o Joãozinho! Aquela montanha de músculos atrás dele deve ser o tal do Cleison Bombinha, e o com óculos na testa e barriga de cerveja é o Antônio Pereira. Pra que tanto diminutivo junto?
É gente demais! Estou com equipamento de menos. Nem em sonho da pra derrubar mais de trinta homens armados com duas faquinhas. O General prometeu reforço, caso eu precisasse, essa é a hora! Vai ser a maior prisão em massa da história do Rio de Janeiro! Todo o grupo, a gangue, a praga presa de uma vez. E em flagrante! Dois filhos de políticos, apoio político garantido. A transmissão demora um pouco, por causa da chuva, enfim sou atendido.

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- O quê você quer há essa hora Jack? Espero que tenha boas notícias. – Belloto atende.
- Ótimas notícias! Traga toda a força armada que você conseguir aqui pra Rocinha. Já estou enviando o sinal no GPS, vai ser fácil me localizar. Acione o BOPE, e qualquer um que não seja incompetente. Vai ser a operação mais rápida da história! – estou excitado, acabar com esse lixo de uma vez só! – Mais de trinta homens armados, torturando e aguardando o momento adequado para matar dois garotos! O tribunal foi restabelecido hoje. Os garotos são filhos de políticos! Ligue para todos que conseguir, rápido! Chame todos!
- Não vou chamar ninguém. Quem vai acreditar nessa história? – não acredito! – E mais, vincular você as Forças Armadas? Um estorvo?
- Que se foda isso! Temos que salvar os garotos! Você não se importa com isso? – questiono.
- Como você é ingênuo. Essa não é minha função. E por outro lado, o herói aqui é você, não eu.
- SEU FILHO DA PUTA! Só preciso da porra de um telefonema! Chame todos aqui! Isso poderia suavizar a guerra contra o trafico! Pessoas ficariam mais seguras.
- Eu também quero acabar com esses abjetos da sociedade, tanto quanto você. É estupidez o que está me pedindo. Não ligarei para ninguém. Nem polícia, nem guarda nacional, nem mesmo a alguma ajuda humanitária.
- Belotto seu desgraçado! Você é a porra de um Coronel! Temos que salvar aquelas pessoas! Não entendeu até agora!
- JÁ FALEI GAROTO! MINHA RESPOSTA É NÃO!
- Quero falar com o General Costa Machado! AGORA!
- Você não vai falar com ninguém, agora se me permite...
- São vidas! Será que você não entende isso! É burrice ficar de braços cruzados. Eu...
- Você é o herói aqui, vai até lá, salve-os.

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O Coronel desliga na minha cara. Sem direito a resposta.

