Quinta-feira, Julho 28, 2011

Eu e Meus Sonhos


Bom, eu iria começar esse texto com três frases um tanto quanto ocas, opacas, sem sal. Falta de prática, o Direito nos da tudo, menos qualidade na escrita! Não há como não chegar à conclusão de que o Direito é o assassino de uma boa escrita. Leia-se bastante, porém... Limita-se ao bastante. Por isso, moçada, peço ligeiro perdão à queda de qualidade nas idéias deste escriba.


Não escrevo mais, isso me deixa um pouco triste. Me lembra que ainda tenho certas emoções infantis. Não tenho mais sonhos. Me considero um ser humano que viveu de maneira completa. Não tenho maiores ambições, as que eu tinha, eu completei. Vocês devem estar se perguntando quais são elas, pois bem, eu trago meus sonhos para vocês.


O primeiro deles era ver o Metallica. Essa banda magnífica que salvou minha vida! Não, não estava na mesa de hospital prestes a perder a vida. Eu estava afundando em pensamentos derrotistas, tristeza profunda e sem explicação. Não, não é depressão. Era só a adolescência. O Metallica carrega um conteúdo do qual me orgulho bastante. É uma banda que cresceu, evoluiu, e o melhor, de maneira integra, sempre! 30 anos ainda no topo? Quem fez isso? Nem o Elvis, nem o Michael Jackson, nem os Beatles (eita bandinha medíocre!)! O Metallica me ensinou a sentir, a me emocionar. James Hetfield é um grande homem! Meu ídolo. Vê-lo cantar fez meus olhos lacrimejarem e o coração ir de encontra à garganta!

O outro era amar. Sou um carente nato! Com carteirinha e tudo mais. Nunca fui um conquistador enquanto novo. Era gordo, cabeludo, metaleiro. Um horror em forma de gente! Feio que dói! Quem diria que cortar meu cabelo iria mudar tanto minha personalidade. O cabelo curto abriu portas que jamais achei que abririam! Não tive muitos exemplos de homens competentes. O meio no qual eu vivia era demasiadamente... sensível. Era uma choradeira de dar vergonha! Mas o cabelo curto veio para mudar! Me tornei um rapaz bonito. Juro! Não que eu quando feio não me apaixonada, não sentia. Não! Mas as coisas começaram a ficar fáceis, como mágica! Fui aprendendo sozinho a ganhar espaço e aprender a... conquistar. Mulheres se contem com o mais ou menos. O medíocre. Não condeno, o amor é medíocre. Ao menos aquele que pensam existir.


Eu amei! Demais algumas vezes. Esse era um pedaço que queria em mim. Essa experiência. Nomes bobos e colo aconchegante. Isso é ótimo! Maravilhoso! Guardo todas as lembranças de meus amores. O cheiro. Sou ligado ao olfato e ao tato. Quem não o é afinal? Não faço questão de perfumes, gosto do aroma natural da pele de uma mulher. Aquele delicioso aroma que se esconde por detrás do falso, do doce, do exagerado perfume. Amei as mulheres certas no tempo certo, por mais errado que tenha acontecido. Sou completo nesse aspecto. Sei que não acabou, está longe de acabar, mas a completude está alcançada. Eu amei. Eu amo. Ponto.


O terceiro sonho era ser um profissional. Quando eu der alguma entrevista, seja na Praça Sete ou no jornalzinho que roda gratuitamente nas salas de espera, estará lá, Pedro Augusto, profissão Advogado! Mamãe morre de orgulho. Papai também. Isso me basta.


