Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

O Último Texto

Hoje é o último dia que escrevo no blog.

Isso mesmo!, é o que chamamos de fim. O inevitável de todas as coisas vivas, e eu sempre acreditei, o blog, minha escrita, todos esses anos, foi algo vivo.

A decisão tinha que ser tomada neste ano, 2011, pelos mais variados motivos. E faço com orgulho, pitadas de tristeza e um sentimento de realização. Esta página virtual acompanhou coisas demais! Comentei dos roubos descarados e da incompetência de nossos políticos, critiquei esquerdistas, dissertei sobre economia e Direito. Por outro lado, minha faceta mais descolada, ensinou as moças a se portarem melhor diante de nós moços, psicologicamente e também no vestuário, por que não? Tentei dar dicas importantes aos rapazes para não morrerem encalhados, e acreditem se quiser, já ouvi comentários pessoais de que as dicas foram muito úteis ao casal, que por felicidade do destino, estão juntos até hoje.

Consegui extrapolar o mundo virtual e me aventurei em jornais como os locais de Lagoa Santa e o Estado de Minas, revistas também locais e, um dos dias mais empolgantes, quando o blog ficou disponível no site da Veja, e sites variados, de artigos, e no Ocioso. São pequenas conquistas, bobas eu diria, mas me deu a sensação de ser lido, como falei acima, me senti vivo.

Num geral nunca busquei ter leitores. Digo, óbvio que quero ser lido, pelo maior número de pessoas possíveis. Quando se fala em liberdade de expressão, dar a cara a tapa, é necessário! Estar aberto a receber de volta opiniões variadas, muitas vezes ofensivas, faz parte do jogo, e eu gosto desse jogo. O que eu quero transmitir é que escrever não é minha profissão. Eu não preciso disso financeiramente e, podemos brincar com o neologismo, egocentricamente. Escrevia porque gostava. E confesso, é a única coisa que gosto de fazer, de verdade.

Foram 3 eleições, guerras, tragédias, 3 namoros, um curso de Direito...

Seis anos bem escritos, eu diria.

Estava preparando um texto bombástico, prometido há quase seis meses. Trataria das obras públicas, exaltaria a importância de termos uma instituição, tudo para tentar clarear um debate político diário que me parece um tanto quanto infantil, imaturo e burro. Na esmagadora maioria das vezes tem-se uma ignorância latente das opiniões, e longe deu ser um analista político, porém creio ser imprescindível ter certa noção daquilo que debatemos. Não flerto com o “tem que acabar com tudo para dar jeito”, golpes, revoluções e protestos não me interessam. Tais facetas não merecem credibilidade, iria dizer o porquê, só que tratamos hoje de um fim, e não da continuidade, a dissertação me tomaria um tempo, que hoje, não quero ter.

Prometi também escrever sobre o Cruzeiro. Quase que por conseqüência, falaria do sofrimento, e como sofremos em 2011. Mais pela incompetência da administração desta instituição (vejam como o texto que não virá iria se entrelaçar!), quando não do mau caratismo evidente em alguns momentos. Aplicaria isso ao futebol em geral, dominado pela ganância de poucos, que fazem do coração de muitos o alvo principal. Alguma semelhança? Instituição logicamente está ligada à perpetuação no tempo, ao transcender do homem, ser finito. Essa paradinha super descolada e essencial em termos civilizatórios tem como objetivo se desprender da figura humana. Não temos o Presidente fulano, do Cruzeiro, ou o Prefeito ciclano, de alguma cidade. Temos a instituição Cruzeiro e a instituição chamada Prefeitura. Divaguei um pouco, como sabem, nunca fui mestre em concatenar idéias. Zombaria dos estimados atléticanos e de seu amor patológico (algo aqui daria um bom trocadilho, rá!).

Por fim, fiz voto de escrever sobre meu coração. Afinal, o blog também foi uma terapia importante sobre minha pessoa. Há tantas palavras da minha alma aqui. Me conhecer é a tarefa mais fácil, eu acho. Há cada inconveniência escrita por aqui, sem arrependimento, juro! Claro que me arrependo de muitas coisas, demais até. Menos de ter me exposto quando isso era necessário. E ao fazer coisas boas saíam, textos bonitos, de verdade!, alguns tristes, outros esbanjando felicidade. Disso que somos feitos, de alegrias e tristezas. No fundo, esperava que o leitor se identificasse, que não se sentisse sozinho ao saber que outro possuía sensações e sentimentos parecidos. Somos seres distintos passíveis de emoções muitas vezes similares. Quem nunca sofreu uma desilusão amorosa? Ou teve alguma amargura, ou queria explodir de felicidade após uma farra com os amigos do peito. No fim, meu coração ao se transformar em palavras poderia fazer bem a alguém indistinto, um terceiro desconhecido que se veria traduzido nesse personagem real que sou eu. Que coração nunca se sentiu perdido afinal? Quando dois perdidos se encontram, nem que seja no campo das idéias, a solidão é menor.