RIO DE JANEIRO – 05 DE AGOSTO DE 2008
02:25 AM

As únicas granadas de fumaça que tenho quebram o vidro frágil da janela. Quando tocam o chão explodem. A sala é tomada por uma neblina artificial.
- Que isso?
- São os alemão?
- Atividade porra! Sem medo caralho! – grita uma das vozes da liderança.
- Pô chefe, num tô vendo nada!
O desespero toma conta do lugar. Primeiro os garotos, são a prioridade! Assim como as granadas meu corpo estilhaça o vidro ferido. Uma entrada triunfal, preciso manter o nível. Os cacos me acompanham na queda, cintilam com o resto de luz que insiste em aparecer na fumaça. Saco as foices, não libero a corrente, o combate será a curta distância. Memorizei o ambiente, momentos antes de invadi-lo, só seguir reto e chego aos pobres garotos. Pobres? Malditos viciados de língua grande. Em meio ao nevoeiro que armei, surgem alguns meliantes no meu caminho. Não conto quantos, nem ao menos olho para eles. Apenas faço questão de quebrar o máximo de ossos possíveis, na maneira mais rápida que consigo.
Tenho sucesso! Agora são os torturados que aparecem em minha frente, junto com eles Joãozinho gritando algo que não quero escutar, blasfêmias, xingamentos, ofensas! Tenta coordenar o desespero de seus homens. Ouço alguns tiros, nenhum me acerta então não me importo. Após os tiros, seguem alguns gritos. A mira no meio das trevas que proporcionei é magnífica. Se matem seus vermes! Como não notei? João segura uma espada medieval em sua mão. Uma espada de médio porte, mal feita, detalhes grotescos, com uma lâmina suja e desgastada, do tipo que se compra na internet. Nunca serviria para um combate... Ele a usa como ferramenta de tortura! Ao chegar perto de quem eu preciso salvar, entro no campo de visão do desprezível. Ele me vê. Esbraveja algo que ignoro. Isso se chama concentração. Suas jóias douradas se agitam, seus braços se elevam para desferir um golpe vertical. Não vou lhe dar ao luxo de me ver esquivando, seguro as foices e me defendo do golpe. O metal ao se chocar estala! Chuto sua barriga apenas para afastá-lo, e golpeio de forma similar a dele, verticalmente. O imbecil tenta defender, como eu queria. A lâmina do seu brinquedo se parte ao conhecer o verdadeiro aço de uma arma, e a força de quem é digno de desembainhá-la. Libero a corrente que se encontra no cabo de uma das foices, enrolo no pescoço do famigerado e aperto. Em questão de segundos ele apaga. Preciosos segundos, perdidos por capricho. Concentre-se. Mais tiros ecoam. Tenho que aproveitar o desespero! Hora de salvar o dia.
- Muito bom meninada! Agora já sabem porque a porra da maconha não pode ser descriminalizada. É questão de segurança pública, viram?
Vejo a angústia na face dos moleques. Não são moleques. Já são homens! Homens com dezoito anos. Mexeram com lixo, agora estão fedendo. Essa lógica se aplica ao salvador aqui. Não estão muito machucados, cheguei a tempo, esse estado ia mudar com certeza.
- Tira agente daqui, por favor! – implora um dos garotos.
- Vou salvar vocês, mas só se pararem de comprar essa merda! – momento pedagógico.
- Eu paro!
- Eu também!
- Muito bom!
Arrebento as correntes junto com as cadeiras.
- Agora corram nessa direção. – aponto para a saída que memorizei. – Liguem para quem puderem! Qualquer um! VAMOS! CORRAM!
São obedientes. Somem em meio a fumaça. Torço para que acertem o caminho. Não desperdicem meu trabalho, por favor. Até aqui foi muito fácil... Os tiros se calam. A bandidagem está se organizando, perdendo aos poucos o medo. Se agrupando. O número não é pequeno. A festa começa agora!
Tento aproveitar o resto de camuflagem que me resta para atacar qualquer um que encontro. Não há rostos, não há detalhes descritivos, somente a fumaça e minhas lâminas. Meus alvos são indivíduos sem face, sem identidade, um ser humano amorfo. Sem formas. Eu só preciso derrubar o máximo que conseguir antes que o nevoeiro se disperse. Já caíram doze! São muitos, e ainda para piorar vim despreparado. Não esperava um pequeno exército verminoso e bem armado. Quando conseguem me ver disparam com suas armas de calibre grosso, por sorte, e uma pitada de habilidade, consigo me esquivar. A mira torpe dos atiradores ajuda bastante, não conseguiriam acertar um elefante com uma bazuca. Merda! A fumaça está se tornando mais rala. Me tornei um alvo fácil. Não me importo e continuo batendo no que encontro! Meus inimigos são fracos, fáceis de quebrar como varetas, fáceis de cortar como carne no açougue. Começo a ter esperança. Avanço rosnando para cima de um grupo de seis, que conseguiu certa coordenação. Agarro um deles pelos joelhos e o uso como escudo para os socos e chutes que me ameaçam. À medida que os golpes falham, os meus são certos! Nariz, estômago, garganta os alvos mais fáceis. Por fim, brinco de bate estaca com as costas do magrelo em minhas mãos, batendo-as no chão até que ele desmaie.
Não há mais camuflagem. Toda a furtividade que eu me valer não adiantará. A fumaça se foi. O vento a levou, o próprio ar se tornou meu inimigo, assassinando minha única aliada. A porra dos músculos voltam a doer, meus olhos pesam. O ambiente se torna completamente visível agora. Vejo os corpos dos derrotados, dormindo no chão gelado. Em cima de uma mesa estão quilos e mais quilos do mais puro veneno para o cérebro. A chaga que vicia. O mestre das marionetes. O caminho mais prazeroso para o suicídio. Cocaína. Um soco acerta meu rosto, me distraí! Seu burro! Dou graças aos meus reflexos, que respondem com voracidade ao ataque. Meu inimigo cai a minha frente, com a boca sangrando. Me viro para os... Um saco da droga explode em meu rosto! Outro me acerta nas costas. Mais um vem em minha direção, uso as foices para atingi-lo, só então percebo a minha burrice, o pó impregna o ar a minha volta. O tecido da minha máscara é tomado pela farinha! O mesmo acontece com toda a minha roupa molhada. Tento respirar. Merda! Inalo o psicotrópico! O pó entra queimando em minhas narizas. Não posso tirar a máscara! Não posso! A cada absorção do ar pelos meus pulmões, mais da farinha branca ganha meu corpo. Respiro pela boca. Tomo outro soco na cara! Soco poderoso. Forte. Uma brutalidade tamanha. Meus pés se desprendem do chão, caio no chão frio e úmido. O polvilho do diabo atrapalha até a minha visão, que se torna embaçada após o segundo ataque que me acerta. Chuto a esmo, para afastar quem quer que seja. Levanto todo desengonçado. Levo um bicudo nos pés. Tropeço e caio de cabeça no solo. Quanto mais fôlego eu busco, mais droga eu inalo. O desespero agora é meu! Estou praticamente cego, sem nenhuma noção de espaço. Minhas mãos buscam o tato com algo que nem mesmo consigo saber o quê é. O brutamonte me levanta com facilidade. Fala algo que não passa de uns gemidos para meus ouvidos adormecidos. Ao me levantar tenho vertigem. Meu cérebro não consegue coordenar nada! VAMOS NEURÔNIOS DESGRAÇADOS! E sou arremessado até a mesa das drogas. Com meu peso e a força do arremesso ela se parte. Estou envolto aos tóxicos. Que bom. Meus músculos não doem mais. O pé do meu oponente esmaga meu abdômen. Que bom. Nada dói. Sou golpeado por todos os lados. Acho que estou sangrando. Que sensação diferente. O sangue eu sinto. Seu gosto azedo, meio amargo. Meu rosto é vítima de algum punho, nada se quebra. Que pena. A montanha de músculos continua batendo e batendo. Agora o gigante parece cansado. Hum... Que alívio. O vento da chuva lambe meu corpo com seu frescor. AS FERIDAS PASSAM A DOER! Um grito infernal sai de minha boca. Apenas para se silenciar, engasgada com um mata leão. Meu pescoço é alvo de uma pressão descomunal. O braço do bombado está em volta da minha garganta. Que amador. No máximo um faixa amarela meia boca. Um gigante sem disciplina. Isso não é jiu-jitsu. É só força mais nada. Pena que não sinto meus braços. Conheço seis métodos que poderiam aleijar o filho da puta. Pena que... Bom. Meus ouvidos voltam a funcionar. Escuto risadas, eles estão desdenhando da minha pessoa. O anabolisado também zomba. Fico ofendido. Por que fazem isso? Por quê? Hein? Me respondam!
- POR QUÊ? – solto gutural cavernoso.
O Bombinha aperta ainda mais minha garganta. Engasgo com minha própria saliva. O quê não impede que eu continue a exorcizar o que há dentro de mim.
- EU MATEI UM HOMEM! MATEI UM HOMEM HOJE! HÁ, HÁ, HÁ! – gargalho para o demônio. – NÃO PENSEI DUAS VEZES! EU MATARIA TODOS VOCÊS AQUI MESMO! HÁ, HÁ, HÁ. SERIA MAIS FÁCIL QUE FODER A MÃE DE VOCÊS!
Meu pescoço é pressionado, isso não é o suficiente para me calar.
- EU MATEI! EU! MATEI! MAIS UMA VEZ! HÁ, HÁ, HÁ! – como isso é bom!
Minhas mãos tateiam o rosto do meu algoz. Quando encontro algo macio... Meu Deus! Há, há, há! Enfio meu dedo com vontade no seu olho! Uma gosma misturada com sangue me suja, acho que explodi seu globo ocular. O maldito sente a dor. Me debato em busca da liberdade. Preciso de ar! Mesmo urrando de dor, o desgraçado segura minha máscara, a medida que vou me libertando. Sua mão arranca meu disfarce! Nãããooo! Meu disfarce! Minha identidade secreta! MEU ROSTO! Minha face exposta! NÃÃÃOOO!
Agora livre minhas pernas entram em atividade. Corro! Corro como o diabo! Minha visão ainda está embaçada, sorte que logo na frente há uma saída, nada de porta, apenas uma abertura na parede. Transpasso o vidro como se ele não existisse. Vários cortes insignificantes maltratam meu rosto. A bandidagem esbraveja nas minhas costas! Queria que fossem somente palavras. Suas armas imitam seus donos e cospem o que tem. Os tijolos são estraçalhados. Alguns acertam meu kevlar. Não posso cair. Continuo a correr ganhando a rua que parece infinita a minha frente. Meu ouvido volta a falhar, os disparos agora são sons ocos. Isso não os torna menos mortal. Vamos seu maldito amador, fuja! Escape! Uma bala vara minha perna. O chão não me reclamará novamente! Não caio! Mesmo mancando continuo a escapar. COVARDE! Outro disparo corta meu ombro, ainda bem que de raspão. Mais sangue. MEDROSO! Sua mocinha corra! Viro a esquina. Não há nenhum morador na rua, ninguém, somente a chuva que castiga meu corpo.
Um homem sai das trevas. É o fogueteiro! O fogueteiro que eu aliviei a barra. Olho dentro dos seus olhos. Peço ajuda com o olhar. Então desvendo sua expressão. Ele não sofreu! Ele não tem os olhos de um favelado. É uma frieza sem calor. O desgraçado saca uma pistola, não perco tempo em ver qual é. Apenas continuo a fugir. A arma dispara! Meu abdômen sangra. Mais sangue. Avisto um matagal. A mãe natureza está pronta, somente ela irá me ajudar! Entro na mata, não sei se é um lote vago ou uma floresta.
As armas de fogo reclamam a meu corpo! Os tiros desbravam o mato melhor do que os bandeirantes. Consegui uma distancia boa. Pena que não acima de dez quilômetros! Os fuzis ainda me alcançam. A vertigem volta. Luzes brilhantes piscam a minha frente. São fogos de artifício. Me lembra quatro de julho nos Estados Unidos. Pisco. A beleza se foi. Pisco mais uma vez. Está ficando tudo escuro. Pisco repetidas vezes. Maldito frio. Deve ser a chuva. O negro do meu uniforme está vermelho. Gostei do visual mórbido. Tem um buraco na minha barriga. O frio aumenta. Minhas pernas ficam bambas. FORÇA! Seu viadinho! FORÇA! Tropeço. Meu rosto cai em meio ao barro. Sinto o gosto arenoso da terra molhada. Levanto. Continuo a mancar. Não sinto meus pés. O gélido frio aumenta. Então é a sensação. Assim que se...

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Para os Homens – O quê precisa ser feito para não morrer encalhado