Eu já escrevi um livro. Quase um manifesto da moral que envolve meu indivíduo. Adoro super-heróis! A idéia do herói me contagia! Aquele indivíduo que abre mão de seu bem estar por um objetivo maior é instigante. Ao mesmo tempo amigos, ela é perigosa. Todo herói é pretensioso. Se engana e se propõe a carregar o mundo nas costas, mesmo não podendo. O herói impõe seu ponto de vista e esmaga quem discorda. O herói é o ser mais perigoso para o mundo! Isso me fascina! Criei um personagem com tais características. Tão carismático tão complexo! O personagem cativa, sei disso porque faço minhas coisas com qualidade. O livro vai amadurecendo num ritmo incrível! Começa inocente, admito. Quase que bobo, mas eu cresço, empolgo, dou ritmo frenético à narrativa. Eu amo meu livro! Daria um ótimo filme! Quero publicá-lo, lógico! Foda-se a crítica! É uma puta história de ação... E drama! Um dos capítulos muda a narração para Maria, uma das personagens, brinco com a lenda do boto que rezo para quando alguém ler, entenda minha mensagem. O livro está pronto e acabado, vai além do meu blog, que mantenho há 5 anos com textos que me orgulho e envergonho. Não gosto de lê-los. Aliás, nunca releio o que escrevo. Incomoda.


Já plantei feijão no algodão. Conto como minha árvore. Já brinquei um pouco de pai. Gosto de crianças, paro por aqui por hora.


Poucas pessoas podem se dizer completas. Eu posso. Afirmo isso com certo pesar, porque julgo que são os sonhos que nos movem. É mórbida a frase que se segue, mas é verdade, minha verdade. Se eu morresse hoje não ligaria. Não brigaria com Deus por coisas pendentes. Não deixo nada para trás. Escrevi o que quis. Falei o que quis. Defendi meus pontos de vista. Sou um indivíduo, repito, completo.

Fiquem tranquilos que não contemplo o suicídio, nem buscarei prazeres fáceis para dar cor à minha vida. Sou exigente demais para isso. Estou ai, aguardando um novo sonho. Quem sabe ele surja! Vida morna nunca combinou comigo. Sou muito nervoso! Bravo! Sério! Perguntem à minha mãe. Continuarei crescendo. Publicarei meu livro certamente. Serei algo mais do que um advogado. É o que chamo de continuidade. Sei lá o que os planos cósmicos me reservam. Eu faço minha parte, planejo e vou com calma em busca do intenso...



Menti para vocês, confesso. Tenho um anseio, um desejo, porém ele vai de encontro com a moral, com a ética. Claro que ter duas mulheres juntas na cama é O (maiúsculo mesmo!) sonho. Calma, calma, calma. PIADA MOÇADA! Acabou, vamos em frente. Sonho em ter uma filha. No entanto carrego comigo um defeito genético, nada de horripilante, mas torra o saco de vez em quando. Sou hemofílico. Graças aos avanços da ciência sabe-se que é a mulher que carrega o gene defeituoso. Se eu tiver um filho existe a possibilidade, e grande!, de que a hemofilia pare aqui. Entretanto, uma filha minha carregaria esse defeito, essa mácula. Não sofro horrores, vivo uma vida normal, mas quem desejaria isso para alguém? Eu não desejo, e tenho o poder, a decisão, a escolha, de não “passar a bola” da hemofilia. Vale a vontade de criar uma criança, formar um indivíduo, frente ao direito da criança de não ter que “tomar cuidado” sempre que se deparar com um esbarrão, ou o risco de sofrer um acidente simples e ele se tornar algo maior. Ninguém tem o direito de passar a dor para frente. Aceito meu dilema. Convivo com ele. Sem decisão, sem certeza.

O parágrafo acima atesta minha incompletude. Minha mentira. Afinal, só é completamente completo, no melhor do pleonasmo, o idiota. E caros amigos, eu não sou um idiota.




1 comentários:

Mariane disse...

É Pedro Augusto...vou ter que admitir, assim como admito toda vez que leio algo que você escreveu, que você tem a manha!!!!
Amei o texto, me arrepiei, me emocionei...
Confesso que não estava concordando muito com essa sua ideia de "estar completo", mas ao ler o fim do texto eu tive a certeza de que não você NÃO é um idiota!
Me orgulho de ser sua amiga!