Fiquei mais insensível (alguns não irão acreditar nessa afirmação – risos) ao decorrer dos anos. Não só eu, o Pedro, o Zé, o dono da mente. As pessoas num geral, ao envelhecerem, se tornam levemente mais amargas. É a conseqüência óbvia, e eu gosto de flertar com o óbvio, da vida. É a resposta primeira pelas experiências que vivemos como seres humanos. Eu não me sinto confortável com isso, e por mais contraditório que seja, creio que os homens não devem ser sensíveis, esclareço, em público. A sensibilidade que se perde não é simplesmente o choro, ou uma carência, é algo mais abstrato e sem nome. E é isso que terão de meu coração, por último, uma sensação perdida, abstrata e sem nome.

Agradeço aos leitores que sempre tive... de coração. Oh, outra contradição, além do exposto, outro pedaço meu lhes é entregue, minha gratidão! “Menino confuso”, diriam!

Outros também verão esse texto com pouca importância, assim como sempre viram o blog. Ignorando-o. Assim como ele começou, ele vai terminar... Do meu eu para mim. Fazendo jus ao nome, Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro. Hoje ela se cala.

Meio mórbido não? E claro que morbidez e esse Zé não combinam. Moçada, me calo porque não quero ficar limitado! Vou incrementar meu sonho, e em 2012, farei o possível para publicar o primeiro livro, em 2013 o segundo e assim por diante até que este mundo acabe!

Não nasci para ser blogueiro, eu parto hoje para ser escritor. Serei um bom? Um medíocre? Um péssimo dos péssimos! Eu não faço a mínima idéia. Sei que vou ser aquilo que eu quiser!

So close no matter how far

Couldn't be much more from the heart

Forever trusting who we are

And nothing else matters

Sinto e sentirei saudades.

Para sempre.

7 comentários:

Anônimo disse...

Pedroo meu parça
você escreve mtoo bemm cara!
Curti pacas o blog, sucesso nessa nova empreitada!
abraço

Mariane disse...

Chato admitir que sentirei falta desse blog. Não que eu acordasse todo dia esperando algo novo pra ler, mas era aqui, um lugar onde eu sabia que acharia algo que fizesse bem pra mente. Algo que fosse bom de ler, nem que fosse pra discordar. Algo que fosse escrito por alguém que sabe colocar nas palavras tudo aquilo que sente, coisa que é difícil de achar por aí. Me sentia, às vezes, mais próxima de você aqui, do que quando estávamos juntos. Mais próxima no sentido de estar mais perto do seu "eu" de verdade! Sei lá, difícil explicar. Sentirei saudades de ler coisas suas. Aguardo o lançamento dos livros, serei uma leitora, talvez não fiel, mas uma leitora que se delicia com seus textos!

(Não acostuma tá??? Nunca mais babarei tanto assim!)

Mariane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anna Paula Bloise disse...

Poxa, que pena!
eu gosto do blog...
vc escreve mt bem msm e sabe colocar o q sente nas palavras como disse a Mariane...
boa sorte p vc no seu novo caminho e q vc seja uma pessoa realizada na sua vida...

feliz natal e feliz ano novo(ano novo, vida nova)!

bj

Juh disse...

Quase chorei lendo essa despedida.
Eu sempre fui fã de seus textos, acredite, eu sempre tentei fazer as suas dicas parte de mim.
Sempre te disse, vc é o cara, tenho certeza que seu livro sera um sucesso ! beijos ;)

Fabi Faria disse...

Zé!!!!!

Peeedro!!!

quero ser a primeira da fila a ganhar um autógrafo!!!!

Desejo todo sucesso do mundo!!!

Vc sabe que mora no meu coração né?

Olivia Rodrigues disse...

É Zé ! rs
Conquiste a cada dia o seu crescimento. Hoje você deixou um Blog para ser relembrado.. vai deixar de atualiza-lo. Mas vai dar oportunidade a algo maior, algo que se pode explorar e expor as palavras com mais firmeza. Deixando de ser uma mera Página da Web para quem sabe, Um Livro!
O Blog lhe trouxe simpatia pela escrita e amor pelas palavras. Conhecimento é riqueza, amadurecimento e equilíbrio.
Você possui um futuro promissor!
Sucesso!
Olívia Rodrigues