Agora eu sei o porquê de o Augusto Cury ganhar dinheiro. O que mais tem no mundo é gente precisando de... Auto-ajuda! Eu brinco com isso, mas é um assunto sério, afinal, psico-coisas são... Coisas sérias! E esse lance de auto-ajuda eu acho o top da bacanesa. Sério. Dizem que Breuer cuida de Nietzsche, Lacan e pá e tal, Freud explica tudo, mentira! Esse povo muito competente, inteligentes de primeira categoria, nos da o caminho para o auto-conhecimento. Algo difícil e raro, que levam as pessoas a criarem blogs, escreverem diários, compor músicas, cometer suicídio, fazer merda. E como eu sei que você, sim, o senhor ai que está lendo essas humildes e descoladas linhas, não tem a paciência, ou na pior das hipóteses acha esse lance de "se conhecer" muito homossexual, ou quem sabe não possui recursos para encarar uma análise, eu, Pedro Augusto, no codinome (eufemismo para apelido) Zé, tenho a resposta para seus problemas! Sentiu aí né? Estou atrevido hoje. Adiante. E qual é o único, o maior, o mais importante, o central, a designação de satisfação, o essencial... (respirando) ... o mais estupendo fator que move o mundo masculino? A mulher! E como bons heterossexuais não podemos viver sem essa obra de arte da natureza, logo, nosso fardo é conquistar! Amá-las, flertar com o que de mais belo há nesse globo rodante, é nosso objetivo, para isso papai do céu nos fez machos! Aos que não gostem de tal missão, juntem-se aos seus semelhantes e vão para São Paulo, desfilar na Avenida Paulista, sob a édge do arco-íris. Aos que gostam... E infelizmente... Vivem... (choro) ... sozinhos, não entendem como podem estar sábado anoite vendo cine peitinhos com a mão "nele". Buscam o que há de mais sofrido, quando abrem suas listas telefônicas em seus celulares super moderninhos, com bluetooth e tecnologia G3, e seguem os contados: André facul, Anderson facul, Bruno do futebol, Bêbe Mecânico, Cris Ksa, Cris cel 1, Cris cel 2, Celinho atleticano, Daniel Sempere, Danilinho segunda, Mãe, Tia Gil, Preta Gil... Seguido de toda a ordem alfabética, nomes de homens, e sim!, Cris era um homem. Para o senhor não morrer encalhado, não ter que ser taxado de tiozão, abaixo segue dicas comprovadas empiricamente, para você se tornar "O Homem da Ondinha".
Antes de prosseguir um ensinamento profundo, intrigante: "Mulher é como a eletricidade, você não precisa saber como funciona para tomar um choque".
Primeiro passo que deverá ser seguido, sob pena de se sentir um idiota caso não venha a cumpri-lo, é reconhecer que existem homens mais capacitados, mais bonitos, mais inteligentes, e mais "conversa mole" que você! Reconheça a inferioridade, sua incapacidade ao tentar conquistar uma mulher. Para assim começar do zero a escalada para o sucesso. Afinal, é o papai aí que está solteiro, no sentido de sozinho, simplificando, pegando ninguém.
Reconhecido seu estado depreciativo, a próxima atitude é alugar os seguintes filmes: Hitch, o Conselheiro Amoroso; Alfie, o Sedutor; e por fim, Do Que As Mulheres Gostam. Não pense que isso é ridículo! Se achar que é, volte a ler Augusto Cury, ou "Porque Os Homens Fazem Sexo? E As Mulheres Fazem Amor?", já li ambos e os filmes ajudam muito mais, por poucos e preciosos motivos. (1) Will Smith nos da dicas importantes, como o princípio máximo da conquista, "qualquer um pode ser um príncipe encantado, basta usar o cavalo certo", magnífico! (2) Jude Law é bonitão, tem classe e é refinado ao melhor estilo galã inglês, portanto, é um ótimo exemplo de macho a ser seguido. (3) Mel Gibson fez o mundo chorar em Paixão de Cristo e fez Máquina Mortífera, logo, alugue o terceiro filme indicado, ou morra.
Visto os filmes e reconhecida a fraqueza, tome cuidado com suas relações sociais. Revise seu modus operandi. Não seja o amigo delas! Se quer conquistá-las evite a amizade. Mulher adora jogar a desculpa esfarrapada do milênio, que perde só para o lavar de mãos de Pôncio Pilates, "não rola, vai estragar nossa amizade". Besteira. Falácia pior que a luz de razão do Zeitgeist. É eufemismo para, "não rola, com você não fico nem trêbada, você é fofo, pena que só isso". Viu? Concentre-se meu rapaz, se a garota está triste não chore com ela! Mostre força e apoio, nada de melação. Um bom amigo é sempre sensível, ou bruto demais. Tome cuidado com os extremos, volto mais tarde para o "extremo".

Vamos revisar agora o vestuário. Nada de roupas desbotadas ou muito repetidas. Usar camisa coladinha só se você estiver com o corpo bacana, se bem que o panceps masculino é menos condenável do que o da mulher, mesmo assim certifique-se que não seja nada medonho. Calças agarradas nem pense! A não ser que você seja um cantor de sertanejo, aí feio, bonito, burro, inteligente, você sempre terá aquelas fansetes "Vitor e Leo me come". Por compromisso com minha integridade moral, eu condeno calças de couro para pessoas comuns, como você. Eu? Eu tenho um blog, sou descolado ;-).

Viram como homem não tem mistério com relação ao vestuário? Continuemos.

Você já se concentrou em descartar a amizade, depois disso você deverá revisar por uma segunda vez seu modus operandi. Certifique-se de que você não é um "fogãozinho de ouro", a nomeclatura "microondas" também serve para o caso. O que vem a ser o fogãozinho de ouro? É aquele cara que somente "esquenta", não sai do lugar, só masca, só chicleta e não finaliza. Só isso? Não. Ele "esquenta" para outro! Porque enquanto ele gasta toda sua energia flertando, outro mais capacitado vem e... O final todos sabem.

Neste momento do texto você já é outro homem! Alguém novo, com conhecimentos para conquistar até a Cleo Pires, ou a Ana Paula Arósio, e isso sem ser governador de Minas! Chegou a hora de enquadrar a garota-objetivo em um nível. O nível 5 é o máximo (beleza de uma deusa, olhos que refletem o infinito do universo e um corpo de fazer inveja à Mulher Maravilha), o médio é 3 (as lindas, bonitas, as flores que colorem o jardim), e o 0 (as portas do inferno estão abertas, ou é a Terceira Guerra Mundial) é desespero total. Qual o motivo de tal classificação? A medida que o nível sobe a dificuldade vai aumentando, isso tomando as chicas pela sua generalidade é claro. Uma global pode chegar até o nível 4,5, aquela sua colega de faculdade pode ser encaixada no nível 3, quando arrumada na melhor das hípóteses um nível 3,5. A Preta Gil se encontra no patamar 2, para os que gostam de gordinha dou uma colher de chá e vamos para o 2,5. Mas lembrem-se, tais níveis são calculados com base em critérios estritamente objetivos, se a mocinha é gente boa, legal pra caramba, é um fator subjetivo não passível de "nivelância".

Aqui abrirei um parêntese importante. Os extremos podem ter sua dificuldade alterada, não se esqueçam. Uma mulher do nível 5, coisa que nunca vi na minha vida, apesar de existirem boas candidatas para tal, sofrem de um mal que chamo de "eu intimido a todos", ou "pegarei o primeiro corajoso que chegar em mim". Tal mal é explicado pela quantidade enorme de mulheres lindas com homens feios. E isso é bom para você, que é feio! Eu? Tenho um blog esqueceu? O mesmo ocorre para a lanterna da tabela, a mulher horrorosa, feia, a tal da "cremosa", sua dificuldade também pode ser aumentada para um nível superior ao do esperado, de dificuldade nula, para o PIOR TOCO DA SUA VIDA. Não se arrisque tanto meu caro, o auto-estima é uma jóia preciosa demais para ser lançada ao mar das aventuras desmedidas.

Tá. Chegamos ao ponto de dicas práticas. Faça-a rir. Mulheres adoram rir, não precisa pegar os canudinhos do refrigerante e colocar no nariz, existem meios mais eficazes. Quer um exemplo? Critique a roupa de outra do sexo feminino, se mostre leigo com isso, mas denote sua aversão a roupa da "concorrente" (todas mulheres se enxergam como concorrentes em potêncial). Faça-a gosta da sua presença. Você é um homem bacana, educado, descontraido, pelo amor do santo Hicht, não arrote, não peide! Seja, sendo prolixo, EDUCADO. Se for o primeiro encontro, passe perfume e faça a barba! Deixe a possibilidade de você ser "diferente" para um momento... diferente, mais introspectivo. NÃO RECITE NENHUM POEMA! Não, como já disse, no primeiro encontro, poemas são para momentos mais apaixonantes, coisa de namorados, coisa que você não é porque está solteiro, sozinho, abandonado. De Shakespeare ninguém precisa, não nos primeiros contatos. Se mostre letrado, não ao ponto da chatisse acadêmica, somente a dose certa para a mocinha ter a certeza que não conversa com um homem das cavernas. E por fim, PRATIQUE! O máximo que conseguir. Esqueça essa pseudo-aversão que elas tem do homem galinha, uma vez que, quando o homem é considerado galinha é porque ele "pega geral", se é geral é um número grande de pessoas do sexo feminino, então, PRATIQUE! Quem fala isso não sou eu, é Aristóteles. É somente com a prática que poderá ser alcançado o patamar de um homem conquistador, não existem conquistadores inatos, gênios da lábia de ouro, até os mais aptos tiveram que praticar, fazer daquilo um costume, sabendo o quê é certo fazer e também o quê é errado fazer.
Peço atenção máxima para o que se segue. Não faço alusão, muito menos apologia ao mau caratismo, à cafagestagem. Caras assim não merecem o respeito. Pessoas de baixo calão que não tem respeito pelo sentimento alheio, enganam, mentem DEMASIADAMENTE e DESMEDIDAMENTE. Não seja um cafageste, seja um solteiro eficiente!
Para os politicamente corretos que estão se remoendo por dentro, não venham cobrar exclusividade do "inexclusico", esse texto é para homens solteiros, livres e desempedidos. E mais ainda! Sabem o porquê de serem necessárias tais dicas, tais joguetes conquistatórios? O único motivo de precisarmos nos fazer valer de um teatro, nem que minimamente ensaiado, é de que VOCÊS seres femininos nunca abririam a cabeça para um, "eu gosto de você". É fato de que um simples "eu gosto de você" nunca é o bastante. Não quando um homem nem ao menos sabe o nome da mulher, pela qual seu coração bate com mais força, e até mesmo quando sabe. Chegar e se declarar com um simples e verdadeiro "eu gosto de você", é o primeiro passo para o rótulo de inexperiente, bobão, besta, infantil, disfarçado de um "ai que fofo, mas não rola". Essa é a triste realidade masculina, na qual os garotões encalhados sofrem, o medo de ser sincero e poder falar para quem ele gosta: "eu gosto de você".








O cavalo é o método, a busca infinita pela Técnica Perfeita, ser Príncipe Encantado depende mesmo é do coração.



Ontem






"Todo homem pode ser um principe encantado, só basta usar o cavalo certo".



Hoje

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Obama e McCain - Uma lição de civilidade

Arte encontrada no blog Matheus Sá Motta
Eu nunca vi o mundo tão eufórico como vi nesta última quarta-feira. Me lembrou a queda do muro de Berlim!
Tá certo, não me lembrou porcaria nenhuma. E sim! Eu ri por dentro, cada vez que aparecia alguém para defender a questão racial da eleição americana. E nem vou entrar nos ataques à Sarah Palin, vice do McCain. O próprio Obama driblou o tanto quanto pode tal rotulação. Volto nesse ponto daqui a pouco. Quem acompanhou a cobertura da Rede Globo, em especial o Jornal da Globo, e de vários outros meios de comunicação puderam perceber a seguinte particularidade: TODU MUNDO PASSOU A SER ANALISTA POLÍTICO. Não estou sendo elitista, apesar de gostar um pouco dessa posição, contudo a burrice é a característica mais anti-racial do planeta (ela não escolhe cor, nem bolso para dar as caras), não quero me justificar, portanto, contenham-se. Também não estou chorando as mágoas do benefício que temos na democracia, a liberdade de expressão. Acontece que com relação às eleições do maior Estado democrático do planeta, existem coisas mais bacanas, mais "conteudescas" (olha o neologismo aê!), e até mais relevantes a serem ponderadas, do que as sandices porcas e anti-americanas que vemos por ai. Abaixo tratarei de algumas. Juro que não é um texto muito longo.
Ser anti-americano é como ser comunista na adolescência. É lei! Todos falavam "o socialismo de verdade não foi implementado", era a verdade suprema da idade áurea. Outra verdade suprema é de que os americanos são um império cruel, consumista, em suma, grandes capitalistas fomentadores da pobreza no mundo. Eles jogaram uma bomba atômica, melhor, duas! Eu sei. Condeno isso desde os meus 12 anos de idade, quando filosofei a respeito em uma aula de história. Outra coisa, esse texto não é destinado à santificação dos americanos, então, continuemos.
Falo das bobagens anti-americanas porque elas são erradas, falsas ou desmedidas. Primeiro o capitalismo é o melhor modelo econômico que já existiu. Não há dúvidas. Não é o "céu" na terra, como promete o Comunismo. Funciona, gera renda, saúde, distribui riquezas, melhor do que ninguém. Está em crise? Claro que está. Faz parte. Não é uma volta as estatizações, nem o fim do, NINGUÉM define, neoliberalismo. Analisando de maneira singela, o excesso de confiança, o inadimplemento, a entrada de países emergentes como potências econômicas (China e Índia), até o grande crescimento econômico americano dos anos anteriores (daí o excesso de confiança que, posteriormente, culminou da falta da mesma) contribuem para crise. Farei um apanhado histórico da bomba. Tudo começou quando deram crédito em excesso ao mercado imobiliário americano, e crédito excessivo - e essa é uma opinião pessoal com respaldo na realidade - é sinônimo de superindividamento e inadimplemento. Lembrem-se o crédito não é, digamos, din-din vivo. Nunca se esqueçam disso. Com o grande número de financiamentos não sendo pagos, o mercado se tornou temeroso, vários fundos de investimento estão sendo "garantidos" por tais financiamentos. Tentando simplificar o insimplificável, "não paga pra mim, não pagarei, ou terei dificuldades em pagar, o outro". Não conseguindo pagar suas dívidas, para qualquer cidadão com o mínimo de inteligência, qual a primeira medida? Vender tudo e sumir do mapa? Dar o cano? "Devo e não nego"? Não, não! Reduzir o consumo moçada. E como conseqüência disso aconteceria uma retração na economia americana, e está acontecendo. Outras conseqüências desse temor são: a venda desenfreada de ações e outro títulos mobiliários no mercado financeiro, daí a queda das bolsas; e ainda com esse foco, os investimentos caem, e a galerinha empresarial, ou falirá, ou tentará algum outro meio para isso não acontecer, como a concordata no caso americano (não existe mais esse instituto no Brasil desde 2005, com a Lei 11.101/05, que trata da Recuperação Judicial e da Falência), e até, em casos extremos, irá chorar uma intervenção estatal. Se alguém ai falar algo do tipo "tá vendo, voltemos a ler Marx, o capitalismo acabou", lhe darei aquele chapeuzinho de burro do texto "Para Tudo Melhorar, e te deixarei no canto da sala. O Estado sim deve intervir, afinal o Estado Liberal não funcionou, nem o Social, mas somente em momentos como esses, extremos, de crise. Sua função é regulamentadora. Pagamos tributos e fizemos o tão queridinho "contrato social" para que?
Se alguém ainda duvida da força do capitalismo, dêem uma sacada no dólar. A moeda americana. Por que ele sobe? Não houve um "stop" geral nos investimentos, essa leva foi direcionada para o dólar, que é um investimento mais seguro e não têm uma desvalorização tão volátil como as ações de alguma companhia.
Entendida a crise, voltando dessa viagem astral ao mercado financeiro, hora de concentrar no anti-americanismo do lixão. A questão racial. Ah! Um negro na presidência. Tudo que os americanos não querem, ou repudiaram, negro, nome muçulmano, um representante das minorias categóricas. Ah! Que lindo. Enfim, eles tiveram juízo! Só faltou ele ser gay. Esse é o tipo de discurso que me fazer pensar no suicídio. Obama não é Nelson Mandela! A mãe dele era branca sabiam? O próprio evitou, ao longo de sua campanha, sustentar tal discurso. É uma babaquice tamanha. Um filosófo brasileiro, não lembro o nome, falou ao Jornal da Globo, a seguinte pérola: "agora sim acabou a Guerra Civil americana". Pronto. Explodi minha cabeça, cortei meus pulsos. Primeiro quem ganhou a tal guerra era quem condenava a escravidão. Retomando. Toda a imprensa, de forma bem geral mesmo!, tinha a idéia de que não votar em Barack Obama era uma atitude racista. Essa idéia é implícita, confirmada no dia da vitória por certos comentários e modo de tratar a vitória. "Não vai votar em um negro? Seu branquelo safado, republicano da Ku Klus Kan!". Não é por ai minha gente, o voto foi tratado por muitos como um revanchismo racial, a famosa justiça histórica, se lembram? A mesma que matou judeus na Segunda Guerra, "eles crucificaram Jesus uai!", ou então os terremotos na China, como já abria a boca para explicar a nossa pseudo-pensadora Sharon Stone, "é karma".
Se a sociedade americana ERA tão racista - como alguns defenderam - e HOJE não é mais, por que no cinema (isso Hollywood!) apareceram uns bons presidentes negros? Alguém reclamou disso? Alguém impediu isso? Alguém SEQUER chegou a fazer um raciocínio racial a respeito? Claro que não! Porque não precisamos fazer isso! Uns bons leitores do Pato Donald o monstro capitalista podem ter pensado a respeito, esse time gosta disso. Tem até um filme O Presidente Negro (The Man), lançado em 1972 - eta traduçãozinha porca desse Brasil, estão vendo, ELES eram racistas. Antes desse temos Rufus Jones for President, de 1933, com Sammy Davis Jr. O grande Morgan Freeman papel do presidente Tom Beck em Impacto Profundo, de 1998. Tommy Tiny Lister também foi o presidente Lindberg em O Quinto Elemento (filme bem bacana!). E muitos outros! Na televisão também temos um presidente afro-americano, alguém ai assistiu 24 horas?
Falar em questão racial como um ponto definidor, elevar esse discurso à justiça história é ser mais racistas do que as cotas para negros que temos no Brasil!
Chega disso, passaremos para outro ponto. O messianismo do Osama, ops, Obama. Eu nunca dou atenção para os grandes salvadores da humanidade. Nunca mesmo! Gosto disso só nos quadrinhos, nos filmes, nos romances que leio. Na vida real esse papinho mequetrefe não cola. Entretando, se eu fosse americano, votaria no Barack Obama. "Uai Zé, está se contradizendo-se?". Não estou não, votaria nele porque acredito na alternância do poder, os republicanos ficaram oito anos, hora de mudar (CHANGE!). Não no sentido de reviravolta milagrosa, apenas uma mudança democrática. Voltemos. Salvadores sempre matam mais do que salvam, quando não cagam a merda toda. Exemplos, eu sei que vocês querem exemplos, não é? Getúlio Vargas foi um desses. Naquela época nem sabíamos direito, êta povinho atrasado, o que era a Democracia. O cara era um demagogo de marca maior, leiam o texto "Fudendo, Flertando e Explicando a Democracia - Parte 3", lá poderá ser encontrado um trecho da carta que "ele" escreveu antes de morrer. Jesus era um poeta chinfrim rapaz, perto de Vargas! Ainda no Brasil, temos Lula, o Alibabá da Terra dos Macaquitos. Remexam a memória para o dia da sua posse, não conseguindo fazer isso, entrem no Youtube, lá deve ter. "Atravessando o Atlântico", caímos na Rússia, quantos morreram por lá? Muitos, milhares, milhões! E quem estava lá para salvar os oprimidos e botar o proletariado no poder? Lênin, Stálin, Tróstski. E que tal Cuba? "Fidel, o fumador de charuto", e seu colega do grêmio universitário no curso de Marxismo e Revolução, "Che, el safadon". Esse povo mata mesmo! Ou os cubanos queriam fugir de Cuba no Pan porque lá é o primeiro mundo? Viajei demais, vocês que queriam exemplos pô. Obama é diferente destes por força do óbvio, mas ainda assim discursava como um Messias. Promete milagres, "espalhar a riqueza", como se isso já estivesse acontecido! Como se fizesse isso num passe de mágica. Calma, peço calma e pé na realidade, mais nada.
Outro tópico é a tal vitória massiva do candidato. Esperem um pouco... Ele não foi eleito com 100% dos votos. É o que acreditam os ANALISTAS que opinaram sobre sua vitória para o Jornal da Globo, e para onde quer que eu olhava. No Programa do Jô, joguei uns bons minutos da minha vida fora vendo a entrevista do, SEI LÁ O QUÊ que esse homem faz, Tom Zé. Esbravejando de forma teatral baboseiras diversas, das notas musicais no funk carioca, até demonizando George W. Bush. Queria ver alguém demonizar o Putin! Só por aqui opiniões como essas são relevantes, o auditório do Jô foi ao delírio! E eu cá, sentado na minha cama, pensando "que coisa ridícula". E detalhe, o auditório é composto por estudantes. Estou com uma vontade enorme de falar mal do Tom Zé, mas o que falo serve para qualquer um, inclusive Chico Buarque, com suas ilusões comunistas pró-Cuba. Mais a respeito desse tipo de retórica, leiam outro texto meu "Retórica das Falsas Verdades".
Cansei. Já meti a bordoada, vamos para os elogios, e reparem, acredito que os Estados Unidos são uma das maiores democracias do globo. Prova disso foi o discurso da vitória de Obama, e o da "derrota" de McCain. Invejável! Magnífico! Aquilo que é um país unido, mesmo nas disputas. Um país sem censura. Aonde a imprensa é livre para ter um "lado", isso mesmo, coisa que aqui na América das Bananeiras não é permitido. A campanha americana foi abrangente, não escolheu raça, nem cor, nem categoria! Foi uma vitória do indivíduo, do americano! Das leis e da Constituição! Latinos, Negros, Brancos, Amarelos, Verdes, confiando em uma instituição, essa sim a chave para a civilidade. Uma instituição que se perdura no tempo. Homens morrem, são apagados, as instituições permanecem! Os princípios também. Liberdade e tolerância. Citarei aqui o "derrotado", o "vencido" John McCain, a melhor frase que escutei esse ano (sim eu vi esse discurso), com relação à política. Tal dizer carrega uma virtude máxima da democracia, deixa transparecer o que a de mais civilizado na humanidade, e foi dita sem nenhum rancor, muito pelo contrário. Pedirei a vocês que leiam com os olhos de quem acredita no que chamamos de ser humano.
"Ele era meu adversário, agora é meu presidente".

Quinta-feira, Novembro 06, 2008

Rodada Doha e a Política Externa Brasileira

Algumas ponderações:

Eu sei que o tema é antigo. Pasmem! Agosto de 2008. Passado! E esse texto foi feito naquela época. É chato! Eu sei! Falar sobre vestidos e sobre meus sentimentos é muitooo mais legal, bacana, gostoso de ler, e até, acreditem, mais construtivo. Como nem tudo no jardim são flores, vamos falar sobre economia (não econômia, fiquem tranquilos -" ¨" esse ai foi abolido - defensores da gramática) e política. O "artigo" que se segue também é tema do meu trabalho para a disciplina Direito Internacional Público. O que é a Rodada Doha? Leia e você saberá. Quem sabe aparecerá algo aqui sobre a crise financeira, ou sobre Obama, quero guardar para a retrospectiva de praxe.

Beijos e abraços a todos.

Rodada Doha e Absurdos na Política Externa Em 2008

O ano de 2008 marca vários acontecimentos com grande relevância internacional. Além de um evento mundialmente querido, as Olimpíadas, temos outro evento de menor cobertura por parte dos meios de comunicação comparado aos tão queridos jogos, a Rodada Doha. Internacionalmente, vivemos momentos interessantes. Descoberta de petróleo da camada pré-sal no Estado do Espírito Santo, acompanhada com a declaração do Presidente, "em setembro deste ano vamos começar a fazer exploração experimental no Espírito Santo, numa área que foi descoberta recentemente pela Petrobras". Um suposto interesse americano nessa descoberta, como se pode ver em notícia da enviada especial da BBC Brasil a San Miguel de Tucumán – “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que quer explicações dos Estados Unidos sobre a Quarta Frota da marinha americana, que reapareceu nas águas da América Latina quase 60 anos após ter sido desativada”. A guerra na Geórgia, que merece sérias reflexões a respeito, principalmente com o foco direcionado aos princípios do Direito Internacional. Tal guerra que terá ainda muitas conseqüências, facilmente perceptíveis pelas declarações americanas, com apoio da União Européia, que condenam a ocupação russa em território da Geórgia. Junto com a tentativa frustrada da ONU em buscar um cessar fogo, e até tendo a OTAN congelado relações com Moscou. A suposta ligação entre indivíduos do governo brasileiro com as FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. O resgate de Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc, em uma operação coordenada pelo presidente colombiano Álvaro Uribe. A recente crise econômica que deixou de ser somente “americana”. Certas eleições (admiráveis democraticamente) e o mais novo salvador do mundo (eleito pelo mundo e pelos americanos): Barack Osama, ops, Obama.
Em meio a esse cenário global destacarei a já referida Rodada Doha e a fala infeliz do nosso Ministro Celso Amorim no término das negociações.

Rodada Doha e Celso Amorim

A “Agenda Doha de Desenvolvimento” é o nome da conhecida Rodada Doha, basicamente é uma abrangente negociação promovida pela Organização Mundial do Comercio (OMC) com o objetivo de flexibilizar barreiras econômicas. Acompanhando a necessidade de redução das tarifas e subsídios no comercio internacional, tal rodada foi aberta em 2001 e não possui uma conclusão concreta até os dias de hoje.
É clara a dificuldade encontrada em se alcançar o objetivo proposto pelo evento que reúne 153 países do globo em Genebra, na Suíça. As negociações envolvem interesses tanto de países desenvolvidos quanto os dos chamados países em desenvolvimento. Enquanto esses querem aumentar suas exportações de produtos agrícolas, os ditos países ricos anseiam maior acesso ao mercado de produtos industriais dos emergentes. Segundo Ronaldo França na revista Veja, “
é isso que torna a discussão tão complexa, além do fato de que o arsenal de instrumentos criados para proteger mercados ou incentivar produtores é vasto. O rol inclui tarifas à importação (algumas chegam a 900% do preço dos produtos), subsídios (domésticos, dados diretamente aos produtores, ou à exportação), cotas de importação, medidas sanitárias e até expedientes inacreditáveis, como o uso intencional da morosidade na aplicação de medidas sanitárias”. É nesse “conflito de interesses” que está a fonte do fracasso de tais negociações, países como Índia e China, diferente do Brasil, não concordaram com o pacote de soluções apresentadas pelo diretor-geral da organização internacional Pascal Lamy. Pacote esse também rejeitado pelos Estados Unidos.
No desenrolar do não entendimento entre as nações, ficou claro que o assunto “quebra de fronteiras” é algo ainda polêmico para o comercio mundial. Declarações como do Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que declarou que a Rodada de Doha não tem maior importância, uma vez que tudo se resolverá independentemente do que for tratado ali.


Outro ponto de discórdia é a respeito do Etanol, segundo o Jornal da Globo, o galão de etanol paga uma taxa de US$ 0,54 para entrar no mercado americano, o que inviabiliza as exportações do álcool brasileiro. Tema que os americanos resistiram em debater.
Há também, ainda conforme o Jornal da Globo, uma política protecionista por parte da Europa, que se recusam a baixar tarifas justamente nos produtos em que os países em desenvolvimento são mais competitivos: como o frango e o açúcar.
O fracasso da Rodada Doha foi confirmado com o fim das negociações. Mesmo com o mérito de ter desmascarado as divergências que impedem um real desenvolvimento comercial no mundo, não houve nenhum acordo real que beneficiasse o Brasil. Tal insucesso culminou em falas infelizes por parte do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, que chegou a comparar o discurso dos países ricos as técnicas de desinformação nazista, usadas por Joseph Goebbels na Segunda Guerra.
"Goebbels sempre dizia que quando se repete uma mentira muitas vezes, ela se torna verdade", afirmou o chanceler. Em reportagem de Jamil Chade no Estadão, podemos ver que o Ministro abandonou as sutilezas diplomáticas causando espanto nos outros negociadores, "quando eu vejo o que é dito sobre a liberalização no setor agrícola e no setor industrial, não tenho como não me lembrar de Goebbels. Isso precisa ser desmascarado e não podemos ter um acordo baseado na desinformação". A fala foi deselegante, provocando até a reação do porta voz da representante americana Susan Shwab, judia. O porta-voz classificou a fala de “inacreditavelmente errada, além de qualquer imaginação”.
O colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, criticou fortemente a fala do Ministro, como também outras atuações no campo internacional, listando no que, ao seu ver, são “desastres” nas relações externas de nosso país:

- Amorim tentou emplacar Luís Felipe de Seixas Corrêa na Organização Mundial do Comércio em 2005. Perdeu. Sabem qual foi o único país latino-americano que votou no Brasil? O Panamá!!!

- Também em 2005, o Brasil tentou emplacar João Sayad na presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Deu errado outra vez. Dos nove membros, só quatro votaram no Brasil — do Mercosul, apenas um: a Argentina.

- O Brasil tenta, como obsessão, a ampliação (e uma vaga permanente) do Conselho de Segurança da ONU. Quem não quer? Parte da resistência ativa à pretensão está justamente no continente: México, Argentina e, por motivos óbvios e justificados, a Colômbia.

- Sob o reinado dos trapalhões do Itamaraty, Lula fez um périplo pelas ditaduras árabes do Oriente Médio. O Babalorixá deixou de visitar a única democracia da região: Israel.

- Em maio de 2005, no extremo da ridicularia, o Brasil realizou a cúpula América do Sul-Países Árabes. Era Lula estreando como rival de George W. Bush, se é que vocês me entendem. Falando a um bando de ditadores, alguns deles financiadores do terrorismo, o Apedeuta celebrou o exercício de democracia e de tolerância.

- A política externa brasileira tem sido de um ridículo sem fim. Em 2006, país votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas, no ano anterior, negara-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida, que praticou os massacres de Darfur. Por que o Brasil quer tanto uma vaga no Conselho de Segurança da ONU? Que senso tão atilado de justiça exibe para fazer tal pleito?

- E tudo isso por quê? Antiamericanismo tosco; complexo de inferioridade vertido em arrogância de gente recalcada. O governo que tem a pretensão de dar lições ao mundo não consegue ter uma voz minimamente ativa no conflito Colômbia-Farc, que está naquela que deveria ser a sua área de influência. Pior do que isso: é descaradamente leniente com o terrorismo.

No caso da Colômbia, se bem se lembram, Amorim foi quem liderou o esforço para condenar Álvaro Uribe na OEA por conta do que chamava “invasão do território do Equador”, país que, deixaram claros os documentos encontrados no computador de Raúl Reyes, dava apoio aos narcoterroristas.”

Houve outra declaração do Ministro capaz de provocar certa inquietação intelectual. “Deus queira que não seja preciso um outro 11 de Setembro”. Essa declaração pode ser conferida em diversos meios de comunicação, como O Globo, revista Veja e CBN. Essa fala acompanha a lógica usada pelo Presidente brasileiro: "tenho dito que sou o mais otimista dos mais dirigentes do mundo sobre a possibilidade de fazer um acordo na rodada de Doha até porque estou convencido que se nós quisermos ter paz no mundo e combatermos o terrorismo, evitar essa perseguição existe aos imigrantes no mundo inteiro". O presidente afirma que "nós temos de ajudar a desenvolver os países mais pobres (...). Em que os europeus flexibilizem no mercado de agricultura para que os países pobres possam vender seus produtos, e para que os Estados Unidos reduzam seus subsídios e que nós, do G20, façamos uma flexibilização dos produtos industriais.”, noticiado por Renata Giraldi, na Folha On Line. Tal lógica não pode ser considerada de outra maneira a não ser infeliz. Ela traz a culpa de atentados terroristas para as próprias vítimas e para os desarranjos comerciais. Chega a ser difícil traçar um paralelo “comércio mundial justo” com o “fundamentalismo islâmico”, por exemplo.
Tais declarações mostram a frágil ideologia daqueles que representam o Brasil no exterior. Enfocar um “marqueteiro” nazista em comparação ao comportamento de países chaves na Rodada Doha, importante negociação aonde participaram várias nações econômica e politicamente relevantes, e colocar os Estados Unidos, pela sua política protecionista, como culpados do atentado terrorista em 11 de Setembro é, como já afirmei, no mínimo deselegante. “Retira” o Brasil de uma posição, tão aclamada por alguns, de “neutralidade”, e nos coloca na contra-mão do progresso e do status de uma nação relevante internacionalmente.


Referências:

- Jornal O Globo, http://oglobo.globo.com/.

- Estadão On Line, http://www.estadao.com.br/home.shtm.

- Folha On Line, http://www.folha.uol.com.br/.

- Agência Efe,
http://www.efe.com/principal.asp?opcion=0&idioma=PORTUGUES
.

- Laços Explosivos, reportagem da edição 1896 da revista Veja,
http://veja.abril.com.br/160305/p_044.html.

- Reinaldo Azevedo http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/05/as-farc-no-brasil-e-olivrio-medina-um.html.

- Diogo Mainardi http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/040608/mainardi.shtml.

- Jornal El Tiempo, http://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-4157739.

- Revista Cambio, http://www.cambio.com.co/portadacambio/787/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-4418592.html.

- Reuters, http://br.reuters.com/.

- Portal G1, http://g1.globo.com/.

Jack Built, o Louco - Perto de Cristo, Longe de Deus! Capítulo XII – A Diferença Entre Heróis e Vilões

Fico tenso só de imaginar. Vai dar merda! Policiais despreparados, bandidos bem armados e um túnel. Para piorar, um túnel engarrafado! Milhares de pessoas desesperadas, no meio de uma saraiva de tiros. Vai dar merda! Acelero ainda mais.
- Vai ser o vídeo mais assistido do ano! – comemora o garoto.
- Quantos anos você tem? – pergunto.
- Dezoito. Já sou de maior! – a fala termina com um sorriso.
- Maior! Não DE maior. Agora escute com atenção... – sou interrompido pelo seu celular, que toca uma música de gosto bastante duvidoso. Um hip-hop americano. Desses filmes acéfalos, aonde o rapper é o herói. Uma atuação ridícula, mas isso não importa, não é?
- Alô? – fala o garoto. – Não conta pro papai viu mãe... Isso. Pô mãe! Tá bom... Ahan... Não esqueço. Aonde eu estou? O lance é o seguinte... Calma! Eu to falando! Tá tudo bem sim. É que o Jack Built, sabe, aquele que veio de Minas Gerais e ta espancando neguim a rodo por ai... Porra mãe! Calma aí, ele num me bateu não! – agora o garoto faz uma cara de quem está com problemas, preparando para dar a notícia para sua mamãe. – Ele pego o Porsche do papai. – ele fecha os olhos, a mamãe está gritando, até eu posso escutar.
O celular quase cai de sua mão, quando sou obrigado a ultrapassar três carros de uma só vez. Freio um pouco, passo apertado no meio de dois. Os restos da explosão não passa de uma nuvem negra tomando o céu atrás de mim. As viaturas da policia e a segurança nem me notam dentro do Porsche, passam desapercebidas na pista contrária. A discussão familiar continua ao meu lado.
- Relaxa mãe. Agente só vai pegar alguns bandidos, né não? – o filhinho da mamãe olha para mim e pisca. – Iii mãe. Tá. Ok. Certo. Tudo bem. Ela quer falar com você. – sua mão se estende para me entregar o telefone.
- O quê? – indago.
- Ela quer falar com você.
- Que merda! Passa logo esse telefone. – pego o celular. – Alô? Escute aqui senhora... Como? Não espere aí... – o garoto zomba de mim, fazendo gestos de “você se fudeu” com a mão. – Pode deixar! - a velha continua a falar, eu retiro o celular dos meus ouvidos.
Enquanto sou obrigado a desviar de carros e mais carros a duzentos quilômetros por hora, agora virei babá! Que mulher chata. Abro o vidro da minha janela, o vento entra de forma violenta, alguns papéis começam a voar. Coloco o celular na boca no garoto.
- Da um tchauzinho para a mamãe, júnior!
Ele não entende. Jogo o celular fora, como se fosse um papel de bala.
- Porra cara! Que caralho! Esse era um Nokia N81! – o bebê quase chora, ao ver seu brinquedo ser estraçalhado ao se chocar com o asfalto, espalhando seus micros pedaços para todo o lado.
- Se segura. – aviso.
Ele entende o recado quando vê logo à frente a guarita do pedágio. A visão está embaçada, a velocidade provoca esse efeito. Ali há uma guarita vazia. Se eu tentar parar vou capotar. Se eu parar terei de responder mais perguntas do que para uma mãe preocupada. Atravesso toda a pista, da esquerda à direita, ignorando qualquer regra de trânsito. Seta? Não há como se lembrar dessa porcaria neste momento. Passo vazado na guarida, estourando a cancela, o Porsche chega a sair alguns centímetros do chão devido a um elevado na pista. Os pneus voltam a atritar com o chão em questão de segundos. Continuo meu caminho, deixando para trás um quase infarto para a caixa do pedágio.
- Uooouuu! – festeja o júnior. Eu sei como ele se sente.

RIO DE JANEIRO – 04 DE AGOSTO DE 2008
12:39 PM

Meus músculos doem. O caminho está tranqüilo. Daqui a um minuto já avistarei o túnel. O problema é que meu corpo inteiro está doendo. Não durmo bem faz uma cara. Esse trabalho ainda vai acabar comigo. O garoto ao meu lado não para de falar, eu por sinal, parei de escutar desde seu último grito lá na ponte. Ele fala algo sobre mulheres. Que eu devo, como ele fala, “azarar aos montes”. Não sou tão mais velho que ele, e realmente nesse assunto eu não posso reclamar. Meus olhos querem fechar. Meus músculos doem.
- Será que você não precisa de um parceiro? – pergunta o sujeito com ar de curiosidade.
Eu caio na gargalhada. Riu bastante, deixo o pobre coitado sem graça. Mas isso é muito engraçado! Cacete! Como isso é engraçado! Avisto o túnel, já era de se prever que estou perto, o trânsito está denso, engarrafamento logo à frente. Nem por isso diminuo a velocidade. Acho que arranquei um retrovisor logo ali atrás.
Termino a curva e lá está. Odeio congestionamentos. Quem não odeia essa merda? Usando uma filosofia de moto-boy, são as veias da cidade estão entupidas pelo volume excessivo de veículos. Hora de desacelerar. Breco com força! Com vontade! Todos a nossa volta se assustam. Já posso escutar o tiroteio dentro do túnel. O Porsche chega a derrapar por um instante, as dores se foram. Penso nas pessoas. Abaixadas entre os bancos rezando para que a lataria de seu carro agüente. Isso tem que acabar rápido. O Porsche parou. Abro a porta, me preparo para sair.
- Obrigado Robin! – não espero resposta.
Sigo correndo para o túnel, em meio a carros, motos, caminhões, ônibus, e dedos apontados para mim.

RIO DE JANEIRO – 04 DE AGOSTO DE 2008
12:41 PM

Avisto uma viatura recebendo tiros. Um policial militar está sangrando. Tenta se proteger encostado na roda de sua viatura. O outro está bem, com seu 38 na mão, enfrentando os vermes. Curvo um pouco meu corpo, não quero que os bandidos me vejam chegando. Pessoas gritam lá dentro. Posso escutá-las. Cada uma delas. O policial ferido me vê, seus olhos agora denotam esperança. O outro despeja suas seis balas de uma só vez. Vejo para onde ele está atirando, dois Fiats Bravo bem adentro ao túnel. Não consigo contar quantos homens são.
- Vocês são os únicos aqui? – indago.
O PM ferido me responde. Ele respira ofegante, agora vejo seu ferimento. Sua barriga sangra, sua mão tenta inutilmente impedir que o sangue fuja.
- Isso ai. Ninguém mais queria encarar esses viados.
O outro vê que eu cheguei. Carrega suas últimas balas. Apenas seis. Contra as automáticas com milhares de balas.
- Até que enfim você chegou porra! Éramos os únicos que estavam aqui por perto. Esse aí. – aponta para o parceiro. – Insistiu pra vir pegar os meliantes. Falei que não devíamos mexer com isso. Viu no que deu? – grita com o ferido.
- Se acalma ai homem. – tento não piorar a situação. – São quantos lá dentro do túnel?
- Sete. – responde o PM. – E bem armados!
- O reforço deve chegar logo. – eu rezo para que chegue, nunca me espanto quando a Polícia demora ou é incompetente demais. É do jogo.
- Reforço? – grita o policial. – O único reforço que sempre temos é esse aqui ó! – se levanta e gasta toda sua munição, atirando a esmo dentro do túnel.
- Não! – tento segurar o homem. Tarde demais.
Ao se levantar deixou seu corpo exposto. E o pior acontece. Recebe quatro tiros ao longo do tronco, bate em um dos carros ao lado, pintando-o de vermelho. Vermelho! Agora agoniza, tentando sobreviver, com quatro buracos no peito. Seu colete a prova de balas é vagabundo. Além de não segurar os tiros, diminuem sua força, deixando as balas incrustadas entre seus órgãos. O policial já ferido se desespera.
- Você ainda tem munição? – pergunto.
Ele confirma com a cabeça, que está toda suada.
- Preciso chegar até a entrada do túnel. Lá vou tentar arranjar um caminho para surpreender a bandidagem. Eles sabem que estão sem saída. Vão tentar armar uma. Você vai me dar cobertura. Relaxe, são poucos metros. Atraia a atenção deles por alguns segundos, depois fuja, corra, faça o que quiser! Você consegue atirar ainda?
- Claro. – a resposta sai trêmula.
Seus olhos me olham com seriedade. Ele prende a respiração. Fecha os olhos por dois segundos. Uma pequena prece.
- Pronto? – pergunto.
Ele confirma com a cabeça.
- AGORA! – grito.
O homem levanta e começa a atirar! Corro! Corro como nunca! Pulo em cima do capo de um carro, caio com a técnica de rolamento, continuo a correr! Não posso parar! O policial tem seis disparos. Já foram três. Chego na entrada do túnel. Agacho perto de uma caminhonete. O quarto disparo corta o ar. Pense rápido sua mula! São sete homens. Preciso surpreendê-los. O túnel tem duas entradas, logo, eles já prevêem que um ataque pode... Isso! Atacarei pelo alto. Escuto o quinto disparo. Olho para o teto do túnel, as luzes são segmentadas, todas presas a uma espécie de trilho. Um emaranhado de ferro. Uma linha. Que liga lâmpada em lâmpada. Ali passam os fios. É o mesmo suporte para os exaustores, que retiram o ar quente de dentro do túnel. Isso tem que dar certo. O sexto disparo encerra minha cobertura. Os bandidos respondem ao ataque do policial. Não são nada carinhosos! Suas automáticas atingem a viatura, e também outros carros. As pessoas gritam! Balas perdidas, aos montes! Isso tem que acabar! Miro o gancho do meu exoesqueleto no teto. Direciono-o para o tal “trilho” da luz. Atiro. O pequeno arpão segue seu caminho com perfeição, e fixa no teto. Aciono o carretel e sou puxado para cima, ninguém viu isso acontecendo. O barulho, não passou de mais um dos milhares. Os bandidos se concentram na viatura. Agarro-me ao “lustre” que enfeita esse buraco infernal. Destravo o gancho.
Como um macaco, vou me movimentando nesses suportes de aço. São alguns metros até os carros dos desgraçados, eu agüento! A dor se foi. Deve ser a adrenalina. Já passei por coisa pior. Vai ser fácil! Isso. Continue se enganando seu asno, são no mínimo uns cem carros ali embaixo, a mercê de uns filhos da puta armados até os dentes... E você está sozinho! Pelo menos a dor se foi. Meus bíceps são obrigados a agüentar o peso do meu corpo mais uma vez. São minhas pernas no teto. A cada “passo” eles ardem. Não doem, apenas ardem!
Agora posso ver claramente quem serão meus alvos. Sete homens. Vestidos casualmente. Isso aqui deve ser um passeio no shopping para eles. Só que deu errado! Todos usam coletes a prova de balas. Noto que a qualidade é superior ao do pobre policial. A obviedade é mortal nesses casos. Eles estão espalhados em torno dos dois Fiats Bravo. Abriram suas portas, para servir de escudo. Também usa os demais veículos como proteção. Um dos sete homens, grita com os demais, coordenando-os. Esse será o primeiro a cair. Provavelmente o mais inteligente, o líder. Está um pouco afobado, deve estar maquinando um meio de sair desse túnel. Não vou dar esse tempo ao marginal!
Mais uma vez usarei o arpão. Miro no centro do teto, balançarei ao modo Tarzan, preciso cair no meio dos desgraçados. Assim evitarão de usar suas armas em curta distância. Espero. O exoesqueleto é pesado, está incomodando desde a ponte. Vinte quilos a mais no meu corpo, fora as armas brancas que trago. Foda-se! O bagulho é útil! Atiro bem aonde preciso, o gancho se prende. Hora de balançar! Agora sim eles me viram! Salto e me concentro! Caio em cima de um Bravo, as janelas explodem pelo peso inesperado no teto do carro. Todos os sete se preparam para atacar. Saco minhas lâminas. Dou uma cambalhota para trás, escapando de uma rajada de tiros. Caio no meio de dois! É a hora de passar a faca na galera! Um dos homens aponta sua arma para mim, acerto-a e os tiros vão direto para o Bravo, salpicando na lataria, atinjo-o com um chute na barriga, seguido de golpes com as lâminas cortando sua pele. Não dou tempo para o outro reagir, lanço meu pé até sua boca, um belo chute giratório, sua mandíbula sai do lugar em razão do golpe violento, jogando sua cabeça na traseira de um Gol! São mais cinco. Um branquelo sobe em cima do Bravo que usei para aterrissar, esse vai conseguir me acertar, que merda! Me escondo como posso no meio dos carros. Torcendo para que nenhum desses estalos de cada bala me atinja. Respiro por um instante. Subo no automóvel que uso como escudo. Agora seguro a lâmina, não pelo cabo, mas no próprio metal afiado, e lanço-a em direção ao branquelo. A arma faz seu papel, vai de encontro do ombro do meliante. O impacto faz com que caia de cima do carro. De cabeça! Faltam quatro agora. Avanço sem pensar nas conseqüências! Salto mais uma vez para atacar dois deles. Eles atiram! Erram a maioria. Os que acertaram meu kevlar deu conta! Aterriso em cima dos dois. Eles se debatem, enquanto rasgo sua carne! Nada fatal! Apenas para deixá-los no hospital por muito tempo! Pego suas armas e as jogo longe.
- Você vai morrer seu filho de um puta! – grita alguém atrás de mim.
Escuto uma arma sendo recarregada. Aquele “clac-clac”. Me viro depressa. O famigerado não pode puxar o gatilho! Chega! Por sorte ele está próximo. É o líder! Aquele que julguei mais inteligente! Careca, branquelo como outro que derrubei logo ali atrás. Seus olhos jorram perversidade! Queria que visse os meus garotão. Antes que ele possa levantar sua automática, seguro o cano dela, apontando-o para baixo. Mesmo assim ele atira. Gruda o dedo no gatilho! As balas arrebentam o asfalto, fazendo saltar pedaços como se fosse pipoca. O careca olha para mim e sorri. O cano esquenta, queimando minha mão. E recebo uma cabeçada. Ao menos suas balas acabaram. No mano-a-mano eu ganho! Eu sempre ganho!
O homem bate no peito, me desafia, e vem para cima! Correndo. Isso é desespero. É corajoso não é? Seu punho vem em direção ao meu rosto, me abaixo. Seu joelho também deseja me acertar, desvio novamente. O careca passa vazado, agora está de costas para mim. Ele olha para o outro companheiro, o último que resta, como se pedisse ajuda. Esse outro está amedrontado, eu causo esse efeito na maioria das vezes. O covarde corre. Foge com o rabo entre as pernas! Vai para a saída do túnel, totalmente acovardado.
- Seu viado! Volta aqui! Caralho! – grita o cabeça de bola de bilhar.
- Fica tranqüilinho ai aeroporto de mosquito, eu vou pegá-lo também! – provoco. – Só que você primeiro.

Ele se vira, e agora sou eu que avanço! Sem a menor dificuldade faço o careca beijar o asfalto com os dentes.
Procuro o fujão. Como o viado corre! Que merda! Já está longe. Por um instante sou tomado pela preguiça, como se a adrenalina tivesse se exaurido por completo. A distância é grande. Porra! Não pense seu idiota, apenas corra! E assim eu obedeço. Corro com esse corpo pesado e cansado. A cada veículo que vai passando, os olhos me acompanham, olhos amedrontados se enchem de esperança. “Estamos salvos”. É isso que vejo! A cada rosto, cada face, cada... Pessoa! Me agradecem em seu íntimo, assistindo o último momento do show. O momento em que pegarei o bandido fujão. Os feridos não são a prioridade para tais espectadores, e sim o show!
Chego na entrada do túnel. Não da mais. Minhas pernas não querem responder. O covarde olha para trás, ele tem uma arma na mão. Não vai usá-la. Prefere correr, é mais fácil do que me enfrentar. Nunca vou alcançá-lo correndo. Carro? Moto? Nada a minha volta será útil. Maldito engarrafamento!
- VOCÊ NÃO VAI FUGIR! – grito!
Levando meu braço. Armo o exoesqueleto. Direciono o gancho. E atiro! O cabo de aço assobia se deslocando pelo ar, até que... O gancho atravessa o ombro do filho da puta! De pequeno arpão, passa para a forma de um ouriço metálico. O homem urra de dor! Isso é pior do que tiro, o cabo de aço está dentro da ferida, e vai doer ainda mais. Aciono o carretel. Que vem trazendo meu prêmio. Meu peixe! O safado não larga sua 9mm. Ao se debater a ferida sangra mais, e também dói mais! Ele descobre isso da pior forma. Não há escapatória. Esse é meu mar e você está nadando nele! Eu sou o tubarão! Você a presa! Sofra com isso.
Em poucos segundos ele está em meus pés. Totalmente pálido pela perda de sangue e pela dor. Está praticamente imóvel. Pego sua beretta 9mm. Acabou. Enfim, acabou. O último calhorda está praticamente desmaiado aos meus pés. Respiro aliviado pela primeira vez em muitos dias. Meus músculos relaxam, minha cabeça está mais leve. Não tinha reparado, começou a chover. Poucos pingos, uma chuva leve, dando um frescor para o ambiente. Eu a agradeço por isso. Vários repórteres surgem do nada. Como praga. Como gafanhotos. Segurando suas câmeras e fotografando tudo que podem. Mídia. Imprensa. Façam sua festa. Vamos lá senhores “isentos”. “Imparciais”, informem! Comecem o espetáculo! Avise todos os malditos ratos dessa cidade que eu estou caçando! Um helicóptero paira sobre o céu, tirando a chuva de seu cair natural. Uma visão panorâmica. Vamos lá, filme tudo. Ainda assim... Estou aliviado. Respiro fundo, solto o ar vagarosamente, à medida que a chuva molha meu corpo. Acabou.
- TODO MUNDO QUETINHO! NINGUÉM SE MEXE PORRA!!! – alguém grita atrás de mim.
Careca roedor, porco, inútil, mau caráter, covarde! Filho da puta!
- Você também aí Jack! Não ouse se mover! Eu passo essa muié! Duvida? Vai arrisca, seu viado?! Eu mato! – ele ameaça, não duvido.
Ele a segura pelo cabelo. Uma mulher. Inocente! Ela não quer morrer, vejo em seus olhos encharcados de lágrimas. Seu rosto de desespero. O metal frio da pistola é apertado contra seu rosto macio.
- O lance é simples, eu vô andando até a outra pista, ta sabendo! Ninguém vai fazer nada. – eu me viro para o careca. – PARADO AÍ PORRA! Não se mexa Jack. Heroizinho de merda. Fica queto rapá! Eu mato essa piranha bem na sua frente! Vai querer ver os miolinhos dela no asfalto? Vai? Eu mato! Ta sabendo! – ele puxa o cabelo da pobre coitada, ela grita. – Eu vô pegar um carro e não quero ninguém atrás de mim! NINGUÉM! Eu passo essa vadia! PASSO com gosto! – ela a exibe como se fosse um prêmio, dou um passo para frente. – FICA AÍ CARALHO! Tu tá duvidando de mim? Eu mato rapá! Vai arriscar vai? Hein? Vai? Vem pra cima então! Esse caratê de bambi aí! Vem! Anda! Salva a mocinha em perigo! Vem! Filho da puta! Vou matar essa cachorra na sua frente!!! VEM!!! Covarde. Viadinho. Vai arris...
Agora ele não pode falar mais nada. Atravessei uma bala bem no seu olho! Nunca dei um tiro tão perfeito. Seu corpo cai. Mole, sem força, sem vida. A mulher para de gritar, e chora ainda mais. Trêmula. Aliviada. Em choque. Seus olhos estão vidrados em mim. Trêmula, sem nenhum equilíbrio. Nenhuma condição de dar um passo se quer... Ela vem até mim... E me abraça. Me aperta com força. Ainda chora. Suas lágrimas escorrem para meu peito... Não posso senti-las... O kevlar não permite. A chuva aumenta. Me esqueço da imprensa, dos carros a minha volta, de seus motoristas e passageiros, dos bandidos, do meu objetivo. Não sinto nada... Não faço nada, além de abraçar a mulher. Trêmula... Em meus braços.